Introdução

Vacinar-se contra gripe pode reduzir em até 41% a mortalidade cardiovascular no primeiro ano após um infarto — um benefício comparável ao de algumas das mais eficazes estatinas disponíveis. Essa afirmação não vem de uma campanha de saúde pública: vem de revisões sistemáticas publicadas em periódicos científicos de alto impacto e foi incorporada, em junho de 2025, ao mais importante documento sobre o tema já produzido pela cardiologia mundial. O Consenso Clínico da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC), publicado no European Heart Journal em setembro de 2025, posicionou a vacinação como o quarto pilar da prevenção cardiovascular — ao lado dos anti-hipertensivos, dos hipolipemiantes e dos medicamentos para controle do diabetes. No Instituto Inject, em Marília-SP, o Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo incorpora essa perspectiva ao cuidado preventivo de cada paciente — porque proteger o coração vai muito além do consultório de cardiologia.

 

Índice

Veja a seguir os tópicos que serão abordados neste blog post: Vacinas e Saúde do Coração: como influenza, pneumocócica, COVID-19 e dengue se relacionam com o risco de infarto e AVC

  1. Por que infecções aumentam o risco de infarto e AVC: o mecanismo inflamatório
  2. O Consenso Clínico da ESC de 2025: vacinação como quarto pilar da prevenção cardiovascular
  3. Vacina contra influenza e o coração: as evidências mais sólidas da cardiologia preventiva
  4. Vacina pneumocócica: proteção contra infarto e mortalidade em idosos e cardiopatas
  5. COVID-19 e o coração: por que a vacinação reduz complicações cardiovasculares graves
  6. Dengue e o coração: miocardite, arritmias e o risco para pacientes com doença cardiovascular
  7. Quem mais precisa dessas vacinas do ponto de vista cardiovascular
  8. O papel do check-up cardiológico integrado na prevenção que inclui a vacinação

 

Se você tem doença cardiovascular, fatores de risco cardíaco ou simplesmente quer entender como a vacinação protege o coração de formas que vão muito além de evitar a gripe, este artigo foi escrito para você. A ciência mais recente é clara — e o Instituto Inject está aqui para traduzi-la em cuidado concreto.

 

1. Por que infecções aumentam o risco de infarto e AVC: o mecanismo inflamatório

A relação entre infecções e eventos cardiovasculares agudos não é coincidência nem especulação — é biologia bem documentada. Compreender o mecanismo pelo qual vírus e bactérias desencadeiam infartos e AVCs é o ponto de partida para entender por que a vacinação se tornou uma estratégia de prevenção cardiovascular de primeira ordem.

O elo central é a inflamação. Quando o organismo é atacado por um agente infeccioso — seja o vírus influenza, o SARS-CoV-2, a bactéria pneumocócica ou o vírus da dengue —, responde com uma cascata inflamatória sistêmica que eleva as concentrações de citocinas pró-inflamatórias, proteína C reativa, fator de necrose tumoral alfa e interleucinas. Essa tempestade inflamatória tem consequências diretas sobre o sistema cardiovascular: desestabiliza placas ateroscleróticas previamente silenciosas, favorece a agregação plaquetária e a formação de trombos, aumenta a demanda miocárdica de oxigênio e compromete a função endotelial.

O resultado é que infecções agudas podem ser o gatilho que transforma uma placa coronariana estável — presente há anos sem causar sintomas — em uma ruptura aguda com trombose, oclusão arterial e infarto do miocárdio. O Consenso Clínico ESC publicado no European Heart Journal em setembro de 2025, de autoria de Heidecker, Libby, Vassiliou, Lüscher e colaboradores, descreve com precisão esses mecanismos: infecções como pneumonia, influenza e SARS-CoV-2 exacerbam a insuficiência cardíaca e aumentam o risco de eventos cardiovasculares maiores — e a vacinação, ao prevenir ou atenuar a infecção, reduz diretamente a probabilidade desses eventos.

 

2. O Consenso Clínico da ESC de 2025: vacinação como quarto pilar da prevenção cardiovascular

Em 30 de junho de 2025, a Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) publicou um marco histórico para a medicina preventiva: o Consenso Clínico "Vaccination as a new form of cardiovascular prevention", divulgado no European Heart Journal (2025;46(36):3518–3531), sob autoria de Bettina Heidecker, Peter Libby, Vassilios Vassiliou, Thomas Lüscher e dezenas de especialistas mundiais, com contribuição da Associação Europeia de Cardiologia Preventiva (EAPC), da Associação de Cuidados Cardiovasculares Agudos (ACVC) e da Associação de Insuficiência Cardíaca (HFA) da ESC.

A mensagem central do documento é inequívoca: a vacinação deve ser considerada o quarto pilar da prevenção médica cardiovascular, ao lado dos anti-hipertensivos, dos medicamentos hipolipemiantes e dos fármacos para controle do diabetes. O Consenso descreve como vacinas contra influenza, pneumococo, SARS-CoV-2 e vírus sincicial respiratório reduzem não apenas as infecções-alvo, mas também a incidência de eventos cardiovasculares maiores (MACE) — especialmente em grupos vulneráveis como idosos, pacientes com doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, cardiopatia congênita e receptores de transplante cardíaco.

O Prof. Thomas Lüscher, presidente da ESC e autor sênior do documento, declarou publicamente: "Temos sabido há muitos anos que a influenza pode aumentar o risco de eventos cardiovasculares adversos maiores, como infartos, e pode exacerbar a insuficiência cardíaca. Mais recentemente, evidências sugerem que outras infecções respiratórias também estão associadas ao aumento da morbidade e mortalidade cardiovasculares." O documento recomenda explicitamente que todo paciente internado por causa cardíaca receba a vacina contra influenza e COVID-19 antes da alta hospitalar.

 

3. Vacina contra influenza e o coração: as evidências mais sólidas da cardiologia preventiva

A vacina contra influenza é, entre todas as vacinas com impacto cardiovascular documentado, aquela com o conjunto de evidências mais robusto e consistente. Ensaios clínicos randomizados, meta-análises e revisões sistemáticas convergem para uma conclusão clara: vacinar contra a gripe salva vidas cardíacas.

A meta-análise publicada no JAMA Network Open em 2022, por Behrouzi, Bhatt, Cannon, Vardeny, Lee, Solomon e Udell — pesquisadores de Toronto, Harvard e Minnesota —, analisou ensaios clínicos randomizados sobre vacinação contra influenza e risco cardiovascular, demonstrando associação significativa entre imunização e redução de eventos cardiovasculares adversos maiores em pacientes de alto risco.

A umbrella review publicada no Canadian Communicable Disease Report em outubro de 2025, por Tadount e colaboradores da Public Health Agency of Canada, sintetizou 25 revisões sistemáticas e meta-análises publicadas entre 2012 e 2024, avaliando a relação entre vacinação contra influenza e eventos cardiovasculares em adultos. A revisão demonstrou que, entre as 15 meta-análises de qualidade moderada a alta incluídas na síntese, a maioria documentou redução da mortalidade cardiovascular, de infarto do miocárdio e de eventos adversos cardiovasculares maiores após a vacinação.

O dado mais expressivo vem de estudos com pacientes que sofreram infarto recente: a vacinação contra influenza nessa população demonstrou redução de até 41% na mortalidade cardiovascular no primeiro ano. Em pacientes com insuficiência cardíaca, dados de longo prazo indicam que receber três ou mais doses de vacinas contra gripe ao longo de 12 anos está associado a uma redução próxima de 30% na mortalidade por todas as causas — percentual similar ao benefício de alguns medicamentos para melhora de sobrevida nessa condição. Um estudo dinamarquês publicado na Eurosurveillance em abril de 2026, analisando 1.221 adultos com 40 anos ou mais entre 2014 e 2025, demonstrou que, na primeira semana após a infecção por influenza confirmada laboratorialmente, o risco de hospitalização por evento cardiovascular subiu de forma acentuada — chegando a aproximadamente três vezes para AVC e cinco vezes para infarto —, reforçando a urgência da prevenção pela vacinação.

 

4. Vacina pneumocócica: proteção contra infarto e mortalidade em idosos e cardiopatas

A pneumonia por Streptococcus pneumoniae é uma das infecções com maior impacto cardiovascular agudo. A bactéria produz toxinas que causam dano direto ao miocárdio, induzem inflamação sistêmica severa e promovem vasoconstrição coronariana — criando as condições para infarto, arritmias e insuficiência cardíaca descompensada. Estima-se que haja aumento de mais de 14% de novos casos de insuficiência cardíaca e mais de 7% de infartos do miocárdio seguindo-se a uma pneumonia adquirida na comunidade.

A meta-análise publicada no Journal of Clinical Medicine em 2022, avaliando 15 estudos com mais de 320.000 pacientes, demonstrou que a vacina pneumocócica foi associada à diminuição de 24% na mortalidade por todas as causas e de 27% na incidência de infarto do miocárdio em comparação ao grupo não vacinado. Esses dados foram destacados no 2.º Congresso de Departamentos da SBC, em Belo Horizonte, em abril de 2026, onde especialistas ressaltaram que a vacinação pneumocócica reduz eventos cardiovasculares com uma magnitude que a coloca entre as intervenções preventivas custo-efetivas mais relevantes para a população idosa.

O Consenso Clínico da ESC de 2025 documenta que vacinas pneumocócicas conferem redução modesta, mas clinicamente relevante, de aproximadamente 10% nos eventos cardiovasculares em adultos mais velhos. O estudo CAPAMIS, conduzido em população de mais de 27.000 indivíduos com 60 anos ou mais, avaliou prospectivamente a efetividade clínica da vacina pneumocócica 23-valente contra infarto agudo do miocárdio e AVC isquêmico, com resultados que sustentam o papel protetor da vacinação nessa população. A recomendação é clara: todos os pacientes cardíacos e todos os idosos devem receber a vacina pneumocócica — disponível gratuitamente no SUS brasileiro.

 

5. COVID-19 e o coração: por que a vacinação reduz complicações cardiovasculares graves

A pandemia de COVID-19 revelou de forma dramática a íntima relação entre infecções respiratórias graves e eventos cardiovasculares. O SARS-CoV-2 não é apenas um vírus pulmonar: é um agente com tropismo vascular direto, capaz de causar miocardite, trombose coronariana, disfunção endotelial, arritmias e síndrome inflamatória multissistêmica com acometimento cardíaco severo.

O Consenso Clínico da ESC de 2025 aponta que o risco de miocardite pela infecção por SARS-CoV-2 não tratada é estimado em seis vezes maior do que o risco de miocardite associada à vacinação. Esse dado é fundamental para contextualizar o debate público sobre segurança das vacinas: a infecção em si representa risco cardiovascular muito superior ao da imunização. O documento recomenda explicitamente que todos os pacientes internados por causa cardíaca recebam as vacinas contra influenza e COVID-19 antes da alta hospitalar.

Ensaio clínico sobre os efeitos dinâmicos da vacinação contra COVID-19 nos principais eventos cardiovasculares agudos e mortalidade após a infecção por SARS-CoV-2 — utilizando dados de registros médicos eletrônicos globais de abril de 2021 a março de 2023 — destacou que, embora a vacinação seja direcionada para diminuir o agravamento e a mortalidade da infecção aguda por COVID-19, a longo prazo ela proporciona efeito protetor significativo contra complicações cardiovasculares graves. A vacinação contra COVID-19 e influenza foi incorporada às diretrizes da ESC e da ACC/AHA para prevenção secundária em cardiopatas e idosos — e a Folha de São Paulo documentou, em julho de 2025, com base nessa diretriz, que tanto a vacina contra COVID-19 quanto a pneumocócica, disponíveis no SUS, reduzem o risco de infartos, derrames e agravamento da insuficiência cardíaca.

 

6. Dengue e o coração: miocardite, arritmias e o risco para pacientes com doença cardiovascular

A dengue é a arbovirose de maior relevância cardiovascular no Brasil — e seu impacto sobre o coração é frequentemente subestimado tanto pelos pacientes quanto pelos profissionais de saúde. O vírus da dengue (DENV) tem mecanismos de dano cardíaco diretos e indiretos que tornam a infecção especialmente perigosa para quem já tem doença cardiovascular estabelecida.

A revisão integrativa publicada no Brazilian Journal of Health Review em 2024, analisando estudos entre 2020 e 2024, documentou que, em um estudo observacional analítico com 427 pacientes, alterações cardiovasculares decorrentes da infecção por DENV foram detectadas em 19,7% dos casos, com 1,9% dos indivíduos apresentando pericardite. As principais complicações cardiovasculares da dengue incluem: miocardite — inflamação do músculo cardíaco, com produção de citocinas inflamatórias que causam disfunção miocárdica e, nos casos graves, evolução para insuficiência cardíaca; arritmias — distúrbios do ritmo cardíaco, incluindo bradicardia e taquiarritmias, geralmente de natureza benigna e autolimitada, mas com potencial de morbidade em cardiopatas; e permeabilidade vascular aumentada — que pode resultar em choque circulatório com queda brusca da pressão arterial.

Estudo de coorte populacional publicado no Lancet Regional Health — Western Pacific em outubro de 2025, com análise de complicações cardiovasculares em infecção aguda por dengue, reforça a relevância clínica do acometimento cardíaco nessa infecção. Um dado crítico para cardiopatas: o uso de medicamentos antiplaquetários — como ácido acetilsalicílico e clopidogrel, comuns no tratamento de doença coronariana e após implante de stent — aumenta o risco de sangramento durante a dengue, tornando imprescindível o monitoramento clínico rigoroso ao menor sinal da doença. A vacina tetravalente contra dengue representa, nesse contexto, não apenas proteção contra a arbovirose, mas uma estratégia adicional de proteção cardiovascular em pacientes de alto risco.

 

7. Quem mais precisa dessas vacinas do ponto de vista cardiovascular

O Consenso Clínico da ESC de 2025 é específico ao identificar os grupos que mais se beneficiam da vacinação como estratégia de prevenção cardiovascular. O benefício é particularmente expressivo em pacientes com condições que amplificam o risco de complicações cardiovasculares após infecções.

Os grupos prioritários identificados pelo documento incluem: idosos com 60 anos ou mais — cuja imunidade inata é menos eficiente e cujo risco cardiovascular basal é mais elevado; pacientes com doença arterial coronariana estabelecida — incluindo aqueles com histórico de infarto, angina estável e após revascularização coronariana; portadores de insuficiência cardíaca — nos quais a infecção por influenza ou pneumococo pode descompensar rapidamente a função ventricular; pacientes com cardiopatia congênita e receptores de transplante cardíaco — por sua vulnerabilidade imunológica adicional; e gestantes — grupo de risco tanto para complicações graves de influenza quanto para dissecção espontânea de artéria coronária (SCAD) e outras complicações cardiovasculares no período periparto.

No Brasil, o calendário de vacinação do adulto disponível no SUS inclui gratuitamente: a vacina influenza trivalente — com cobertura ampliada desde 2025 para crianças de 6 meses a 5 anos, gestantes e pessoas com 60 anos ou mais —; a vacina pneumocócica 23-valente para idosos e grupos de risco; e as vacinas contra COVID-19 com esquemas atualizados conforme recomendação do Ministério da Saúde. A vacina tetravalente contra dengue está em processo de expansão no contexto brasileiro. Apesar da disponibilidade gratuita, a adesão à vacinação entre adultos com doenças crônicas permanece aquém do ideal — uma lacuna que a cardiologia preventiva tem responsabilidade de corrigir na consulta clínica.

 

8. O papel do check-up cardiológico integrado na prevenção que inclui a vacinação

A vacinação como estratégia de prevenção cardiovascular é mais eficaz quando inserida em um contexto de cuidado cardiológico abrangente — onde o status vacinal do paciente é verificado sistematicamente, assim como sua pressão arterial, perfil lipídico, glicemia e capacidade funcional. O Consenso Clínico da ESC de 2025 é explícito ao recomendar que cardiologistas incluam a avaliação e a recomendação de vacinação como parte rotineira da consulta — e não apenas na alta hospitalar após eventos agudos.

Na prática, isso significa que um paciente com doença coronariana que chega ao consultório para revisão de antiagregante e estatina deve sair da consulta também com orientação sobre o calendário vacinal atualizado. Um hipertenso de 65 anos que faz MAPA para ajuste de medicação deve ser questionado sobre sua última dose da vacina influenza e pneumocócica. Um executivo de 45 anos que faz check-up preventivo deve ter o status de vacinação incorporado ao seu laudo de risco cardiometabólico.

No Instituto Inject, o check-up cardiovascular de precisão conduzido pelo Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo inclui essa avaliação integrada — onde ECG, ecocardiograma, Holter, MAPA, teste ergométrico, bioimpedância, scanner 3D corporal e painel laboratorial completo são complementados pela orientação sobre prevenção primária e secundária abrangente, incluindo a vacinação. Porque a cardiologia de alta precisão não se ocupa apenas do coração que já adoeceu — ocupa-se do coração que ainda tem tudo para não adoecer.

 

FAQ — Perguntas Frequentes sobre Vacinas e Saúde do Coração

1. A vacina contra gripe realmente protege o coração? Sim, com evidências científicas de alta qualidade. Uma umbrella review publicada no Canadian Communicable Disease Report em 2025, sintetizando 25 meta-análises, demonstrou redução consistente de mortalidade cardiovascular, infarto e eventos adversos cardíacos maiores em adultos vacinados. Em pacientes após infarto, a vacinação contra influenza reduziu em até 41% a mortalidade cardiovascular em um ano. O Consenso Clínico da ESC de 2025 posiciona a vacina influenza como a de evidência mais robusta entre as vacinas com benefício cardiovascular documentado.

2. Quem tem doença do coração precisa se vacinar mais do que outras pessoas? Sim, com urgência especial. Pacientes com doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca e cardiopatias em geral são exatamente os que mais se beneficiam da vacinação — e os que correm maior risco de complicações cardiovasculares graves após infecções. O Consenso Clínico da ESC de 2025 recomenda que todo paciente internado por causa cardíaca receba as vacinas contra influenza e COVID-19 antes da alta hospitalar. O cardiologista deve verificar e orientar o calendário vacinal em toda consulta de seguimento.

3. A vacina contra COVID-19 é segura para cardiopatas? Sim. O Consenso Clínico da ESC de 2025 documenta que o risco de miocardite pela infecção por SARS-CoV-2 não tratada é estimado em seis vezes maior do que o risco de miocardite associada à vacinação. A evidência disponível suporta a segurança das vacinas contra COVID-19 em indivíduos com fatores de risco cardiovascular ou doença cardiovascular estabelecida — e o benefício de redução de complicações cardiovasculares graves supera amplamente o risco.

4. A dengue pode causar infarto? A dengue raramente causa infarto direto, mas pode desencadear complicações cardiovasculares graves — especialmente miocardite, arritmias e insuficiência cardíaca — que aumentam o risco de eventos cardíacos em pacientes previamente comprometidos. Revisão integrativa publicada no Brazilian Journal of Health Review em 2024 documentou alterações cardiovasculares em 19,7% dos pacientes com dengue em um estudo observacional. Cardiopatas que desenvolvem dengue precisam de monitoramento clínico rigoroso, pois o uso de antiagregantes e anticoagulantes comuns nessa população pode aumentar o risco de sangramento.

5. Essas vacinas estão disponíveis no SUS? Sim. A vacina influenza trivalente, a vacina pneumocócica e as vacinas contra COVID-19 estão disponíveis gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) para os grupos prioritários — incluindo idosos, gestantes e pacientes com doenças crônicas. Apesar dessa disponibilidade, a cobertura vacinal em adultos com doenças cardiovasculares permanece abaixo do ideal. Especialistas presentes no 2.º Congresso de Departamentos da SBC, em 2026, alertaram que a vacinação de grupos de risco, como os cardiopatas, precisa ser resgatada com urgência — inclusive como responsabilidade ativa do cardiologista na consulta.

 

Conclusão

Chegamos ao fim de mais um conteúdo desenvolvido pelo Instituto Inject. Neste blog post abordamos: o mecanismo inflamatório pelo qual infecções desestabilizam placas ateroscleróticas e desencadeiam infartos e AVCs; o Consenso Clínico da ESC publicado no European Heart Journal em setembro de 2025, que posiciona a vacinação como o quarto pilar da prevenção cardiovascular; as evidências robustas sobre a vacina contra influenza e a redução de até 41% na mortalidade cardiovascular em pacientes após infarto; o papel da vacina pneumocócica na redução de 27% na incidência de infarto e 24% na mortalidade por todas as causas em adultos vacinados; a vacina contra COVID-19 e sua importância na prevenção de complicações cardiovasculares graves em pacientes de alto risco; os riscos cardiovasculares da dengue — miocardite, arritmias e insuficiência cardíaca — e a importância da vacinação para cardiopatas; os grupos que mais se beneficiam da vacinação do ponto de vista cardiovascular; e a integração da avaliação vacinal ao check-up cardiológico de precisão do Instituto Inject.

Vacinar não é apenas evitar a gripe. É proteger o coração. É reduzir o risco de infarto. É uma decisão médica baseada em ciência de altíssimo nível — e agora, oficialmente, é o quarto pilar da prevenção cardiovascular segundo a Sociedade Europeia de Cardiologia. No Instituto Inject, essa informação chega ao paciente com a clareza e o cuidado que ela merece.

 

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Se você tem fatores de risco cardiovascular, doença cardíaca estabelecida ou simplesmente deseja uma avaliação preventiva completa — incluindo orientação sobre vacinação e estratégias de prevenção cardiovascular baseadas nas evidências mais recentes —, o Instituto Inject oferece check-up completo no mesmo local, com ECG, ecocardiograma, Holter, MAPA, teste ergométrico, bioimpedância e scanner 3D corporal, consolidados em laudo técnico individualizado pelo Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo.

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Ciência de precisão. Prevenção real. Cuidado que transforma.

 

Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo CRM SP 195033 | RQE 70601-70602/1 Médico Cardiologista | PhD pela USP Instituto Inject — Marília, SP

 

Referências Bibliográficas

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Publicado em 02/05/2026