Introdução

A gripe pode matar o coração. Essa não é uma afirmação alarmista — é uma conclusão sustentada por décadas de evidências científicas e confirmada pelo estudo IAMI, publicado no periódico Circulation da American Heart Association em 2021: a vacinação contra influenza administrada nas primeiras 72 horas após um infarto reduziu em 28% os eventos cardiovasculares maiores e em 41% a mortalidade cardiovascular em 12 meses. Apesar disso, a cobertura vacinal entre cardiopatas permanece dramaticamente baixa no Brasil e no mundo. No Instituto Inject, em Marília-SP, o Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo trata a vacinação como parte integrante da estratégia de prevenção cardiovascular de cada paciente — porque proteger o coração vai muito além do controle do colesterol e da pressão arterial.

Veja a seguir os tópicos que serão abordados neste blog post: Vacinas e Coração

  1. Por que infecções são perigosas para o coração: a via inflamatória
  2. Vacina da gripe e proteção cardiovascular: o que os ensaios clínicos comprovam
  3. Vacina pneumocócica: proteção contra o inimigo silencioso dos cardiopatas
  4. Vacinas COVID-19 e o coração: benefícios, riscos e a ciência sobre miocardite
  5. Miocardite pós-vacinal: o que os dados reais mostram sobre incidência e prognóstico
  6. Quais vacinas são recomendadas para pacientes com doenças cardiovasculares
  7. Por que a vacinação ainda é subutilizada na cardiologia e o que fazer a respeito
  8. Vacinação e prevenção cardiovascular no Instituto Inject

Neste conteúdo, você vai encontrar respostas baseadas em ciência real — não em opinião ou medo — sobre a relação entre vacinas e coração. Seja você um paciente cardiopata, familiar de um, ou simplesmente alguém que quer entender o que a medicina mais avançada tem a dizer sobre vacinação e proteção cardiovascular, este artigo foi escrito para você. Leia com atenção cada tópico.

 

1. Por que infecções são perigosas para o coração: a via inflamatória

A conexão entre infecções — especialmente as respiratórias — e eventos cardiovasculares graves não é uma novidade científica. Ela foi identificada há mais de um século e vem sendo cada vez mais elucidada em seus mecanismos fisiopatológicos. Compreender essa conexão é o primeiro passo para entender por que as vacinas têm papel ativo na proteção cardiovascular.

Quando o organismo é infectado por vírus como o da influenza ou pelo SARS-CoV-2, o sistema imunológico desencadeia uma resposta inflamatória sistêmica intensa. Essa resposta libera grandes quantidades de citocinas pró-inflamatórias — interleucina-6 (IL-6), fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) e interleucina-1β (IL-1β) —, que agem diretamente sobre as paredes dos vasos sanguíneos, desestabilizando as placas ateroscleróticas. Uma placa que estava estável há anos pode se romper durante um episódio infeccioso agudo, desencadeando um coágulo que oclui a artéria e causa um infarto. Além disso, a infecção eleva a frequência cardíaca, a demanda de oxigênio pelo miocárdio, promove estado pró-trombótico e pode desencadear arritmias — todos mecanismos que aumentam o risco cardiovascular.

Um documento de consenso publicado pela Sociedade Interamericana de Cardiologia e pela World Heart Federation (Global Heart, 2021) sintetiza essa evidência: as infecções respiratórias — com destaque para influenza e pneumonia — são gatilhos estabelecidos para síndromes coronarianas agudas, descompensação de insuficiência cardíaca, AVC e morte cardiovascular. Estudos epidemiológicos demonstram aumento de 6 vezes no risco de infarto nos dias imediatamente após um episódio de gripe. Essa vulnerabilidade é ainda mais pronunciada em pacientes que já têm doença cardiovascular estabelecida. É nesse contexto que as vacinas deixam de ser apenas proteção contra infecções e passam a ser, também, ferramentas de prevenção cardiovascular ativa — e é por isso que o Dr. Estevão Figueiredo as incorpora ao plano de cuidado de seus pacientes no Instituto Inject.

 

2. Vacina da gripe e proteção cardiovascular: o que os ensaios clínicos comprovam

A vacina contra a influenza é, hoje, uma das intervenções de prevenção cardiovascular com maior nível de evidência disponível em toda a cardiologia — e, paradoxalmente, uma das mais subutilizadas. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e as principais sociedades internacionais recomendam essa vacinação para todos os pacientes com doença cardiovascular estabelecida. O que muitos médicos e pacientes ainda não sabem é que essa recomendação é sustentada por ensaios clínicos randomizados publicados nos mais prestigiosos periódicos do mundo.

O estudo mais robusto e recente nessa área é o Estudo IAMI (Influenza Vaccination After Myocardial Infarction), publicado no periódico Circulation da American Heart Association em novembro de 2021 (Fröbert O et al., Circulation, 2021;144:1476-1484). Trata-se de um ensaio randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, conduzido em 30 centros de 8 países, que incluiu 2.571 pacientes hospitalizados por infarto agudo do miocárdio ou doença coronariana de alto risco. Os pacientes foram randomizados para receber a vacina inativada da influenza ou placebo nas primeiras 72 horas da hospitalização. Após 12 meses de seguimento, o grupo vacinado apresentou redução de 28% no desfecho primário composto (morte por qualquer causa, infarto do miocárdio ou trombose de stent), redução de 41% na mortalidade cardiovascular e redução de 41% na mortalidade por todas as causas — tudo isso sem nenhum excesso de eventos adversos graves no grupo vacinado.

Uma metanálise atualizada que combinou os dados do estudo IAMI com outros ensaios randomizados, publicada na JAMA Network Open em 2022 (Behrouzi B et al., JAMA Netw Open, 2022;5(4):e228873), analisou 6 estudos randomizados com um total de 9.001 participantes e demonstrou que a vacinação contra influenza foi associada a uma redução de 34% no risco de eventos cardiovasculares compostos (3,6% vs 5,4%; RR 0,66; IC 95% 0,53-0,83). Em uma metanálise mais ampla, incluindo dados de 14.420 pacientes, a redução de eventos cardiovasculares maiores (MACE) foi de 25%. Esses dados levaram a Diretriz AHA/ACC para Doença Coronariana Crônica (Virani SS et al., J Am Coll Cardiol, 2023;82:833-955) a recomendar a vacinação anual contra influenza em pacientes com doença cardiovascular como Classe I, Nível de Evidência B — o mesmo nível de recomendação de importantes medicamentos cardiológicos.

 

3. Vacina pneumocócica: proteção contra o inimigo silencioso dos cardiopatas

A pneumonia por Streptococcus pneumoniae é uma das infecções mais perigosas para pacientes com doenças do coração. Diferentemente da gripe — cujo período de risco cardiovascular é notoriamente reconhecido —, a pneumonia pneumocócica muitas vezes não é associada ao coração pelo paciente. No entanto, os mecanismos pelos quais ela precipita descompensações cardíacas são igualmente robustos: inflamação sistêmica, hipóxia, estado pró-coagulante, taquicardia e aumento da demanda de oxigênio pelo miocárdio constituem a mesma cascata fisiopatológica que transforma uma infecção pulmonar em um evento cardiovascular catastrófico.

Pacientes com insuficiência cardíaca, doença arterial coronariana ou disfunção ventricular são particularmente vulneráveis à pneumonia pneumocócica: ela pode ser o gatilho de uma descompensação aguda que exige hospitalização de urgência — e a hospitalização por insuficiência cardíaca descompensada, por sua vez, aumenta substancialmente o risco de mortalidade nos meses seguintes. Uma revisão publicada na Frontiers in Cardiovascular Medicine confirmou que as infecções por Streptococcus pneumoniae estão entre as causas mais frequentes de precipitação de episódios agudos de insuficiência cardíaca.

A SBC, a AHA e a ESC recomendam a vacinação pneumocócica para todos os pacientes com doença cardiovascular estabelecida, insuficiência cardíaca, diabetes mellitus e doença renal crônica. No Brasil, as vacinas pneumocócicas disponíveis incluem a VPC13 (conjugada 13-valente) e a VPPV23 (polissacarídica 23-valente), e ambas fazem parte do Calendário de Vacinação do Adulto do SUS para populações de risco. Estudos publicados na literatura internacional sugerem associação entre a vacinação pneumocócica e a redução da mortalidade por todas as causas em pacientes com doença cardiovascular — o que reforça seu papel não apenas como prevenção de infecção respiratória, mas como estratégia de proteção cardiovascular integrada. No Instituto Inject, a avaliação do calendário vacinal do paciente cardiopata faz parte da consulta de prevenção cardiovascular conduzida pelo Dr. Estevão Figueiredo.

 

4. Vacinas COVID-19 e o coração: benefícios, riscos e a ciência sobre miocardite

A relação entre as vacinas contra COVID-19 e o coração foi um dos temas mais debatidos — e mais desinformados — da medicina recente. É dever da cardiologia baseada em evidências apresentar os dados reais: os benefícios cardiovasculares da vacinação contra COVID-19 são amplamente documentados e superam, na grande maioria das situações, os riscos raros e geralmente autolimitados associados a ela.

A infecção pelo SARS-CoV-2, especialmente em pacientes com doenças cardiovasculares pré-existentes, foi associada a taxas elevadíssimas de complicações cardíacas graves: miocardite, infarto agudo do miocárdio, tromboembolismo, arritmias e morte cardiovascular. Dados populacionais demonstraram que pacientes com hipertensão, insuficiência cardíaca ou doença coronariana tinham risco proporcionalmente muito maior de formas graves de COVID-19 e morte. Nesse contexto, a vacinação representou — e representa — uma estratégia de proteção cardiovascular de primeira ordem para esses pacientes. A Sociedade Brasileira de Cardiologia, a AHA e a ESC emitiram posicionamentos claros recomendando a vacinação prioritária de pacientes com doenças cardiovasculares estabelecidas.

Em relação ao risco cardíaco associado às vacinas, a miocardite pós-vacinal é o evento que mais gerou debate. Segundo uma análise de quase 43 milhões de pessoas na Inglaterra, publicada na Circulation da AHA em agosto de 2022 (Patone M et al., Circulation, 2022;146:1200-1212), o risco de miocardite após a infecção pela COVID-19 foi pelo menos 11 vezes maior do que após a vacinação. Esses dados, gerados por pesquisadores que cruzaram os registros nacionais de vacinação, infecção e hospitalização da Inglaterra, demonstraram que — para a grande maioria da população — o risco cardíaco da COVID-19 não vacinada é substancialmente superior ao risco da vacina. A exceção identificada foi o subgrupo de homens com menos de 40 anos que receberam a segunda dose da vacina Moderna (mRNA-1273), nos quais o risco pós-vacinal superou o pós-infecção — um dado que motivou ajustes de calendário em alguns países.

 

5. Miocardite pós-vacinal: o que os dados reais mostram sobre incidência e prognóstico

A miocardite associada às vacinas de mRNA contra COVID-19 é real, documentada e merece discussão técnica honesta — sem minimização e sem exagero. O que a ciência mostra é que se trata de um evento raro, com um perfil de risco bem definido e, na grande maioria dos casos, com curso clínico benigno e autolimitado.

Segundo um documento de consenso clínico da Heart Failure Association da ESC e do Working Group on Myocardial and Pericardial Diseases (ESC, 2022), a miocardite pós-vacinal por mRNA ocorre predominantemente em homens jovens (tipicamente entre 16 e 29 anos), após a segunda dose de vacinas de mRNA — especialmente a mRNA-1273 (Moderna) em comparação à BNT162b2 (Pfizer). A incidência estimada situa-se entre 1 e 4 casos por 100.000 doses administradas — um evento raro em qualquer critério epidemiológico. A análise de dados de 151 milhões de doses administradas mundialmente confirmou uma taxa de notificação de 19,7 casos por 1.000.000 de doses, comparada a 2,76 casos por 1.000 infecções por COVID-19 — o que significa que a miocardite é proporcionalmente mais frequente após a infecção do que após a vacina.

Em relação ao prognóstico, o documento de consenso da ESC e a maioria dos estudos de seguimento indicam que 95% dos casos de miocardite pós-vacinal apresentam resolução rápida dos sintomas e normalização dos biomarcadores cardíacos e dos parâmetros eletrocardiográficos e ecocardiográficos dentro de dias a semanas. A evolução para insuficiência cardíaca ou morte é extremamente rara nesse contexto — em contraste com a miocardite pós-infecciosa pela COVID-19, que tem curso significativamente mais grave. Esses dados sustentam a posição das principais sociedades cardiológicas mundiais, incluindo a SBC e a AHA: os benefícios da vacinação superam amplamente os riscos na quase totalidade dos cenários clínicos. Contudo, a decisão individualizada — especialmente em subgrupos de maior risco — deve sempre ser tomada em conjunto com o cardiologista assistente, como o Prof. Dr. Estevão Figueiredo no Instituto Inject.

 

6. Quais vacinas são recomendadas para pacientes com doenças cardiovasculares

A definição de um calendário vacinal adequado para o paciente cardiopata é uma das atribuições do cardiologista que pratica prevenção cardiovascular de forma integral. As principais diretrizes internacionais e a SBC são convergentes nas seguintes recomendações:

Vacina da influenza (gripe): indicada anualmente para todos os pacientes com doença cardiovascular estabelecida, insuficiência cardíaca, hipertensão arterial com lesão de órgão-alvo e diabéticos com complicações cardiovasculares. A vacinação anual é necessária porque o vírus da influenza sofre mutações frequentes, e a formulação da vacina é atualizada a cada ano para cobrir as cepas circulantes. A Diretriz AHA/ACC para Doença Coronariana Crônica (2023) atribui Classe I, Nível de Evidência B a essa recomendação.

Vacina pneumocócica: indicada para todos os pacientes com doença cardiovascular, insuficiência cardíaca, diabetes mellitus e doença renal crônica. O esquema atual inclui uma dose da VPC13 seguida da VPPV23 após intervalo mínimo de 8 semanas, ou de acordo com orientação do serviço de saúde. Em pacientes idosos (≥ 65 anos), pode ser indicada a dose adicional da VPPV23.

Vacinas COVID-19: recomendadas para toda a população, com prioridade para cardiopatas segundo as orientações da SBC, AHA e ESC. O esquema de reforço deve seguir as atualizações do Ministério da Saúde e as recomendações vigentes, especialmente para imunossuprimidos e pacientes com doença cardiovascular grave.

Vacina herpes-zóster: evidências crescentes sugerem associação entre a infecção pelo vírus varicela-zóster e aumento do risco de eventos cardiovasculares nos meses subsequentes ao episódio agudo. A vacinação contra herpes-zóster é recomendada para adultos acima de 50 anos, incluindo cardiopatas, conforme posicionamentos recentes de sociedades cardiológicas. No Instituto Inject, o Dr. Estevão Figueiredo revisa o calendário vacinal de seus pacientes em cada consulta de prevenção cardiovascular, garantindo que essa dimensão muitas vezes negligenciada do cuidado cardíaco seja contemplada.

 

7. Por que a vacinação ainda é subutilizada na cardiologia e o que fazer a respeito

Apesar do robusto corpo de evidências e das recomendações formais das principais diretrizes internacionais, a cobertura vacinal entre cardiopatas permanece dramaticamente abaixo do ideal em todo o mundo. Uma revisão publicada em periódico especializado em prevenção cardiovascular apontou que menos de 25% dos pacientes com insuficiência cardíaca recebem a vacina da influenza recomendada — um dos índices mais baixos entre qualquer intervenção preventiva recomendada em cardiologia.

As razões para essa lacuna são múltiplas. Em primeiro lugar, há uma percepção — equivocada — de que vacinas são responsabilidade exclusiva do médico de família ou do pediatra, e não do cardiologista. Em segundo lugar, desinformação amplamente circulada nas redes sociais — especialmente após a pandemia de COVID-19 — gerou desconfiança sobre a segurança das vacinas em pacientes com doenças cardíacas. Em terceiro lugar, muitos pacientes simplesmente não são orientados pelo seu cardiologista sobre a importância dessa medida preventiva — o que transforma a vacinação em uma oportunidade perdida de proteção cardiovascular concreta.

Um artigo de revisão publicado no European Heart Journal (2024) enfatiza que a vacinação deve ser compreendida e praticada como uma estratégia de redução do risco cardiovascular residual, no mesmo patamar de relevância que o controle do colesterol, da pressão arterial e do tabagismo. A mensagem para o paciente é simples: vacinas não substituem medicamentos, mas os complementam — e essa combinação representa a prevenção cardiovascular mais completa e eficaz disponível atualmente. A recomendação do cardiologista é o fator mais determinante para que o paciente se vacine; por isso, o Dr. Estevão Figueiredo incorpora sistematicamente essa orientação às consultas do Instituto Inject.

 

8. Vacinação e prevenção cardiovascular no Instituto Inject

A prática da prevenção cardiovascular no Instituto Inject é construída sobre um princípio fundamental: toda intervenção com evidência científica sólida de redução de risco merece ser considerada, discutida e, quando indicada, incorporada ao plano de cuidado do paciente. As vacinas se enquadram perfeitamente nesse critério — e por isso fazem parte da avaliação clínica conduzida pelo Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo em suas consultas.

Na prática do Instituto Inject, a avaliação do status vacinal do paciente faz parte da anamnese cardiovascular completa. O Dr. Estevão verifica o calendário vacinal de cada paciente — especialmente de executivos, atletas masters e pacientes acima de 35 anos —, orienta sobre as vacinas indicadas de acordo com o perfil clínico individual, e esclarece dúvidas com base nas melhores evidências científicas disponíveis. Essa abordagem é especialmente relevante para pacientes com insuficiência cardíaca, doença arterial coronariana estabelecida, hipertensão com lesão de órgão-alvo, diabetes mellitus e aqueles submetidos a procedimentos de revascularização recente — populações nas quais a vacinação demonstrou os maiores benefícios nos estudos clínicos.

A integração da vacinação ao protocolo de prevenção cardiovascular do Instituto Inject reflete o compromisso do Dr. Estevão com uma medicina que vai além do tratamento da doença instalada: é uma medicina que antecipa, protege e cuida do paciente em sua totalidade. Como demonstrado pelo estudo IAMI no Circulation (2021), prevenir a infecção pela gripe em um paciente que acabou de ter um infarto pode salvar sua vida nos próximos 12 meses — e isso, por si só, justifica tratar as vacinas com a mesma seriedade com que se tratam os medicamentos e os exames cardiológicos de alta precisão.

 

FAQ — Perguntas Frequentes sobre Vacinas e Coração

1. A vacina da gripe pode causar infarto? Não. Nenhum estudo científico sério demonstrou que a vacina da gripe cause infarto. Pelo contrário: ensaios clínicos randomizados publicados em periódicos como Circulation (2021) demonstraram que a vacinação contra influenza reduz o risco de infarto, morte cardiovascular e morte por qualquer causa em pacientes com doença cardíaca. A associação temporal ocasional entre vacinação e evento cardiovascular é explicada pelo fato de que muitas pessoas se vacinam justamente porque já estão doentes ou em risco.

2. Cardiopata pode tomar todas as vacinas? Na grande maioria dos casos, sim. Pacientes com doenças cardiovasculares não apresentam contraindicações às vacinas rotineiramente recomendadas — como influenza, pneumocócica, COVID-19 e herpes-zóster. Em situações específicas — como uso de anticoagulantes (que pode exigir cuidado na via de administração) ou imunossupressão grave —, o cardiologista e o médico assistente devem ser consultados para orientação individualizada.

3. Vacina COVID-19 causa doenças no coração? A miocardite pós-vacinal é um evento raro (1 a 4 casos por 100.000 doses), predominante em homens jovens após a segunda dose de vacinas de mRNA. Na grande maioria dos casos, evolui de forma benigna e autolimitada. Estudos com quase 43 milhões de pessoas confirmaram que o risco de miocardite após a infecção pelo COVID-19 é pelo menos 11 vezes maior do que após a vacinação. O benefício da vacina supera amplamente esse risco raro na quase totalidade dos cenários clínicos.

4. Quais vacinas o cardiopata deve tomar? As principais vacinas recomendadas para cardiopatas pelas diretrizes SBC, AHA e ESC são: vacina da influenza (anualmente), vacina pneumocócica (esquema VPC13 + VPPV23), vacinas contra COVID-19 com esquema de reforço atualizado, e vacina contra herpes-zóster para maiores de 50 anos. O cardiologista é o profissional mais indicado para revisar e individualizar esse calendário vacinal.

5. A vacina da gripe precisa ser tomada todo ano? Sim. O vírus da influenza sofre mutações frequentes, e a composição da vacina é atualizada anualmente para cobrir as cepas mais prevalentes em cada temporada. Por isso, a proteção conferida pela vacina do ano anterior pode não ser suficiente para a próxima temporada. A vacinação anual é recomendada por todas as diretrizes cardiológicas internacionais para pacientes com doença cardiovascular estabelecida.

 

Conclusão

Chegamos ao fim de mais um conteúdo desenvolvido pelo Instituto Inject. Neste blog post abordamos: (1) por que infecções respiratórias são perigosas para o coração — a cascata inflamatória que desestabiliza placas ateroscleróticas e precipita infartos; (2) a vacina da gripe e sua proteção cardiovascular comprovada, incluindo os dados do estudo IAMI (Circulation, 2021) que demonstraram redução de 28% nos eventos cardiovasculares maiores e de 41% na mortalidade cardiovascular após infarto; (3) a vacina pneumocócica como proteção contra um dos principais gatilhos de descompensação cardíaca; (4) as vacinas COVID-19 e o coração — benefícios bem documentados, risco de miocardite em perspectiva correta e o que a ciência realmente diz; (5) a miocardite pós-vacinal — rara, predominante em homens jovens, curso benigno na maioria dos casos, e 11 vezes menos frequente do que a miocardite pós-infecção por COVID-19, conforme análise de 43 milhões de pessoas no Circulation da AHA (2022); (6) o calendário vacinal recomendado para cardiopatas pelas principais diretrizes internacionais; (7) por que a vacinação é subutilizada na cardiologia e como reverter esse quadro; e (8) como o Instituto Inject integra a orientação vacinal à sua estratégia de prevenção cardiovascular de alta precisão.

A mensagem central é definitiva e baseada em ciência: vacinas protegem o coração. Ignorá-las é abrir mão de uma das ferramentas preventivas mais eficazes, acessíveis e seguras da cardiologia moderna.

 

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Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo CRM SP 195033 | RQE 70601-70602/1 Cardiologia | PhD pela USP Instituto Inject — Marília, SP

 

Referências Bibliográficas

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Publicado em 01/05/2026