Introdução
Fadiga inexplicável, queda da libido, perda de massa muscular, dificuldade de concentração, depressão sem causa aparente — esses são sintomas que milhões de homens brasileiros atribuem ao "envelhecimento normal" ou ao "estresse", quando na verdade podem ter uma causa hormonal identificável e tratável: o hipogonadismo masculino, definido pela deficiência de testosterona. A Terapia de Reposição de Testosterona (TRT) é, quando corretamente indicada, uma das intervenções com maior impacto na qualidade de vida, composição corporal e saúde metabólica de homens com deficiência comprovada. E uma das perguntas mais frequentes dos pacientes — "TRT faz mal ao coração?" — foi respondida de forma definitiva em 2023 pelo maior ensaio clínico já realizado sobre o tema. No Instituto Inject, em Marília-SP, o Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo integra a avaliação hormonal à avaliação cardiovascular de precisão — porque tratar a testosterona com segurança exige olhar o organismo como um todo.
Veja a seguir os tópicos que serão abordados neste blog post: TRT — Terapia de Reposição de Testosterona: O Que É, Para Quem É Indicada e O Que a Ciência Diz em 2025
- O que é testosterona e qual o seu papel no organismo masculino
- O que é hipogonadismo masculino e quem está em risco
- Sintomas da deficiência de testosterona: quando suspeitar
- Como é feito o diagnóstico correto do hipogonadismo
- Para quem a TRT é indicada — e para quem não é
- Formas de administração da TRT: injeção, gel, implante e mais
- TRT e segurança cardiovascular: o que o estudo TRAVERSE e as diretrizes de 2025 dizem
- Como o Instituto Inject avalia e conduz o protocolo de TRT
Se você tem mais de 40 anos e sente que algo mudou — na disposição, no corpo, na mente — este artigo foi escrito para você. A TRT não é modismo: é medicina baseada em evidências, quando bem indicada. Leia até o final.
1. O Que É Testosterona e Qual o Seu Papel no Organismo Masculino
A testosterona é o principal hormônio sexual masculino — um esteroide androgênico produzido predominantemente pelos testículos, sob regulação do eixo hipotálamo-hipófise-gônadas. Embora seja conhecida popularmente como o "hormônio da virilidade", sua atuação vai muito além da esfera sexual: a testosterona é um hormônio sistêmico com receptores em praticamente todos os tecidos do organismo.
Seus efeitos fisiológicos incluem: manutenção da massa muscular e da força; preservação da densidade óssea; regulação do humor, cognição e energia; modulação do metabolismo de gorduras e da sensibilidade à insulina; estímulo à eritropoiese (produção de glóbulos vermelhos); e regulação da libido e da função erétil. Os níveis de testosterona total em homens adultos normais situam-se entre 300 e 1.000 ng/dL, com pico na segunda e terceira décadas de vida e declínio progressivo de aproximadamente 1 a 2% ao ano a partir dos 30–35 anos — fenômeno conhecido como andropausa ou, mais precisamente, hipogonadismo de início tardio.
Segundo o Posicionamento Conjunto SBEM/SBU/ABEMSS sobre Hipogonadismo Masculino (Hohl A et al. Int Braz J Urol. 2026;52(3):e20250610), o objetivo terapêutico da TRT é restaurar as concentrações de testosterona para a faixa médio-normal de aproximadamente 450 a 600 ng/dL — não suprafisiológica, não mínima, mas fisiologicamente adequada para a idade e o perfil do paciente.
2. O Que É Hipogonadismo Masculino e Quem Está em Risco
O hipogonadismo masculino é uma síndrome clínica definida pela combinação de sintomas de deficiência androgênica com níveis séricos inequivocamente baixos de testosterona, confirmados em pelo menos duas dosagens em condições adequadas (manhã, sem doença aguda intercorrente). Não se trata apenas de um número baixo no exame — é necessário que o quadro clínico seja compatível.
O hipogonadismo pode ser primário (falência testicular — causas: orquite, quimioterapia, criptorquidia, síndrome de Klinefelter) ou secundário (falência do eixo hipotálamo-hipofisário — causas: obesidade, diabetes, hiperprolactinemia, uso de opioides, estresse crônico). Existe ainda o hipogonadismo funcional, cada vez mais prevalente, associado à obesidade visceral, síndrome metabólica e estilo de vida sedentário — condição em que a testosterona está baixa por causas potencialmente reversíveis, sem doença estrutural da via reprodutiva.
Os grupos com maior prevalência de hipogonadismo incluem: homens acima de 45 anos com síndrome metabólica, diabetes tipo 2 ou obesidade; homens com histórico de uso prolongado de opioides ou corticosteroides; pacientes com insuficiência renal ou hepática crônica; e homens sob estresse crônico intenso — como executivos de alta performance, grupo central do público do Instituto Inject.
3. Sintomas da Deficiência de Testosterona: Quando Suspeitar
Os sintomas da deficiência de testosterona são frequentemente inespecíficos e facilmente atribuídos ao envelhecimento ou ao estresse. A Diretriz Clínica da Endocrine Society para Terapia de Testosterona em Homens com Hipogonadismo (Bhasin S et al. J Clin Endocrinol Metab. 2018;103(5):1715–1744 — diretriz ainda vigente e reforçada pelas evidências do TRAVERSE) organiza os sintomas em dois grupos:
Sintomas mais específicos de deficiência de testosterona:
- Redução significativa da libido
- Disfunção erétil (especialmente a erétil de causas orgânicas)
- Diminuição da frequência de ereções espontâneas
- Ginecomastia (crescimento de tecido mamário masculino)
- Redução do volume testicular
- Infertilidade por fator masculino
Sintomas menos específicos, mas clinicamente relevantes:
- Fadiga desproporcional ao nível de atividade
- Redução da massa muscular e aumento da gordura visceral
- Diminuição da força física
- Alterações de humor: irritabilidade, depressão, ansiedade
- Dificuldade de concentração e névoa mental (brain fog)
- Redução da densidade óssea (osteopenia/osteoporose)
- Anemia normocítica sem causa identificada
- Perda de pelos corporais e faciais
A presença de um ou mais desses sintomas, especialmente em homens acima de 40 anos com fatores de risco associados, deve motivar investigação hormonal estruturada — não automedicação, não suplementação indiscriminada, mas diagnóstico médico preciso.
4. Como É Feito o Diagnóstico Correto do Hipogonadismo
O diagnóstico do hipogonadismo exige rigor clínico e laboratorial. O Posicionamento SBEM/SBU/ABEMSS 2026 e a Endocrine Society estabelecem que o diagnóstico deve ser baseado em:
Dosagem de testosterona total sérica: coletada pela manhã (entre 7h e 10h), em jejum, em pelo menos duas ocasiões distintas — porque os níveis de testosterona variam ao longo do dia (pico matinal) e podem ser afetados por doenças agudas, privação de sono e álcool. O valor de corte para deficiência é geralmente < 300 ng/dL, embora a interpretação deva ser sempre clínico-laboratorial integrada.
Testosterona livre ou biodisponível: útil quando a testosterona total está na faixa limítrofe (300–400 ng/dL), pois a globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG) — elevada na obesidade e no envelhecimento — pode reduzir a fração biologicamente ativa mesmo com total aparentemente normal.
FSH e LH: para distinguir hipogonadismo primário (FSH/LH elevados) do secundário (FSH/LH baixos ou inapropriadamente normais) — distinção fundamental para a conduta terapêutica.
Prolactina: elevada no hipogonadismo secundário por adenoma hipofisário — causa reversível que exige ressonância magnética de hipófise.
PSA, hematócrito, perfil lipídico e glicemia: avaliação basal obrigatória antes do início da TRT, conforme o Posicionamento SBEM/SBU/ABEMSS 2026.
5. Para Quem a TRT É Indicada — e Para Quem Não É
O Posicionamento SBEM/SBU/ABEMSS 2026 é explícito: a TRT está indicada exclusivamente em homens com sintomas persistentes de deficiência androgênica e níveis séricos inequivocamente baixos de testosterona, após exclusão das contraindicações. Não está indicada para:
- Ganho de performance esportiva — uso sem diagnóstico é doping e causa supressão do eixo hormonal endógeno
- Terapia antienvelhecimento sem diagnóstico — a redução fisiológica da testosterona com a idade não é, por si só, indicação de reposição
- Homens que desejam preservar a fertilidade — a TRT suprime a espermatogênese; nesses casos, alternativas como citrato de clomifeno ou gonadotrofinas são preferíveis
Contraindicações absolutas à TRT:
- Câncer de próstata ativo ou suspeita não investigada
- Câncer de mama masculino
- Hematócrito basal acima de 50%
- Apneia do sono grave não tratada
- Insuficiência cardíaca descompensada grave
Contraindicações relativas (exigem avaliação individualizada):
- História de tromboembolismo venoso — a TRT pode aumentar o hematócrito e o risco trombótico
- Sintomas do trato urinário inferior graves por hiperplasia prostática benigna
6. Formas de Administração da TRT: Injeção, Gel, Implante e Mais
A TRT pode ser administrada por diferentes vias, cada uma com suas características farmacocinéticas, vantagens e limitações. A escolha deve ser individualizada, considerando preferência do paciente, perfil clínico, adesão e disponibilidade:
Injeções intramusculares ou subcutâneas:
- Cipionato (Deposteron®) ou algum Blend de testosterona (como a Durateston®): administrados a cada 1 a 2 semanas, com picos e vales de nível sérico que podem causar variações de humor e energia
- Undecanoato de testosterona (Nebido®): injeção de longa duração, a cada 10 a 14 semanas, com níveis mais estáveis — opção preferida para muitos pacientes pelo menor número de aplicações
Géis transdérmicos: aplicação diária nos ombros, braços ou abdome. Proporcionam níveis mais estáveis, mas requerem cuidado com contato skin-to-skin com parceiras e crianças.
Adesivos transdérmicos: similar ao gel em termos de estabilidade, com menor conveniência prática.
Implantes subcutâneos (pellets): liberação contínua por 3 a 6 meses; requerem procedimento ambulatorial para inserção e remoção.
Testosterona oral (undecanoato oral): opção disponível no Brasil, com absorção linfática que minimiza o metabolismo hepático de primeira passagem.
A escolha da formulação no Instituto Inject é sempre baseada no perfil individual do paciente — nível de testosterona, hematócrito basal, preferências, estilo de vida e objetivos terapêuticos —, com monitoramento rigoroso dos parâmetros clínicos e laboratoriais.
7. TRT e Segurança Cardiovascular: O Que o Estudo TRAVERSE e as Diretrizes de 2025 Dizem
Durante anos, uma nuvem de incerteza pairou sobre a TRT: ela seria segura para o coração? Dois estudos observacionais publicados em 2013–2014 sugeriram aumento do risco cardiovascular com a testosterona, gerando alarme e levando a FDA a exigir, em 2015, um grande ensaio clínico controlado sobre o tema. Esse ensaio foi o TRAVERSE Trial.
O estudo TRAVERSE (Testosterone Replacement therapy Assessment of long-term Vascular Events and efficacy ResponSE) avaliou 5.246 homens entre 45 e 80 anos, com hipogonadismo documentado (testosterona < 300 ng/dL) e doença cardiovascular preexistente ou alto risco cardiovascular, randomizados para testosterona undecanoato tópico ou placebo por até 33 meses. Os resultados, publicados no New England Journal of Medicine em junho de 2023 (Lincoff AM, Bhasin S et al. N Engl J Med. 2023;389:107–117), demonstraram:
A TRT não aumentou o risco de eventos cardiovasculares maiores (MACE) — morte cardiovascular, infarto não fatal e AVC não fatal — em comparação ao placebo. O resultado foi de não inferioridade, encerrando a principal controvérsia sobre segurança cardíaca da testosterona.
No entanto, o TRAVERSE identificou achados que merecem atenção:
- Maior incidência de fibrilação atrial não fatal no grupo testosterona
- Maior incidência de tromboembolismo pulmonar
- Maior incidência de lesão renal aguda
- Maior incidência de arritmias cardíacas não fatais exigindo intervenção
O Painel Europeu de Pesquisa em Testosterona (Zitzmann M et al. Andrology. 2026;14:294–302) e a Androgen Society (publicação em Mayo Clinic Proceedings, 2024) concluem que a TRT, quando prescrita a pacientes corretamente selecionados e monitorados, é segura do ponto de vista cardiovascular — com o hematócrito elevado identificado como o principal mediador de risco trombótico, exigindo monitoramento rigoroso.
O Posicionamento SBEM/SBU/ABEMSS 2026 recomenda: hematócrito acima de 54% exige suspensão temporária ou ajuste de dose; pacientes com história de tromboembolismo prévio devem ser tratados com cautela redobrada.
8. Como o Instituto Inject Avalia e Conduz o Protocolo de TRT
No Instituto Inject, a TRT não começa com uma receita — começa com uma avaliação. O Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo, especialista em Cardiologia e Metabolismo, conduz um protocolo estruturado que integra a avaliação hormonal à avaliação cardiovascular completa:
Avaliação inicial:
- Anamnese detalhada com aplicação de questionários validados de sintomas (AMS — Aging Male Symptoms Scale)
- Dosagem de testosterona total (duas amostras matinais), testosterona livre, SHBG, FSH, LH, prolactina, PSA, hematócrito, perfil lipídico e glicemia
- ECG e Ecocardiograma — para avaliação cardiovascular basal obrigatória antes do início da TRT
- Avaliação de apneia do sono quando clinicamente indicada (MAPA noturna ou polissonografia)
Durante o tratamento:
- Reavaliação clínica e laboratorial aos 3, 6 e 12 meses após o início
- Monitoramento de testosterona sérica, hematócrito, PSA e perfil metabólico a cada 6 a 12 meses
- Ajuste de dose ou formulação conforme resposta clínica e tolerabilidade
Metas terapêuticas:
- Testosterona total entre 450 e 600 ng/dL (faixa médio-normal)
- Hematócrito abaixo de 54%
- PSA estável sem elevação significativa
- Melhora documentada dos sintomas que motivaram o tratamento
Essa abordagem integrada é o que diferencia a TRT bem feita do uso indiscriminado — e é o padrão que o Instituto Inject oferece a cada paciente.
Perguntas Frequentes sobre TRT
TRT engorda ou emagrece? A TRT, quando corretamente indicada em homens com hipogonadismo, tende a favorecer a perda de gordura visceral e o aumento da massa muscular — melhora a composição corporal de forma geral. No entanto, não é um tratamento para emagrecimento isolado: o controle alimentar e a atividade física continuam sendo essenciais.
TRT causa câncer de próstata? Estudos a curto e médio prazo, incluindo o TRAVERSE, não demonstraram aumento do risco de câncer de próstata com a TRT em homens sem histórico da doença. No entanto, a TRT é contraindicada em homens com câncer de próstata ativo. O monitoramento do PSA é obrigatório durante o tratamento.
Posso fazer TRT se quero ter filhos? Não com testosterona exógena. A TRT suprime a produção endógena de testosterona e a espermatogênese, reduzindo ou zerando a contagem de espermatozoides. Para homens que desejam preservar a fertilidade, existem alternativas como citrato de clomifeno e gonadotrofinas, que estimulam a produção endógena sem suprimir o eixo.
TRT é para sempre? Em homens com hipogonadismo primário ou de início tardio estabelecido, a TRT geralmente é de longa duração — pois a causa da deficiência não se resolve espontaneamente. A decisão de manter, ajustar ou suspender o tratamento é sempre médica, baseada em reavaliação periódica dos sintomas e dos exames laboratoriais.
Qual é a diferença entre TRT e uso de anabolizantes? A TRT usa doses fisiológicas de testosterona para restaurar os níveis normais do hormônio em homens com deficiência documentada. Os anabolizantes são usados em doses suprafisiológicas — muitas vezes 10 a 20 vezes acima do normal — sem indicação clínica, com objetivo de ganho de performance, e estão associados a riscos cardiovasculares, hepáticos e endócrinos graves.
Conclusão
Chegamos ao fim de mais um conteúdo desenvolvido pelo Instituto Inject. Neste blog post abordamos: o papel fisiológico da testosterona no organismo masculino; o conceito de hipogonadismo e os grupos de maior risco; os sintomas específicos e inespecíficos da deficiência de testosterona; o protocolo correto de diagnóstico, com dosagens matinais e avaliação do eixo hormonal completo; as indicações precisas da TRT e suas contraindicações; as diferentes formulações disponíveis e suas características; os resultados do estudo TRAVERSE e o atual consenso das diretrizes internacionais sobre a segurança cardiovascular da TRT; e o protocolo completo do Instituto Inject para avaliação e condução da terapia de reposição de testosterona com segurança.
A TRT transforma vidas — quando bem indicada, bem monitorada e conduzida por um especialista que entende tanto de hormônios quanto de coração.
Você tem sintomas de deficiência de testosterona?
Agende agora sua avaliação hormonal e cardiovascular no Instituto Inject e descubra se a TRT é indicada para você — com o diagnóstico preciso e a segurança que apenas um cardiologista PhD pela USP pode oferecer.
Instituto Inject — Marília, SP
WhatsApp para agendamento: (14) 99884-1112
Cuide da sua saúde com a precisão que você merece.
Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo CRM SP 195033 | RQE 70601-70602/1 Cardiologia | PhD pela USP Instituto Inject — Marília, SP
Referências Bibliográficas
- Hohl A, Lopes L, Ronsoni MF, et al. Care of Patients with Male Hypogonadism: A Joint Position Statement from SBEM, SBU and ABEMSS. Int Braz J Urol. 2026;52(3):e20250610.
- Lincoff AM, Bhasin S, Flevaris P, et al. Cardiovascular Safety of Testosterone-Replacement Therapy. N Engl J Med. 2023;389(2):107–117.
- Bhasin S, Brito JP, Cunningham GR, et al. Testosterone Therapy in Men with Hypogonadism: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2018;103(5):1715–1744.
- Zitzmann M, et al. Cardiovascular safety of testosterone therapy — Insights from the TRAVERSE trial and beyond. Andrology. 2026;14:294–302.
- Androgen Society. Position Paper on Cardiovascular Risk With Testosterone Therapy. Mayo Clin Proc. 2024.