Introdução
Fogachos, suores noturnos, insônia, alterações de humor, ressecamento vaginal, perda de memória, ganho de peso e queda da libido — os sintomas do climatério e da menopausa afetam a qualidade de vida de milhões de mulheres brasileiras por anos a fio. Durante décadas, a Terapia de Reposição Hormonal (TRH) — tecnicamente chamada de Terapia Hormonal da Menopausa (THM) — foi considerada a solução mais eficaz para esses sintomas. Em 2002, um único estudo americano (o WHI) gerou um alarme que reduziu drasticamente sua prescrição. Hoje, mais de 20 anos depois, a ciência revisou, aprofundou e contextualizou aqueles resultados — e a conclusão é clara: para a mulher certa, no momento certo, a TRH é segura, eficaz e pode proteger o coração. A Diretriz Brasileira sobre Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa 2024, publicada nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, traz o mais atualizado consenso nacional sobre o tema. No Instituto Inject, em Marília-SP, o Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo integra a avaliação hormonal feminina à avaliação cardiovascular de precisão — porque cuidar da mulher na menopausa exige olhar além dos hormônios.
Veja a seguir os tópicos que serão abordados neste blog post: TRH — Terapia Hormonal na Menopausa: O Que É, Para Quem É Indicada e O Que a Ciência Diz em 2024
- O que acontece com o coração e os hormônios na menopausa
- O estudo WHI de 2002: o que ele disse e o que foi mal interpretado
- A "janela de oportunidade": o conceito que mudou tudo
- Benefícios da TRH: sintomas vasomotores, ossos, humor e coração
- Riscos da TRH: câncer de mama, trombose e AVC — o que os números realmente dizem
- Formas de TRH: estrogênio, progesterona, via oral e transdérmica
- Para quem a TRH é indicada — e para quem não é
- Como o Instituto Inject avalia e conduz a TRH com segurança cardiovascular
Se você está na menopausa ou no climatério e tem dúvidas sobre a terapia hormonal — se é segura, se faz bem ao coração, se aumenta o risco de câncer — este artigo foi escrito para você. Leia até o final e entenda o que a ciência mais recente realmente diz.
1. O Que Acontece com o Coração e os Hormônios na Menopausa
A menopausa marca o fim da função ovariana e a cessação da produção de estrogênio e progesterona — hormônios que exercem efeitos protetores sobre o sistema cardiovascular ao longo de toda a vida reprodutiva feminina. O estrogênio, em particular, atua como um poderoso modulador da saúde vascular: promove vasodilatação, reduz a inflamação endotelial, melhora o perfil lipídico (eleva o HDL, reduz o LDL), diminui a resistência à insulina e inibe a agregação plaquetária.
Com a queda abrupta do estrogênio na menopausa, esse escudo protetor cardiovascular desaparece — e as mulheres passam a apresentar risco cardiovascular progressivamente mais elevado, equiparando-se ao dos homens da mesma faixa etária em poucos anos. Segundo a Diretriz Brasileira sobre Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa 2024 (Oliveira GMM et al. Arq Bras Cardiol. 2024;121(7):e20240478), as mulheres podem sofrer com sintomas da menopausa durante pelo menos um terço de suas vidas — e nesse período apresentam maior risco e morbimortalidade cardiovascular.
As consequências da hipoestrogenemia incluem: piora do perfil lipídico, aumento da resistência à insulina, redistribuição da gordura corporal para o compartimento visceral, elevação da pressão arterial, disfunção endotelial e aceleração da aterosclerose. É nesse contexto que a TRH surge como intervenção terapêutica — não apenas para aliviar os sintomas vasomotores, mas como potencial estratégia de proteção cardiovascular quando iniciada no momento adequado.
2. O Estudo WHI de 2002: O Que Ele Disse e O Que Foi Mal Interpretado
Em 2002, a publicação dos resultados do Women's Health Initiative (WHI) causou um dos maiores terremotos da medicina feminina do século XX. O estudo reportou aumento do risco de doença coronariana, AVC, tromboembolismo venoso e câncer de mama em mulheres usando TRH combinada (estrogênio conjugado + acetato de medroxiprogesterona). Em poucos meses, as prescrições de TRH desabaram em todo o mundo.
O que a maioria não soube na época: as mulheres do WHI tinham, em média, 63 anos de idade — mais de 10 anos após a menopausa — e muitas já tinham doença cardiovascular estabelecida. Iniciar TRH em mulheres com aterosclerose avançada não apenas não protege, como pode desestabilizar placas existentes. Além disso, o estudo usou apenas uma formulação específica (oral, sintética) — não representativa de todas as formas de TRH disponíveis.
A releitura dos dados do WHI ao longo das décadas seguintes, com análises por subgrupos etários, demonstrou algo radicalmente diferente: em mulheres com menos de 60 anos ou dentro dos primeiros 10 anos após a menopausa, a TRH reduzia a mortalidade por todas as causas e os eventos cardiovasculares. O WHI não estava errado — estava sendo aplicado à população errada.
3. A "Janela de Oportunidade": O Conceito que Mudou Tudo
O conceito mais importante da medicina contemporânea da menopausa é a "janela de oportunidade" — ou "timing hypothesis". Ele estabelece que os efeitos da TRH sobre a saúde cardiovascular dependem criticamente de quando ela é iniciada em relação ao início da menopausa.
A Diretriz Brasileira de Saúde Cardiovascular no Climatério e Menopausa 2024 e o Posicionamento da The Menopause Society (NAMS) 2022 convergem nessa conclusão:
Efeitos benéficos sobre desfechos cardiovasculares e mortalidade por todas as causas foram observados quando a TRH foi iniciada antes dos 60 anos de idade ou nos primeiros 10 anos após a menopausa — período em que os vasos sanguíneos ainda respondem positivamente ao estrogênio e a aterosclerose ainda não está avançada.
Efeitos neutros ou potencialmente prejudiciais foram observados quando a TRH foi iniciada após os 60 anos ou mais de 10 anos após a menopausa — período em que a aterosclerose coronariana já está mais estabelecida e a estabilização de placas pode ser comprometida pelo estrogênio.
Essa janela temporal explica por que os resultados do WHI — conduzido em mulheres mais velhas, fora da janela — foram negativos, enquanto estudos em mulheres mais jovens ou recentemente menopausadas mostraram proteção cardiovascular. O Posicionamento NAMS 2022 é explícito: "para mulheres saudáveis e sintomáticas com menos de 60 anos ou dentro de 10 anos da menopausa, os benefícios da TRH superam os riscos."
4. Benefícios da TRH: Sintomas Vasomotores, Ossos, Humor e Coração
A TRH, quando corretamente indicada e iniciada dentro da janela de oportunidade, oferece um espectro amplo de benefícios documentados:
Sintomas vasomotores: fogachos e suores noturnos são tratados com eficácia superior a qualquer outra intervenção disponível. O Posicionamento NAMS 2022 classifica a TRH como o tratamento mais eficaz para sintomas vasomotores moderados a graves — efeito que melhora significativamente o sono, o humor e a qualidade de vida.
Síndrome geniturinária da menopausa: ressecamento vaginal, dispareunia, urgência urinária e infecções urinárias de repetição respondem bem à TRH — especialmente ao estrogênio vaginal de baixa dose, indicado mesmo em mulheres com contraindicações ao uso sistêmico.
Saúde óssea: a TRH previne a perda óssea pós-menopausa e reduz o risco de fraturas osteoporóticas — um dos desfechos com maior nível de evidência, reconhecido pela Diretriz Brasileira 2024 e pelo NAMS 2022.
Humor e cognição: a TRH melhora o humor, reduz a irritabilidade e a depressão associadas ao climatério, e pode ter efeito protetor sobre a cognição quando iniciada precocemente — área de pesquisa ativa com evidências crescentes.
Proteção cardiovascular na janela de oportunidade: quando iniciada antes dos 60 anos ou dentro dos primeiros 10 anos após a menopausa, a TRH demonstrou redução da mortalidade por todas as causas, melhora do perfil lipídico, redução da resistência à insulina e menor incidência de diabetes — conforme documentado na Diretriz Brasileira 2024 e no NAMS 2022.
5. Riscos da TRH: Câncer de Mama, Trombose e AVC — O Que os Números Realmente Dizem
Os riscos da TRH existem — mas precisam ser contextualizados com dados absolutos, não apenas relativos, para uma tomada de decisão informada:
Câncer de mama: o Posicionamento NAMS 2022 estabelece que o risco de câncer de mama relacionado à TRH combinada (estrogênio + progestagênio) é raro — menos de um caso adicional por 1.000 mulheres por ano de uso. Com estrogênio isolado (em mulheres sem útero), o risco pode até ser reduzido. O tipo de progestagênio importa: a progesterona natural micronizada parece ter perfil de risco mamário mais favorável do que o acetato de medroxiprogesterona sintético usado no WHI.
Tromboembolismo venoso (TEV): a TRH oral aumenta o risco de TEV. No entanto, a via transdérmica (gel, adesivo) praticamente não aumenta esse risco — pois o estrogênio transdérmico não passa pelo metabolismo hepático de primeira passagem, evitando os efeitos pró-coagulantes da via oral. A Diretriz Brasileira 2024 recomenda a via transdérmica como preferencial em mulheres com fatores de risco para TEV.
AVC: o risco de AVC com TRH oral é modestamente aumentado — mas novamente, a via transdérmica apresenta perfil de risco neutro ou favorável, especialmente em doses baixas.
A mensagem central: o risco da TRH não é fixo — ele depende da formulação, da via de administração, da dose, da duração e do perfil individual da paciente. Uma TRH bem prescrita, iniciada na janela de oportunidade e com preferência pela via transdérmica e progesterona natural, tem perfil de segurança amplamente favorável para a maioria das mulheres sintomáticas abaixo dos 60 anos.
6. Formas de TRH: Estrogênio, Progesterona, Via Oral e Transdérmica
A TRH moderna não é uma opção única — é um cardápio de formulações que permite individualização precisa:
Estrogênios disponíveis:
- Estradiol transdérmico (gel ou adesivo): via preferencial pela Diretriz Brasileira 2024, com menor risco de TEV e perfil lipídico favorável
- Estradiol oral: opção válida em mulheres sem fatores de risco para TEV
- Estrogênio conjugado equino (oral): formulação usada no WHI — menos utilizada atualmente
- Estrogênio vaginal de baixa dose: para síndrome geniturinária isolada, sem risco sistêmico significativo
Progestagênios (obrigatórios em mulheres com útero, para proteção endometrial):
- Progesterona natural micronizada: perfil de segurança mamária e cardiovascular mais favorável — opção preferida pelas diretrizes atuais
- Didrogesterona: progestagênio sintético com perfil similar à progesterona natural
- Acetato de medroxiprogesterona (MPA): progestagênio sintético associado a maior risco mamário — menos indicado atualmente
Alternativas não convencionais:
- Tibolona: esteroide sintético com ação estrogênica, progestagênica e androgênica — opção para mulheres sem útero
- CEE + bazedoxifeno (TSEC): combinação que dispensa o progestagênio — aprovada para mulheres com útero
7. Para Quem a TRH É Indicada — e Para Quem Não É
Com base na Diretriz Brasileira de Saúde Cardiovascular no Climatério e Menopausa 2024 e no Posicionamento NAMS 2022:
TRH está indicada para:
- Mulheres com sintomas vasomotores moderados a graves (fogachos, suores noturnos) que impactam a qualidade de vida
- Mulheres com síndrome geniturinária da menopausa refratária a medidas não hormonais
- Mulheres com risco elevado de osteoporose e fraturas
- Mulheres com insuficiência ovariana prematura (menopausa antes dos 40 anos) — com uso recomendado até pelo menos a idade média da menopausa natural
Contraindicações absolutas à TRH sistêmica:
- Câncer de mama ativo ou história recente
- Câncer endometrial em estágio avançado
- Doença tromboembólica venosa ativa ou recente
- Doença cardiovascular estabelecida (infarto, AVC recente) — TRH não deve ser iniciada para proteção cardiovascular
- Sangramento vaginal inexplicado
- Doença hepática grave ativa
Pontos de atenção:
- A Diretriz Brasileira 2024 é clara: a TRH não está indicada para prevenção primária de doenças cardiovasculares em mulheres assintomáticas
- A decisão de iniciar, manter ou suspender a TRH é sempre individualizada, com reavaliação periódica do balanço risco-benefício de cada paciente
8. Como o Instituto Inject Avalia e Conduz a TRH com Segurança Cardiovascular
No Instituto Inject, a avaliação da mulher no climatério e na menopausa integra dois olhares que raramente se encontram num mesmo consultório: o endocrinológico-hormonal e o cardiovascular. O Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo conduz um protocolo estruturado que inclui:
Avaliação clínica e hormonal:
- Anamnese detalhada de sintomas, histórico familiar de câncer de mama, trombose e doença cardiovascular
- Dosagem de estradiol, FSH, perfil tireoidiano e glicemia
- Avaliação do tempo desde a menopausa — determinação da janela de oportunidade
Avaliação cardiovascular obrigatória prévia:
- ECG em repouso — rastreio de arritmias e alterações isquêmicas
- Ecocardiograma — avaliação estrutural e funcional do coração
- MAPA — avaliação da pressão arterial ao longo de 24 horas
- Perfil lipídico completo e PCR ultrassensível
Escolha individualizada da formulação:
- Preferência por estradiol transdérmico e progesterona natural micronizada
- Avaliação do risco de TEV antes da decisão pela via oral
- Dose mínima eficaz para controle dos sintomas
Monitoramento durante o tratamento:
- Reavaliação clínica e laboratorial a cada 6 a 12 meses
- Mamografia e densitometria óssea conforme rastreio ginecológico
- Ajuste de formulação ou dose conforme resposta e tolerabilidade
Essa abordagem integrada é o diferencial do Instituto Inject — porque a TRH bem feita não é apenas hormônio: é cardiologia, é endocrinologia, é medicina preventiva de precisão.
Perguntas Frequentes sobre TRH na Menopausa
A TRH causa câncer de mama? O risco é real, mas raro — menos de um caso adicional por 1.000 mulheres por ano de uso com a combinação estrogênio + progestagênio sintético, conforme o Posicionamento NAMS 2022. Com estrogênio isolado (mulheres sem útero) ou com progesterona natural, o risco é menor ou neutro. O contexto importa: para mulheres sintomáticas abaixo dos 60 anos, os benefícios geralmente superam esse risco raro.
TRH engorda? Não há evidências de que a TRH cause ganho de peso. Na menopausa, a redistribuição de gordura para o abdome ocorre pela falta de estrogênio — e a TRH pode, na verdade, moderar esse processo ao reduzir a gordura visceral e melhorar a composição corporal.
Por quanto tempo posso usar a TRH? A duração é individualizada. O Posicionamento NAMS 2022 afirma que a TRH não precisa ser descontinuada rotineiramente aos 60 ou 65 anos se a mulher ainda tem sintomas e se beneficia do tratamento — desde que reavaliada periodicamente. Mulheres com insuficiência ovariana prematura devem usar TRH pelo menos até a idade média da menopausa natural.
Posso fazer TRH se tenho histórico de trombose? Depende. A TRH oral aumenta o risco de TEV, mas a via transdérmica apresenta risco significativamente menor ou neutro. Mulheres com histórico de trombose devem ser avaliadas individualmente — em alguns casos, a via transdérmica pode ser usada com segurança após avaliação hematológica e cardiológica.
TRH protege o coração? Quando iniciada antes dos 60 anos ou dentro dos 10 primeiros anos após a menopausa, a TRH demonstrou redução da mortalidade por todas as causas e efeitos favoráveis no perfil cardiovascular — conforme a Diretriz Brasileira 2024. Porém, não é indicada especificamente como terapia cardioprotetora, e seu início tardio não traz esse benefício.
Conclusão
Chegamos ao fim de mais um conteúdo desenvolvido pelo Instituto Inject. Neste blog post abordamos: o impacto da menopausa sobre o sistema cardiovascular e a perda do efeito protetor do estrogênio; a história do estudo WHI de 2002 e sua interpretação equivocada que gerou décadas de receio desnecessário; o conceito fundamental da janela de oportunidade — a base científica que reabilita a TRH para mulheres abaixo dos 60 anos; os benefícios documentados da TRH em sintomas vasomotores, ossos, humor e proteção cardiovascular precoce; os riscos reais — e raros — de câncer de mama, trombose e AVC, contextualizados com números absolutos; as formulações disponíveis com destaque para a via transdérmica e a progesterona natural; as indicações precisas e contraindicações da TRH segundo as diretrizes mais recentes; e o protocolo integrado do Instituto Inject para avaliação hormonal e cardiovascular da mulher no climatério.
A TRH não é para todas as mulheres — mas para a mulher certa, no momento certo, ela pode transformar a qualidade de vida e proteger o coração.
Você está no climatério ou na menopausa e tem sintomas que impactam sua qualidade de vida?
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Instituto Inject — Marília, SP
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Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo CRM SP 195033 | RQE 70601-70602/1 Cardiologista | PhD pela USP Instituto Inject — Marília, SP
Referências Bibliográficas
- Oliveira GMM, Almeida MCC, Arcelus CMA, et al. Brazilian Guideline on Menopausal Cardiovascular Health — 2024. Arq Bras Cardiol. 2024;121(7):e20240478.
- The North American Menopause Society Advisory Panel. The 2022 Hormone Therapy Position Statement of The North American Menopause Society. Menopause. 2022;29(7):767–794.
- Writing Group for the Women's Health Initiative Investigators. Risks and Benefits of Estrogen Plus Progestin in Healthy Postmenopausal Women. JAMA. 2002;288(3):321–333.
- Manson JE, Chlebowski RT, Stefanick ML, et al. Menopausal Hormone Therapy and Health Outcomes During the Intervention and Extended Poststopping Phases of the Women's Health Initiative Randomized Trials. JAMA. 2013;310(13):1353–1368.