Introdução
Em 2021, mais de 176 mil mulheres morreram por doença cardiovascular no Brasil — uma mortalidade proporcional superior à dos homens. Ainda assim, a saúde cardiovascular feminina permanece sub-reconhecida, subdiagnosticada e subtratada. A saúde cardiovascular da mulher é moldada por uma biologia única — hormônios, gestação, menopausa — e por vulnerabilidades reprodutivas e metabólicas que nenhuma calculadora de risco convencional captura integralmente. O Posicionamento sobre a Saúde Cardiometabólica ao Longo do Ciclo de Vida da Mulher, publicado em 2025 pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) em conjunto com FEBRASGO e SBEM, reafirma que os escores tradicionais de risco cardiovascular subestimam eventos como infarto, AVC e insuficiência cardíaca nas mulheres. No Instituto Inject, em Marília-SP, o Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo avalia cada paciente com o rigor que essa singularidade exige — porque cuidar do coração da mulher requer um olhar diferente.
Índice
Veja a seguir os tópicos que serão abordados neste blog post: Saúde Cardiovascular da Mulher: o que toda mulher precisa saber sobre o coração ao longo de toda a vida
- Por que a saúde cardiovascular feminina é diferente: biologia, hormônios e lacunas no cuidado
- Infarto na mulher: sintomas atípicos que atrasam o diagnóstico e pioram o prognóstico
- Gestação como janela de saúde cardiovascular: pré-eclâmpsia e diabetes gestacional como marcadores de risco futuro
- MINOCA e SCAD: as formas de infarto que afetam predominantemente mulheres jovens
- Menopausa e aceleração do risco cardiovascular: o que muda após o fim do ciclo hormonal
- Síndrome dos ovários policísticos, saúde mental e outros fatores de risco exclusivamente femininos
- Como estratificar corretamente o risco cardiovascular da mulher segundo as diretrizes mais recentes
- Check-up cardiovascular feminino de precisão: o que avaliar e quando começar
Se você é mulher e ainda não pensou seriamente no seu coração — porque sempre achou que isso era um problema masculino —, este artigo vai mudar essa percepção. A saúde cardiovascular da mulher tem particularidades que a ciência levou décadas para reconhecer. Agora que reconhece, é hora de agir.
1. Por que a saúde cardiovascular feminina é diferente: biologia, hormônios e lacunas no cuidado
A doença cardiovascular é a principal causa de morte entre mulheres no Brasil e no mundo, superando todos os cânceres ginecológicos combinados. Ainda assim, persistem disparidades profundas no reconhecimento, no diagnóstico e no tratamento da doença cardíaca feminina — disparidades que custam vidas de forma evitável.
O Posicionamento sobre a Saúde Cardiometabólica ao Longo do Ciclo de Vida da Mulher, publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia em setembro de 2025 pelo Departamento de Cardiologia da Mulher da SBC (DCM/SBC), FEBRASGO e SBEM, é o documento científico mais abrangente já produzido no Brasil sobre o tema. O documento define que a saúde cardiometabólica é caracterizada por um estado ideal de pressão arterial, lipídios e glicose séricos, associado a baixa adiposidade e baixo risco cardiovascular — e documenta que mulheres apresentam particularidades: hormônios sexuais e mecanismos moleculares específicos influenciam o metabolismo e o risco, e os escores tradicionais subestimam eventos como infarto, AVC e insuficiência cardíaca nas mulheres.
A revisão publicada no Missouri Medicine em 2024 por Mahowald e colaboradores — Sex Disparities in Cardiovascular Disease — confirma que a doença cardiovascular permanece subdiagnosticada, subtratada e com desfechos piores nas mulheres em comparação aos homens. Mulheres são menos propensas a receber imagem diagnóstica, intervenção coronária percutânea e terapia com estatinas, mesmo quando apresentam indicadores clínicos comparáveis. A Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa (2024), elaborada pela SBC, FEBRASGO, SOBRAC e SIAC, aponta que cerca de 70% dos médicos recém-formados não têm conhecimento sobre conceitos específicos de doença cardiovascular nas mulheres — e apenas 42% dos cardiologistas estão preparados para estimar corretamente o risco cardiovascular feminino.
2. Infarto na mulher: sintomas atípicos que atrasam o diagnóstico e pioram o prognóstico
Um dos problemas mais graves da saúde cardiovascular da mulher é o reconhecimento tardio do infarto — tanto pela própria paciente quanto pelos profissionais de saúde. Enquanto nos homens a dor torácica intensa, opressiva e irradiada para o braço esquerdo é o sintoma paradigmático, nas mulheres o infarto frequentemente se apresenta de forma atípica, dificultando o diagnóstico e atrasando o tratamento.
A revisão Gender Disparities in Ischemic Heart Disease Management, publicada na Cureus em agosto de 2025, documenta que mulheres frequentemente apresentam sintomas atípicos de infarto — incluindo fadiga extrema, náuseas, vômitos, dispneia, tontura e desconforto nas costas, mandíbula, pescoço ou ombros —, que podem ser confundidos com ansiedade, problemas gástricos ou cansaço. Essa variedade na apresentação leva ao atraso na busca por socorro, compromete o tempo crítico de intervenção e resulta em pior prognóstico.
Um estudo recente da PUCPR revelou que mulheres entre 45 e 55 anos têm risco significativamente maior de mortalidade após um infarto em comparação com homens da mesma faixa etária. A idade média das mulheres no momento do infarto agudo do miocárdio foi aproximadamente cinco anos superior à dos homens — 60,3 anos versus 65,1 anos —, e elas chegam ao evento com mais comorbidades acumuladas. As pesquisadoras identificam um "paradoxo de gênero": mulheres de meia-idade apresentam menos fatores de risco convencionais, mas desfechos significativamente piores — o que evidencia que os modelos de risco masculinos não capturam adequadamente a vulnerabilidade cardiovascular feminina nessa fase da vida.
3. Gestação como janela de saúde cardiovascular: pré-eclâmpsia e diabetes gestacional como marcadores de risco futuro
A gravidez é muito mais do que um evento reprodutivo — é, do ponto de vista cardiometabólico, um teste de estresse fisiológico que revela vulnerabilidades vasculares e metabólicas que permanecerão relevantes por décadas. Complicações obstétricas, quando presentes, funcionam como marcadores poderosos de risco cardiovascular futuro.
O Posicionamento SBC/FEBRASGO/SBEM de 2025 é explícito: as complicações obstétricas — especialmente pré-eclâmpsia e eclâmpsia — ativam a inflamação e aceleram a aterosclerose coronariana, promovendo rigidez vascular, disfunção endotelial e isquemia microvascular. Esses eventos são reconhecidos como marcadores de risco cardiovascular futuro. Mulheres com histórico de diabetes gestacional têm maior probabilidade de evoluir para diabetes tipo 2, enquanto a retenção de peso no pós-parto contribui para resistência insulínica, dislipidemia e síndrome metabólica.
A revisão publicada na Acta Physiologica em setembro de 2025, por Barrell e Sferruzzi-Perri da Universidade de Cambridge, documenta que mulheres com histórico de pré-eclâmpsia apresentam risco três a quatro vezes maior de doença cardiovascular ao longo da vida, enquanto aquelas com diabetes gestacional enfrentam até dez vezes maior risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2. O estudo publicado no BMJ, acompanhando mais de dois milhões de mulheres suecas por mais de quatro décadas, confirmou que o diabetes gestacional e a pré-eclâmpsia aumentaram o risco de doença isquêmica do coração em 54% e 30%, respectivamente.
A conclusão clínica é direta: mulheres com qualquer complicação obstétrica — pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, parto prematuro, recém-nascido com baixo peso — devem ser consideradas em seguimento cardiovascular ativo após o parto, independentemente da ausência de fatores de risco tradicionais. Esse rastreamento representa uma das maiores oportunidades de prevenção cardiovascular primária especificamente feminina.
4. MINOCA e SCAD: as formas de infarto que afetam predominantemente mulheres jovens
Existem formas de infarto do miocárdio que afetam predominantemente mulheres jovens, sem os fatores de risco convencionais e com artérias coronárias aparentemente normais ao cateterismo. Essas condições — o MINOCA e a SCAD — representam um dos capítulos mais importantes e menos conhecidos da saúde cardiovascular da mulher.
O MINOCA (Myocardial Infarction with Non-Obstructive Coronary Arteries — infarto do miocárdio com artérias coronárias não obstrutivas) corresponde a 5% a 10% de todos os casos de infarto agudo do miocárdio. Tende a acometer pessoas mais jovens, mulheres e sem dislipidemia. Os mecanismos incluem disfunção microvascular coronariana, vasoespasmo coronariano, dissecção espontânea da artéria coronária, erosão de placa e tromboembolismo. Evidências emergentes demonstram que mulheres são mais frequentemente afetadas pela disfunção microvascular coronariana e pela SCAD, enquanto homens tendem a apresentar causas tromboembólicas ou ateroscleróticas. A Diretriz Brasileira de Síndrome Coronariana Crônica (SBC, 2025) reconhece formalmente a angina sem obstruções coronárias como entidade relevante — especialmente em mulheres — retirando o estigma do "exame normal, nada grave".
A SCAD (Spontaneous Coronary Artery Dissection — dissecção espontânea da artéria coronária) é uma ruptura não traumática das camadas da parede coronariana que gera uma falsa luz comprimindo o fluxo verdadeiro. É rara, frequentemente subdiagnosticada e predominantemente feminina: registros internacionais apontam que mulheres entre 47 e 53 anos correspondem a 87% a 95% dos casos de SCAD. A SCAD é a principal causa de infarto do miocárdio em gestantes e puérperas e é responsável por 23% a 36% dos infartos em mulheres com menos de 60 anos em alguns registros — dados que reforçam a necessidade de um olhar clínico diferenciado na saúde cardiovascular da mulher jovem.
5. Menopausa e aceleração do risco cardiovascular: o que muda após o fim do ciclo hormonal
A menopausa representa uma inflexão biológica no risco cardiovascular feminino — e a ciência é precisa ao descrever seus mecanismos. A queda estrogênica não remove apenas a proteção hormonal sobre os vasos: ativa uma cascata de alterações metabólicas, inflamatórias e vasculares que transformam o perfil de risco da mulher.
O Posicionamento SBC/FEBRASGO/SBEM de 2025 documenta que a menopausa promove rigidez vascular, disfunção endotelial e isquemia microvascular — acelerando a aterosclerose coronariana por mecanismos que incluem aumento da inflamação sistêmica, piora do perfil lipídico com elevação do LDL e da Lp(a), redução do HDL, aumento da resistência à insulina e redistribuição da gordura corporal para o compartimento visceral. A Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa (2024), publicada pela SBC, FEBRASGO, SOBRAC e SIAC, confirma que a doença arterial coronariana é a principal causa de morte nas mulheres após a menopausa, e que a menopausa precoce — antes dos 45 anos — é um fator de risco cardiovascular independente que deve ser identificado e seguido com atenção especial.
Os fogachos e os sintomas vasomotores da menopausa não são apenas um desconforto: estudos associam fogachos graves e persistentes a maior presença de aterosclerose em exames de imagem, sugerindo que representam um sinal de disfunção endotelial e rigidez vascular. Sobre a terapia hormonal da menopausa (THM), a Diretriz SBC (2024) recomenda seu uso em mulheres climatéricas sintomáticas sem contraindicações, com recomendação forte e alto nível de certeza — desde que iniciada na "janela de oportunidade" (primeiros dez anos após a menopausa ou antes dos 60 anos). Iniciar a THM fora dessa janela pode elevar o risco absoluto de doença coronariana e tromboembolismo.
6. Síndrome dos ovários policísticos, saúde mental e outros fatores de risco exclusivamente femininos
A saúde cardiovascular da mulher é influenciada por condições que não têm equivalente masculino — e que frequentemente são negligenciadas na estratificação de risco. A síndrome dos ovários policísticos (SOP), os transtornos de humor e os determinantes sociais específicos do sexo feminino integram esse conjunto de fatores que os modelos tradicionais não captura adequadamente.
A revisão Sex Disparities in Cardiovascular Disease (Mahowald et al., Missouri Medicine, 2024) aponta que a SOP afeta de 5% a 10% das mulheres em idade reprodutiva e está associada a maior risco cardiovascular. O Posicionamento SBC/FEBRASGO/SBEM de 2025 acrescenta: mulheres com ciclos menstruais irregulares por causas endócrinas apresentam níveis mais elevados de marcadores inflamatórios e maior probabilidade de desenvolver síndrome metabólica ao longo dos anos. A SOP combina resistência à insulina, hiperandrogenismo, dislipidemia e inflamação crônica — todos fatores que promovem aterosclerose de forma independente.
A saúde mental representa outra vulnerabilidade específica. O Posicionamento da SBC (2025) sobre a saúde da mulher ao longo do ciclo de vida reconhece que quando doença mental e cardiovascular coexistem, há piora do prognóstico, maior mortalidade e menor adesão ao tratamento, tornando essencial que cardiologistas reconheçam e avaliem sistematicamente o impacto da saúde mental na prática clínica. Depressão e ansiedade — condições mais prevalentes em mulheres — estão associadas a maior risco de eventos cardiovasculares por mecanismos que incluem ativação simpática crônica, elevação do cortisol, inflamação sistêmica e comportamentos de menor adesão ao tratamento.
7. Como estratificar corretamente o risco cardiovascular da mulher segundo as diretrizes mais recentes
A estratificação de risco cardiovascular em mulheres exige ferramentas e informações que vão além das calculadoras desenvolvidas primariamente em populações masculinas. As diretrizes mais recentes incorporam essa perspectiva com progressiva precisão.
O Posicionamento SBC/FEBRASGO/SBEM de 2025 é claro: os escores tradicionais de risco cardiovascular subestimam eventos como infarto, AVC e insuficiência cardíaca nas mulheres. Para uma estratificação adequada da saúde cardiovascular da mulher, é necessário incorporar fatores exclusivamente femininos como: histórico de pré-eclâmpsia, diabetes gestacional ou parto prematuro; menopausa precoce; SOP; doença inflamatória autoimune; e uso de anticoncepcionais hormonais em mulheres com fatores de risco adicionais.
A Diretriz Brasileira de Dislipidemias (SBC, 2025) incorpora a calculadora PREVENT da American Heart Association — desenvolvida com base em mais de seis milhões de indivíduos e validada para estimar risco cardiovascular em 10 e 30 anos — como ferramenta de estratificação de risco que inclui variáveis metabólicas e renais relevantes para o perfil feminino. A mesma diretriz determina que a lipoproteína(a) — Lp(a) — deve ser dosada pelo menos uma vez na vida em todos os pacientes, sendo particularmente relevante para mulheres com histórico de menopausa precoce ou pré-eclâmpsia, nas quais os níveis elevados de Lp(a) amplificam o risco aterosclerótico de forma independente.
A Diretriz Brasileira de Síndrome Coronariana Crônica (SBC, 2025) acrescenta que agravantes clínicos como menopausa precoce, doenças inflamatórias, adiposidade e esteatose hepática podem levar à reclassificação de risco — permitindo que mulheres aparentemente de "risco intermediário" recebam atenção e tratamento mais intensivos, prevenindo eventos que seriam classificados como imprevisíveis pelos modelos convencionais.
8. Check-up cardiovascular feminino de precisão: o que avaliar e quando começar
O cuidado cardiovascular da mulher não deve começar com os sintomas. Deve começar com a prevenção — e com uma avaliação clínica que reconheça as particularidades da saúde cardiovascular da mulher em cada fase da vida, desde a idade reprodutiva até a pós-menopausa.
O Posicionamento SBC/FEBRASGO/SBEM de 2025 recomenda o monitoramento dos marcadores de função renal durante e após a gestação, avaliação metabólica ativa após complicações obstétricas, rastreamento lipídico em mulheres com SOP, dosagem de Lp(a) ao menos uma vez na vida e estratificação de risco com ferramentas que incluam fatores reprodutivos. A Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa (2024) define que monitorar a saúde na meia-idade representa uma janela crítica para atuar na prevenção de fatores de risco cardiovasculares.
A avaliação cardiovascular feminina deve incluir, no mínimo: pressão arterial — com preferência pela MAPA de 24 horas para identificar hipertensão mascarada, frequente em mulheres; ECG de repouso; perfil lipídico completo com LDL, HDL, triglicerídeos, colesterol não-HDL, ApoB e Lp(a); glicemia, insulina e hemoglobina glicada; avaliação da composição corporal com bioimpedância; e, quando clinicamente indicado, teste ergométrico e ecocardiograma.
No Instituto Inject, o check-up cardiovascular feminino conduzido pelo Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo integra ECG, ecocardiograma, Holter, MAPA, teste ergométrico, bioimpedância e scanner 3D corporal a um painel laboratorial completo — com dosagem de Lp(a), ApoB, marcadores inflamatórios e avaliação metabólica global. Além disso, o histórico reprodutivo de cada paciente — gestações, complicações obstétricas, menopausa e uso hormonal — é incorporado sistematicamente à estratificação de risco. Porque a saúde cardiovascular da mulher merece um check-up à sua altura.
FAQ — Perguntas Frequentes sobre Saúde Cardiovascular da Mulher
1. Infarto em mulheres é menos grave do que em homens? Não — e esse é exatamente um dos mitos mais perigosos. A doença cardiovascular é a principal causa de morte nas mulheres no Brasil e no mundo. Mulheres apresentam infarto em idade mais avançada, com mais comorbidades, e com sintomas atípicos que frequentemente atrasam o diagnóstico e o tratamento. Um estudo da PUCPR demonstrou que mulheres entre 45 e 55 anos apresentam risco de mortalidade após o infarto significativamente maior do que os homens da mesma faixa etária — um "paradoxo de gênero" que reflete as lacunas no cuidado cardiovascular feminino.
2. Tive pré-eclâmpsia na gravidez. Preciso fazer acompanhamento cardiológico? Sim, de forma inequívoca. A revisão publicada na Acta Physiologica (2025) documenta que mulheres com histórico de pré-eclâmpsia têm risco três a quatro vezes maior de doença cardiovascular ao longo da vida. O Posicionamento SBC/FEBRASGO/SBEM (2025) reconhece a pré-eclâmpsia como marcador de risco cardiovascular futuro, recomendando seguimento ativo após o parto. Se você teve pré-eclâmpsia, diabetes gestacional ou parto prematuro, o acompanhamento cardiológico preventivo é indicado independentemente de sua idade atual.
3. O que é MINOCA e por que afeta mais mulheres? MINOCA é o infarto do miocárdio com artérias coronárias não obstrutivas — um tipo de infarto no qual o cateterismo não mostra obstruções significativas, mas o músculo cardíaco sofreu dano real. Corresponde a 5% a 10% de todos os infartos e acomete predominantemente mulheres jovens. Os mecanismos mais frequentes em mulheres são a disfunção microvascular coronariana e a dissecção espontânea da artéria coronária (SCAD). A Diretriz Brasileira de Síndrome Coronariana Crônica (SBC, 2025) reconhece formalmente o MINOCA como entidade relevante, especialmente no contexto feminino.
4. A menopausa sempre aumenta o risco de infarto? A menopausa representa uma transição biológica que eleva progressivamente o risco cardiovascular, pela perda da proteção estrogênica sobre os vasos. O risco é ainda maior na menopausa precoce — antes dos 45 anos — reconhecida como fator de risco cardiovascular independente pela Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa (SBC, 2024). A terapia hormonal da menopausa pode ser uma estratégia segura e eficaz quando iniciada na "janela de oportunidade" — nos primeiros dez anos após a menopausa e antes dos 60 anos — mas a decisão deve ser sempre individualizada pelo médico.
5. A partir de que idade a mulher deve fazer check-up cardiológico? Não existe uma idade única — existe o momento certo para cada mulher, determinado pelo seu histórico reprodutivo, metabólico e familiar. O Posicionamento SBC/FEBRASGO/SBEM (2025) recomenda avaliação cardiometabólica ativa em todas as mulheres com histórico de complicações obstétricas, SOP, menopausa precoce ou histórico familiar de doença cardiovascular prematura — independentemente da idade. Para mulheres sem fatores de risco específicos, a avaliação cardiovascular preventiva deve ser iniciada ao redor dos 40 anos, com frequência determinada pelo resultado de cada avaliação.
Conclusão
Chegamos ao fim de mais um conteúdo desenvolvido pelo Instituto Inject. Neste blog post abordamos: as diferenças biológicas, hormonais e nas lacunas do cuidado que definem a especificidade da saúde cardiovascular da mulher; os sintomas atípicos do infarto feminino e seu impacto no prognóstico; a gestação como janela de saúde cardiovascular — e a pré-eclâmpsia e o diabetes gestacional como marcadores de risco futuro; o MINOCA e a SCAD, formas de infarto que predominam em mulheres jovens; a menopausa como inflexão do risco cardiovascular — e as evidências sobre a terapia hormonal; a SOP, a saúde mental e outros fatores de risco exclusivamente femininos; os critérios e ferramentas atuais para estratificação correta do risco cardiovascular na mulher; e o protocolo de check-up cardiovascular feminino de precisão disponível no Instituto Inject.
A saúde cardiovascular da mulher é um campo de crescente atenção científica, mas ainda com enormes lacunas na prática clínica cotidiana. Reconhecer essa singularidade — e agir sobre ela com ferramentas diagnósticas adequadas — é o que diferencia a medicina preventiva de precisão da medicina reativa de urgência. No Instituto Inject, o coração da mulher é avaliado com o olhar que ele merece.
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Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo CRM SP 195033 | RQE 70601-70602/1 Médico Cardiologista | PhD pela USP Instituto Inject — Marília, SP
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