Introdução

O coração humano bate em torno de 100.000 vezes por dia — e em algumas pessoas, esse ritmo falha de forma clinicamente significativa. Quando o sistema elétrico cardíaco não consegue gerar ou conduzir adequadamente o impulso que coordena cada batimento, instala-se a bradicardia sintomática: o coração bate devagar demais para manter o fluxo sanguíneo que o organismo necessita. O marcapasso — um dos dispositivos médicos mais transformadores do século XX — foi desenvolvido precisamente para substituir essa função elétrica defeituosa. A Diretriz da ESC sobre Estimulação Cardíaca e Terapia de Ressincronização (2021) define com precisão quem precisa de marcapasso e qual tipo de dispositivo é mais adequado para cada situação. No Instituto Inject, em Marília-SP, o Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo investiga e maneja distúrbios do ritmo cardíaco com o rigor que cada caso exige — antes e depois do implante.

 

Índice

Veja a seguir os tópicos que serão abordados neste blog post: Marcapasso: Quem Precisa, Como Funciona e a Vida Depois

  1. O que é o marcapasso e para que serve
  2. Como funciona o sistema elétrico do coração — e o que falha quando o marcapasso é necessário
  3. Quem precisa de marcapasso: as indicações segundo as diretrizes internacionais
  4. Tipos de marcapasso: convencional, bicameral, ressincronizador e sem fio
  5. Como o procedimento de implante é realizado
  6. Complicações possíveis e como são monitoradas
  7. Vida após o marcapasso: o que muda, o que permanece e o que melhora
  8. Interferências eletromagnéticas e cuidados práticos no dia a dia

 

Convite à Leitura

Se você ou alguém próximo recebeu a indicação de marcapasso, ou já vive com um, este artigo foi desenvolvido para transformar dúvidas em clareza — com base nas evidências científicas mais atuais e na experiência de quem cuida do coração com precisão.

 

Desenvolvimento

1. O que é o marcapasso e para que serve

O marcapasso cardíaco é um dispositivo eletrônico implantável que tem como função gerar impulsos elétricos artificiais capazes de estimular o músculo cardíaco a se contrair de forma ritmada e com frequência adequada, quando o sistema elétrico natural do coração falha em fazer isso de forma confiável. Trata-se de um dos avanços mais significativos da medicina do século XX: antes do primeiro marcapasso implantável, criado na Suécia em 1958, pacientes com bloqueios cardíacos avançados tinham prognóstico sombrio e qualidade de vida drasticamente comprometida.

Na sua forma mais comum, o marcapasso convencional é composto por dois elementos principais: o gerador de pulsos — uma cápsula metálica pequena, tipicamente menor que um relógio de pulso, que contém a bateria e os circuitos eletrônicos — e os eletrodos, fios condutores muito finos que percorrem o sistema venoso até as câmaras do coração, onde ficam fixados e transmitem os estímulos elétricos gerados pelo dispositivo. O gerador é implantado subcutaneamente, na região infraclavicular — geralmente abaixo da clavícula esquerda —, em um bolsão criado cirurgicamente sob a pele.

O marcapasso moderno não dispara impulsos de forma contínua e indiscriminada. Ele é inteligente: monitora permanentemente a atividade elétrica espontânea do coração e intervém apenas quando detecta que o ritmo intrínseco está ausente, muito lento ou instável. Essa capacidade de detecção — denominada sensing — garante que o marcapasso funcione como um "assistente elétrico de reserva", ativando-se somente quando necessário. Segundo a revisão publicada no Journal of the American College of Cardiology (2017) sobre função, troubleshooting e manejo de marcapassos, essa integração entre detecção e estimulação representa a base tecnológica sobre a qual todos os avanços subsequentes foram construídos.

2. Como funciona o sistema elétrico do coração — e o que falha quando o marcapasso é necessário

Para compreender por que o marcapasso é necessário, é preciso entender primeiro como o coração gera e conduz seus próprios impulsos elétricos em condições normais. O coração possui um sistema de geração e condução elétrica próprio, independente do sistema nervoso central, que coordena cada batimento com precisão milimétrica. Esse sistema começa no nó sinusal — um grupo de células especializadas localizado no átrio direito, que funciona como o "marcapasso natural" do coração, gerando espontaneamente impulsos a uma frequência de 60 a 100 vezes por minuto em repouso.

O impulso gerado pelo nó sinusal percorre os átrios — provocando sua contração — e chega ao nó atrioventricular (NAV), onde é brevemente retardado para permitir que os átrios esvaziem o sangue nos ventrículos antes de estes se contraírem. Do NAV, o impulso percorre o feixe de His, seus ramos direito e esquerdo, e as fibras de Purkinje, até atingir toda a musculatura ventricular e provocar a contração do coração que ejeta o sangue para a circulação.

A Diretriz da European Society of Cardiology sobre Estimulação Cardíaca e Terapia de Ressincronização Cardíaca (2021), publicada no European Heart Journal, classifica as bradiarritmias — distúrbios do ritmo com frequência cardíaca excessivamente baixa — em dois grandes grupos: disfunções do nó sinusal e distúrbios da condução atrioventricular. Na disfunção do nó sinusal, o marcapasso natural do coração falha em gerar impulsos com frequência e regularidade adequadas. Nos bloqueios atrioventricular, o impulso gerado pelo nó sinusal não consegue ser transmitido corretamente aos ventrículos. Em ambos os casos, o resultado clínico pode incluir tonturas, síncopes (desmaios), fadiga grave, intolerância ao esforço e risco de parada cardíaca — situações que justificam o implante de marcapasso.

3. Quem precisa de marcapasso: as indicações segundo as diretrizes internacionais

A decisão de implantar um marcapasso não se baseia apenas na frequência cardíaca aferida em um eletrocardiograma de rotina. Ela resulta de uma avaliação cuidadosa que integra os achados eletrocardiográficos, a presença e gravidade dos sintomas e a correlação temporal entre ambos. As principais diretrizes internacionais estabelecem critérios precisos para essa indicação.

A Diretriz ACC/AHA/HRS sobre Avaliação e Manejo de Pacientes com Bradicardia e Distúrbios da Condução Cardíaca (2018), publicada no periódico Circulation, permanece como a principal referência americana sobre o tema e estabelece que a indicação de marcapasso é de Classe I — ou seja, comprovadamente benéfica e recomendada — nas seguintes situações: bloqueio atrioventricular de terceiro grau (bloqueio completo) sintomático ou com frequência ventricular menor que 40 batimentos por minuto durante a vigília; bloqueio atrioventricular de segundo grau tipo II com sintomas ou associado a bloqueio de ramo; pausas sinusais documentadas maiores que 3 segundos em paciente acordado assintomático; e disfunção sinusal sintomática com correlação documentada entre sintomas e bradicardia.

A Diretriz da ESC (2021) reforça que, no bloqueio atrioventricular — ao contrário da disfunção sinusal —, a estimulação cardíaca tem implicações prognósticas independentes dos sintomas: mesmo na ausência de sintomas, o bloqueio atrioventricular de segundo grau tipo 2 ou de terceiro grau em ritmo sinusal justifica indicação de marcapasso Classe I, dado o risco de progressão para bloqueio completo e parada cardíaca. A diretriz também inclui indicações específicas para pacientes submetidos a implante de bioprótese valvar aórtica por cateter (TAVI) que desenvolvem distúrbios da condução no procedimento. Em todas as situações, a decisão deve ser compartilhada com o paciente, com informação clara sobre riscos, benefícios e alternativas.

4. Tipos de marcapasso: convencional, bicameral, ressincronizador e sem fio

O marcapasso não é um dispositivo único: existe uma família de dispositivos de estimulação cardíaca com características, indicações e tecnologias distintas, cuja escolha depende da condição clínica específica de cada paciente.

O marcapasso unicameral estimula apenas uma câmara cardíaca — geralmente o ventrículo direito — e é indicado em situações específicas, como fibrilação atrial permanente associada a bloqueio atrioventricular. O marcapasso bicameral (dupla câmara, modo DDD) possui dois eletrodos — um no átrio direito e outro no ventrículo direito — e é capaz de detectar e estimular ambas as câmaras de forma coordenada, preservando a sincronização atrioventricular fisiológica. A Diretriz da ESC (2021) recomenda o modo DDD como preferencial para a maioria dos pacientes com bloqueio atrioventricular em ritmo sinusal, por preservar a fisiologia do batimento cardíaco e evitar a síndrome do marcapasso.

O marcapasso de ressincronização cardíaca (CRT), também chamado de marcapasso biventricular, é um dispositivo mais complexo que estimula simultaneamente o ventrículo direito e o ventrículo esquerdo, corrigindo o assincronia mecânica ventricular presente em pacientes com insuficiência cardíaca e bloqueio de ramo esquerdo. A Diretriz da ESC (2021) recomenda o CRT como Classe I em pacientes com insuficiência cardíaca sintomática, fração de ejeção do ventrículo esquerdo menor ou igual a 35%, ritmo sinusal e morfologia de bloqueio de ramo esquerdo com QRS maior ou igual a 150 milissegundos, apesar do tratamento clínico otimizado.

A inovação mais recente e clinicamente significativa nesse campo é o marcapasso sem fio — ou leadless pacemaker. Representado principalmente pelo sistema Micra (Medtronic), esse dispositivo é uma cápsula miniaturizada, com cerca de um centavo de real em tamanho, que é implantada diretamente dentro do ventrículo direito por meio de um cateter introduzido pela veia femoral. Não há eletrodos transvenosos, não há bolsão cirúrgico subcutâneo e não há cicatriz visível. Um estudo de acompanhamento de 5 anos do registro pós-aprovação do Micra, publicado no European Heart Journal (2024), demonstrou manutenção de alta taxa de sucesso de implante, baixa taxa de complicações e benefícios sustentados em comparação com os marcapassos transvenosos convencionais. A Diretriz da ESC (2021) recomenda o marcapasso sem fio como alternativa ao convencional quando não há acesso venoso no membro superior ou quando o risco de infecção do bolsão é particularmente elevado.

5. Como o procedimento de implante é realizado

O implante do marcapasso convencional é um procedimento cirúrgico minimamente invasivo, realizado em sala cirúrgica ou laboratório de hemodinâmica com condições de esterilidade rigorosas, sob anestesia local com sedação — o paciente fica confortável e colaborativo, sem necessitar de anestesia geral na grande maioria dos casos. A duração média do procedimento varia de 60 a 120 minutos, dependendo do tipo de dispositivo e da complexidade anatômica do paciente.

O acesso vascular é obtido por punção da veia subclávia ou cefálica, na região infraclavicular, geralmente do lado esquerdo. Por essa veia, os eletrodos são introduzidos e avançados sob controle fluoroscópico — imagens de raios-X em tempo real — até as câmaras cardíacas de destino, onde são fixados ativamente por um parafuso helicoidal na ponta do eletrodo. Após a confirmação de limiares de estimulação e detecção adequados, os eletrodos são conectados ao gerador de pulsos, que é implantado em um bolsão criado cirurgicamente abaixo da pele e acima do músculo peitoral. O procedimento termina com o fechamento da incisão por sutura.

A Diretriz da ESC (2021) afirma que o implante de marcapasso é considerado um procedimento de baixo risco, embora não isento de complicações relacionadas ao dispositivo e ao procedimento. A mesma diretriz recomenda que a imagem cardíaca — preferencialmente o ecocardiograma — seja realizada previamente ao implante em todos os pacientes, com Classe I de recomendação, para avaliar a função ventricular, identificar anomalias estruturais que possam influenciar a técnica cirúrgica e orientar a escolha do dispositivo mais adequado. A hospitalização pós-procedimento é tipicamente de 24 a 48 horas, e o paciente recebe alta com orientações detalhadas sobre cuidados com o sítio cirúrgico e restrições temporárias de movimentação do membro superior ipsilateral.

6. Complicações possíveis e como são monitoradas

O marcapasso convencional, apesar de sua eficácia bem estabelecida, carrega riscos inerentes ao procedimento de implante e ao uso crônico do dispositivo que o paciente precisa conhecer. A revisão publicada na Revista Cardiovascular Medicine (2024), sobre complicações de marcapassos e estratégias de manejo, sistematizou as principais: pneumotórax (perfuração acidental do pulmão durante o acesso venoso), hematoma no bolsão cirúrgico, perfuração cardíaca com derrame pericárdico, deslocamento do eletrodo nas primeiras horas ou dias após o implante, trombose venosa e, a mais grave em longo prazo, infecção do dispositivo.

A infecção do marcapasso — que pode envolver o bolsão cirúrgico, os eletrodos ou as estruturas cardíacas (endocardite relacionada ao dispositivo) — é uma complicação rara mas potencialmente fatal, com incidência estimada em 1% a 2% ao longo da vida do dispositivo. Seu tratamento exige, na maioria dos casos, a extração completa do sistema (gerador e eletrodos) e antibioticoterapia prolongada — um procedimento tecnicamente complexo e de risco. A prevenção da infecção começa com rigorosa antissepsia no procedimento e inclui antibioticoprofilaxia perioperatória.

O acompanhamento do marcapasso na era contemporânea beneficia-se enormemente da monitorização remota — tecnologia que permite ao dispositivo transmitir dados de funcionamento, limiares de estimulação e detecção, e alertas automáticos diretamente ao cardiologista via internet, sem que o paciente precise comparecer ao consultório. Um artigo publicado no periódico Cardiovascular Research (2023) documentou que a monitorização remota de dispositivos cardíacos implantáveis melhora significativamente a detecção precoce de falhas do dispositivo, arritmias clinicamente relevantes e aproximação do momento de troca do gerador — reduzindo internações não planejadas e melhorando a segurança do acompanhamento ambulatorial.

7. Vida após o marcapasso: o que muda, o que permanece e o que melhora

Uma das preocupações mais frequentes de quem recebe um marcapasso é o impacto que o dispositivo terá sobre a qualidade de vida. A resposta científica é, em grande parte, tranquilizadora: para a maioria dos pacientes, o marcapasso não limita — ele liberta. Os sintomas que motivaram o implante — tonturas, desmaios, fadiga intensa, intolerância ao esforço — são tratados pelo dispositivo, e a qualidade de vida melhora de forma consistente e mensurável.

Um estudo publicado no periódico International Journal of Environmental Research and Public Health (2022), avaliando 198 pacientes com bloqueio atrioventricular ou disfunção sinusal seis meses após o implante de marcapasso, confirmou que o procedimento melhora a qualidade de vida na maioria dos pacientes, especialmente nos componentes físicos — capacidade funcional, limitação por problemas físicos e dor corporal. A melhora foi consistente tanto nos pacientes com bloqueio atrioventricular quanto nos com disfunção sinusal, embora pacientes com bloqueio atrioventricular tenham demonstrado maior tendência ao aumento de ansiedade e depressão no período pós-implante, possivelmente relacionada à dependência do dispositivo — o que reforça a importância do suporte psicológico integrado ao acompanhamento cardiológico.

A bateria do marcapasso tem duração média de 7 a 12 anos, dependendo do modelo, do número de eletrodos e da quantidade de estimulação utilizada. Quando a bateria se aproxima do fim da vida útil, é realizada a troca do gerador — um procedimento mais simples que o implante original, pois os eletrodos geralmente são reutilizados e a cirurgia restringe-se à abertura do bolsão e substituição do gerador. O paciente deve ser acompanhado regularmente pelo cardiologista, com controles periódicos do dispositivo — presencialmente e/ou por monitorização remota — para verificar os parâmetros de funcionamento e antecipar com segurança o momento da troca.

8. Interferências eletromagnéticas e cuidados práticos no dia a dia

A preocupação com interferências eletromagnéticas é um dos temas que mais gera dúvidas e, frequentemente, restrições desnecessárias entre pacientes com marcapasso. A realidade contemporânea é que os marcapassos modernos são dispositivos altamente blindados e resilientes à maioria das fontes eletromagnéticas do cotidiano — mas existem situações específicas que exigem atenção.

Aparelhos domésticos comuns — micro-ondas, televisões, computadores, celulares, eletrodomésticos em geral — não representam risco significativo para o funcionamento dos marcapassos modernos. O celular pode ser usado normalmente; a recomendação é mantê-lo a pelo menos 15 centímetros do dispositivo quando em uso ativo. Equipamentos de segurança em aeroportos, como portais detectores de metal, geralmente não causam dano ao marcapasso, mas o dispositivo pode ser detectado como metal — o paciente deve informar à equipe de segurança que possui o dispositivo e apresentar o cartão de identificação do marcapasso fornecido pelo fabricante.

As situações que exigem precauções reais envolvem fontes de campos eletromagnéticos intensos: equipamentos de ressonância magnética, bisturis elétricos usados em cirurgias, desfibriladores externos, radioterapia e aparelhos de solda elétrica de alta potência. A grande maioria dos marcapassos modernos é classificada como "compatível com ressonância magnética condicional" — o exame pode ser realizado com segurança, mas sob condições específicas de programação do dispositivo, previamente definidas em conjunto com a equipe de cardiologia. Antes de qualquer procedimento médico, cirúrgico ou odontológico, o paciente deve informar que possui marcapasso e consultar seu cardiologista para orientações individualizadas. A Diretriz da ESC (2021) inclui um fluxograma específico para a avaliação de exames de ressonância magnética em portadores de marcapasso, destacando esse como um cenário que exige protocolos colaborativos entre cardiologistas e radiologistas.

 

FAQ - Perguntas Frequentes

1. Quem precisa de marcapasso? O marcapasso é indicado para pacientes com bradiarritmias sintomáticas — ritmo cardíaco excessivamente lento que causa sintomas como desmaios, tonturas, fadiga intensa ou intolerância ao esforço. As principais condições são a disfunção do nó sinusal e os bloqueios atrioventriculares de segundo grau tipo 2 e de terceiro grau. As Diretrizes da ESC (2021) e do ACC/AHA/HRS (2018) estabelecem critérios precisos para cada indicação, que devem ser avaliados individualmente pelo cardiologista.

2. O marcapasso dura para sempre? Não. A bateria do gerador de pulsos tem duração média de 7 a 12 anos, dependendo do modelo e do quanto o dispositivo é utilizado. Quando a bateria se aproxima do esgotamento, é realizada a troca do gerador — um procedimento mais simples que o implante original. Os eletrodos transvenosos, quando íntegros e com bons parâmetros, são geralmente mantidos e reutilizados na troca do gerador.

3. Posso fazer ressonância magnética com marcapasso? Na maioria dos casos, sim. A grande parte dos marcapassos modernos é compatível com ressonância magnética, desde que sob condições específicas de programação do dispositivo e com protocolos colaborativos entre cardiologia e radiologia. Antes de qualquer exame de ressonância, informe que você possui marcapasso e consulte seu cardiologista. A Diretriz da ESC (2021) inclui orientações específicas sobre esse cenário, reconhecendo a compatibilidade com RM como importante avanço tecnológico contemporâneo.

4. Posso praticar esportes com marcapasso? A maioria dos pacientes com marcapasso pode retornar gradualmente à atividade física regular após o período de recuperação do implante — tipicamente de 4 a 6 semanas para atividades moderadas. Marcapassos modernos com sensor de frequência respondem ao esforço físico, aumentando a frequência de estimulação durante o exercício. Esportes de alto impacto físico direto na região do dispositivo devem ser evitados. O tipo e a intensidade de exercício recomendados dependem do contexto clínico individual e devem ser definidos com o cardiologista.

5. O marcapasso pode ser sentido ou visto sob a pele? O gerador do marcapasso convencional fica implantado em um bolsão subcutâneo na região infraclavicular e, em pessoas mais magras, pode criar um pequeno relevo visível e palpável sob a pele. Não causa dor após o período de cicatrização. O marcapasso sem fio (leadless pacemaker), por ser implantado diretamente dentro do ventrículo, não deixa qualquer evidência externa — sem cicatriz, sem relevo, sem bolsão. A escolha entre os dispositivos depende da indicação clínica e das características individuais do paciente.

 

Conclusão

Chegamos ao fim de mais um conteúdo desenvolvido pelo Instituto Inject. Neste blog post abordamos: (1) o que é o marcapasso e para que serve; (2) como funciona o sistema elétrico do coração e o que falha quando o marcapasso se torna necessário; (3) quem precisa de marcapasso segundo as diretrizes internacionais; (4) os tipos de marcapasso disponíveis, incluindo o dispositivo sem fio; (5) como o procedimento de implante é realizado; (6) as complicações possíveis e como são monitoradas; (7) como é a vida após o marcapasso e o que muda — e melhora — na qualidade de vida; e (8) os cuidados práticos com interferências eletromagnéticas no dia a dia.

O marcapasso não é o fim de uma vida ativa — é frequentemente o início de uma vida com mais segurança, energia e liberdade para quem vivia limitado por um coração que batia devagar demais.

 

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O Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo realiza investigação de distúrbios do ritmo cardíaco com Holter de 24 horas, MAPA, ECG, Ecocardiograma e Teste Ergométrico — todos no mesmo local, em Marília-SP — com laudo técnico individualizado para orientar cada decisão clínica.

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Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo CRM SP 195033 | RQE 70601-70602/1 Médico Cardiologista | PhD pela USP

 

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Publicado em 24/06/2026