Introdução
A insuficiência cardíaca é uma das maiores pandemias silenciosas do século XXI. Segundo dados publicados no Cardiovascular Research (2022), ela afeta mais de 64 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo responsável por taxas elevadas de hospitalização, redução severa da qualidade de vida e mortalidade que rivaliza com a de muitos cânceres. No Brasil, a realidade não é diferente: a IC é uma das principais causas de internação hospitalar no sistema de saúde. No Instituto Inject, em Marília-SP, o Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo integra o diagnóstico precoce e o tratamento baseado nas diretrizes mais atuais ao cuidado personalizado de seus pacientes — porque insuficiência cardíaca diagnosticada a tempo e tratada corretamente tem prognóstico completamente diferente.
Veja a seguir os tópicos que serão abordados neste blog post: Insuficiência Cardíaca
- O que é insuficiência cardíaca e por que o coração "falha"
- Tipos de insuficiência cardíaca: HFrEF, HFmrEF e HFpEF
- Sinais e sintomas da insuficiência cardíaca: quando suspeitar
- Como se diagnostica a insuficiência cardíaca: exames essenciais
- Os quatro pilares do tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida
- A revolução dos inibidores de SGLT2 em todos os tipos de IC
- Insuficiência cardíaca e estilo de vida: o que o paciente pode fazer
- O papel do Instituto Inject no diagnóstico e acompanhamento da insuficiência cardíaca
A insuficiência cardíaca é uma das condições cardiovasculares mais complexas e mais prevalentes da medicina moderna — e também uma das mais tratáveis quando diagnosticada e manejada corretamente. Neste conteúdo, você vai entender em profundidade o que acontece com o coração que falha, como identificar os sinais precoces e quais são as intervenções terapêuticas que, segundo as mais recentes diretrizes internacionais, mudam radicalmente o prognóstico dessa doença.
1. O que é insuficiência cardíaca e por que o coração "falha"
A insuficiência cardíaca (IC) não é uma doença isolada — é uma síndrome clínica complexa que resulta de alterações estruturais ou funcionais do coração, impedindo-o de bombear sangue de forma adequada para atender às necessidades metabólicas do organismo, ou de fazê-lo apenas às custas de pressões de enchimento anormalmente elevadas. Em termos simples: o coração perde a capacidade de cumprir seu papel de bomba de maneira eficiente.
As causas são diversas e frequentemente coexistentes. A hipertensão arterial é a causa mais prevalente globalmente, especialmente da IC com fração de ejeção preservada. A doença arterial coronariana — que inclui infartos prévios — responde por cerca de 34% dos casos de IC segundo dados do Global Burden of Disease Study 2021, sendo a principal etiologia da IC com fração de ejeção reduzida. Cardiomiopatias dilatadas, doenças valvares, diabetes mellitus, obesidade, arritmias crônicas e doenças cardíacas de origem genética completam o espectro etiológico.
Do ponto de vista fisiopatológico, a IC envolve um processo dinâmico chamado de remodelamento cardíaco: diante de uma agressão — seja um infarto, uma sobrecarga pressórica crônica ou uma inflamação —, o coração tenta se adaptar aumentando suas câmaras, espessando suas paredes ou alterando a geometria ventricular. Inicialmente compensatório, esse remodelamento progressivamente piora a função contrátil, eleva as pressões de enchimento e desencadeia a ativação crônica do sistema nervoso simpático e do sistema renina-angiotensina-aldosterona — os grandes vilões do curso clínico da insuficiência cardíaca. A interrupção desses mecanismos neurohormionais é o alvo central das terapias que mais reduziram a mortalidade nessa síndrome.
2. Tipos de insuficiência cardíaca: HFrEF, HFmrEF e HFpEF
A classificação da insuficiência cardíaca com base na fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) é fundamental tanto para o diagnóstico quanto para a escolha terapêutica. As Diretrizes ESC 2021 para Diagnóstico e Tratamento da Insuficiência Cardíaca Aguda e Crônica (McDonagh TA et al., Eur Heart J, 2021;42:3599-3726) consolidaram a divisão em três fenótipos principais:
IC com fração de ejeção reduzida (HFrEF ou ICFEr): definida por FEVE abaixo de 40%. É o fenótipo mais estudado, com maior arsenal terapêutico disponível e com a maior redução de mortalidade documentada com o tratamento farmacológico adequado. Nesse tipo, o coração está dilatado e contrai de forma insuficiente.
IC com fração de ejeção levemente reduzida (HFmrEF): FEVE entre 40% e 49%, representando uma categoria intermediária com características clínicas e respostas terapêuticas parcialmente sobrepostas às outras duas categorias. As Diretrizes ESC 2023 trouxeram atualizações importantes sobre o manejo dessa categoria, incluindo a extensão das indicações dos inibidores de SGLT2.
IC com fração de ejeção preservada (HFpEF ou ICFEp): definida por FEVE igual ou superior a 50%, com sintomas e sinais de IC acompanhados de evidência de alterações estruturais ou funcionais cardíacas e/ou elevação de peptídeos natriuréticos. É o fenótipo de crescimento mais rápido em prevalência, acometendo preferencialmente mulheres, idosos, hipertensos e obesos. Historicamente, o tratamento da HFpEF era limitado ao controle das comorbidades — mas isso mudou profundamente com os resultados recentes dos inibidores de SGLT2. A correta identificação do tipo de insuficiência cardíaca pelo cardiologista é o primeiro e mais importante passo para um tratamento eficaz.
3. Sinais e sintomas da insuficiência cardíaca: quando suspeitar
Os sintomas da insuficiência cardíaca resultam diretamente de dois mecanismos fisiopatológicos: a congestão — acúmulo de líquido nos pulmões, abdome e extremidades por elevação das pressões de enchimento — e o baixo débito cardíaco — incapacidade do coração de suprir o organismo com fluxo sanguíneo adequado, especialmente durante o exercício.
Os sintomas mais característicos da IC incluem dispneia (falta de ar), que inicialmente ocorre aos grandes esforços e progressivamente se manifesta a esforços menores, em repouso e até durante o sono — nesse caso, denomina-se dispneia paroxística noturna ou ortopneia (piora ao deitar). A fadiga desproporcional ao esforço, o edema de membros inferiores (inchaço nos tornozelos e pernas) e o ganho rápido de peso — decorrente do acúmulo de líquido — são outros sinais fundamentais. Sintomas menos específicos como tosse seca, distensão abdominal, redução do apetite e confusão mental em idosos também podem fazer parte do quadro.
A Classificação Funcional da New York Heart Association (NYHA) estratifica os pacientes de acordo com a limitação funcional: da Classe I (sem limitação de atividades físicas habituais) à Classe IV (incapacidade de realizar qualquer atividade sem desconforto, com sintomas em repouso). Segundo as Diretrizes ESC 2021, essa classificação guia decisões terapêuticas e é usada como desfecho em praticamente todos os estudos clínicos sobre insuficiência cardíaca. Um elemento importante é que a IC pode se instalar de forma gradual e insidiosa — o que torna o diagnóstico precoce, ainda em fase assintomática ou oligossintomática, o maior diferencial do acompanhamento cardiológico especializado, como o oferecido pelo Instituto Inject.
4. Como se diagnostica a insuficiência cardíaca: exames essenciais
O diagnóstico de insuficiência cardíaca é fundamentalmente clínico, mas exige confirmação por exames complementares para determinar o tipo, a causa e a gravidade da disfunção. Segundo as Diretrizes ESC 2021, o algoritmo diagnóstico parte da avaliação da probabilidade clínica pré-teste — baseada em sintomas, história e exame físico — e avança para a confirmação laboratorial e de imagem.
Os peptídeos natriuréticos — BNP e NT-proBNP — são os biomarcadores de escolha no diagnóstico da IC. Segundo as diretrizes ESC e SBC (Diretriz Brasileira de IC Crônica e Aguda, Arq Bras Cardiol, 2018), os pontos de corte para IC crônica são BNP > 35 pg/mL e NT-proBNP > 125 pg/mL. Esses marcadores são produzidos pelo miocárdio submetido a sobrecarga de pressão ou volume, e seus níveis se correlacionam diretamente com a gravidade da síndrome e com o prognóstico. Um resultado negativo, especialmente em contexto de baixa probabilidade clínica, tem altíssimo valor preditivo negativo — praticamente exclui a insuficiência cardíaca como causa dos sintomas.
O ecocardiograma transtorácico é o exame de imagem padrão-ouro no diagnóstico da IC. Ele permite avaliar a FEVE, a geometria ventricular, a função diastólica, as pressões de enchimento, a anatomia valvar e a função sistólica global e segmentar. É ele que determina o fenótipo da IC e orienta a estratégia terapêutica. Complementarmente, eletrocardiograma, radiografia de tórax, hemograma, função renal, eletrólitos, perfil glicêmico e tireoidiano integram a avaliação inicial. No Instituto Inject, o Dr. Estevão Figueiredo realiza a avaliação completa — incluindo ecocardiograma, Holter 24h, MAPA e, quando indicado, teste ergométrico — no mesmo local, com laudo individualizado, oferecendo ao paciente com insuficiência cardíaca uma investigação diagnóstica de alta precisão sem necessidade de múltiplos deslocamentos.
5. Os quatro pilares do tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida
O tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (HFrEF) passou por uma revolução nos últimos anos. Segundo as Diretrizes ESC 2021 e sua Atualização Focada de 2023, a terapia farmacológica da HFrEF é fundamentada em quatro pilares que, em conjunto, reduzem a mortalidade de forma expressiva e devem ser iniciados o mais precocemente possível, sem necessidade de introdução sequencial como preconizavam as diretrizes anteriores:
1. IECA/BRA/ARNI (inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona e do receptor de neprilisina): os IECAs e BRAs reduziram a mortalidade da IC por décadas. O sacubitril/valsartana (ARNI), testado no estudo PARADIGM-HF, demonstrou superioridade sobre o enalapril, reduzindo o risco de morte cardiovascular e hospitalização por IC em 20%. As diretrizes ESC 2021 recomendam a substituição do IECA pelo ARNI em pacientes sintomáticos (Classe I, Nível de Evidência B).
2. Betabloqueadores: carvedilol, bisoprolol e succinato de metoprolol são os três agentes com eficácia comprovada na HFrEF, reduzindo mortalidade total em aproximadamente 34% nos grandes ensaios clínicos. Agem bloqueando a ativação crônica do sistema nervoso simpático, um dos principais mecanismos de progressão da insuficiência cardíaca (Classe I, Nível de Evidência A, Diretrizes ESC 2021).
3. Antagonistas do receptor mineralocorticoide (ARM/MRA): espironolactona e eplerenona, ao bloquear a aldosterona, reduzem a fibrose miocárdica, a retenção de sódio e a mortalidade. O estudo RALES demonstrou redução de 30% da mortalidade com espironolactona em HFrEF grave (Classe I, Nível de Evidência A).
4. Inibidores de SGLT2: a mais recente adição ao arsenal terapêutico da HFrEF — dapagliflozina e empagliflozina — reduziram significativamente o desfecho composto de morte cardiovascular ou hospitalização por IC nos estudos DAPA-HF e EMPEROR-Reduced, respectivamente. Segundo uma análise publicada no British Journal of Cardiology (2022), a dapagliflozina reduziu morte cardiovascular e hospitalização por IC em 26% e a empagliflozina em 25%, independentemente da presença de diabetes. Esse benefício os eleva ao status de Classe I, Nível de Evidência A nas diretrizes mais recentes.
6. A revolução dos inibidores de SGLT2 em todos os tipos de IC
Se a adição dos inibidores de SGLT2 à terapêutica da HFrEF já representou um avanço histórico, a extensão desse benefício para os demais fenótipos de insuficiência cardíaca foi ainda mais transformadora. Durante décadas, a HFpEF — que representa mais da metade de todos os casos de IC — permaneceu órfã de tratamentos com eficácia comprovada em mortalidade. Essa realidade começou a mudar com os resultados dos estudos EMPEROR-Preserved e DELIVER.
O EMPEROR-Preserved, publicado no New England Journal of Medicine em 2021 (Anker SD et al., N Engl J Med, 2021;385:1451-1461), randomizou 5.988 pacientes com IC e FEVE > 40% para empagliflozina 10 mg/dia ou placebo. O resultado primário — desfecho composto de morte cardiovascular ou hospitalização por IC — foi reduzido em 21% no grupo empagliflozina, sendo a redução principalmente impulsionada pela diminuição em 29% das hospitalizações por IC. Foi o primeiro ensaio randomizado de grande porte a demonstrar eficácia de qualquer fármaco nesse fenótipo de insuficiência cardíaca.
O DELIVER, publicado no New England Journal of Medicine em 2022 (Solomon SD et al., N Engl J Med, 2022;387:1089-1098), estendeu esses achados com a dapagliflozina em pacientes com FEVE > 40%, incluindo HFmrEF e HFpEF, e demonstrou redução significativa do desfecho primário composto. Uma metanálise pré-especificada reunindo EMPEROR-Preserved e DELIVER, com mais de 12.000 pacientes, confirmou redução de 20% no risco composto de morte cardiovascular ou hospitalização por IC (HR 0,80; IC 95% 0,73–0,87). Com base nessa evidência, a Atualização Focada ESC 2023 elevou os inibidores de SGLT2 à recomendação Classe I para todos os fenótipos de insuficiência cardíaca crônica — HFrEF, HFmrEF e HFpEF — tornando-os o único pilar terapêutico válido para o espectro completo da síndrome.
7. Insuficiência cardíaca e estilo de vida: o que o paciente pode fazer
O tratamento da insuficiência cardíaca nunca é apenas farmacológico. As modificações de estilo de vida têm papel fundamental tanto na prevenção da progressão da doença quanto na melhora dos sintomas e da qualidade de vida — e são recomendadas por todas as diretrizes internacionais como parte indissociável do manejo.
O controle do peso corporal e a monitorização diária do peso são medidas simples e de alto impacto: um ganho de mais de 2 kg em 2 a 3 dias é sinal de retenção hídrica e deve motivar contato imediato com o cardiologista. A restrição de sódio — não ultrapassar 2 a 3 gramas por dia — contribui para reduzir a sobrecarga volêmica. A restrição hídrica é indicada em casos de IC mais avançada com hiponatremia. A cessação do tabagismo e a limitação do consumo de álcool — que é diretamente cardiotóxico e pode ser causa primária de cardiomiopatia dilatada — são mandatórias.
O exercício físico supervisionado é hoje uma recomendação formal nas diretrizes ESC 2021 para todos os pacientes com IC estável (Classe I, Nível de Evidência A): ele melhora a capacidade funcional, reduz hospitalizações e melhora significativamente a qualidade de vida. O tipo preferencial é o treinamento aeróbico de intensidade moderada, podendo ser complementado com treinamento resistido leve. No Instituto Inject, o Dr. Estevão Figueiredo avalia a capacidade funcional de cada paciente com insuficiência cardíaca por meio do teste ergométrico, permitindo prescrever o exercício dentro de parâmetros seguros e individualizados. A vacinação contra influenza e pneumococo, a vigilância de comorbidades — diabetes, hipertensão, apneia do sono, anemia e disfunção renal — e o acompanhamento ambulatorial regular completam o arsenal não farmacológico do manejo dessa síndrome.
8. O papel do Instituto Inject no diagnóstico e acompanhamento da insuficiência cardíaca
O Instituto Inject, em Marília-SP, oferece uma abordagem diferenciada para pacientes com insuficiência cardíaca — seja no diagnóstico inicial, seja no acompanhamento de longo prazo. Sob a liderança do Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo, cardiologista com PhD pela USP e formação em Prevenção Cardiovascular, o Instituto integra no mesmo espaço todos os recursos necessários para uma avaliação cardíaca de alta precisão.
Para o paciente com suspeita ou diagnóstico estabelecido de insuficiência cardíaca, o Instituto oferece: ecocardiograma para avaliação precisa da fração de ejeção, função diastólica e geometria ventricular; Holter 24 horas para monitoramento de arritmias — frequentemente associadas à IC; MAPA 24 horas para avaliação do controle pressórico ao longo das 24 horas; teste ergométrico para estratificação da capacidade funcional; bioimpedância para avaliação da composição corporal e do estado volêmico; e scanner 3D corporal complementar. Toda essa estrutura permite que o paciente com IC receba, em uma única localização, uma avaliação cardiológica tão abrangente quanto a oferecida nos grandes centros universitários — com o diferencial do atendimento personalizado e do laudo individualizado elaborado pelo próprio Dr. Estevão.
A Atualização Focada ESC 2023 reforça a importância do acompanhamento multidisciplinar e do cuidado centrado no paciente como pilares do manejo moderno da insuficiência cardíaca — e é exatamente essa filosofia que norteia cada consulta no Instituto Inject. O objetivo não é apenas tratar — é compreender o indivíduo em sua totalidade e construir com ele uma estratégia de longo prazo que preserve a qualidade de vida, evite hospitalizações e prolongue os anos saudáveis.
FAQ — Perguntas Frequentes sobre Insuficiência Cardíaca
1. Insuficiência cardíaca tem cura? Na maioria dos casos, a insuficiência cardíaca não tem cura definitiva, mas é amplamente controlável. Com tratamento adequado baseado nas diretrizes mais recentes — incluindo os quatro pilares farmacológicos e modificações de estilo de vida —, muitos pacientes vivem por décadas com boa qualidade de vida. Em alguns casos de IC com causa tratável (como hipertireoidismo ou cardiomiopatia taquicardia-induzida), a reversão é possível.
2. Quais os primeiros sinais de insuficiência cardíaca? Os primeiros sinais frequentemente incluem cansaço aos esforços habituais que antes não causavam fadiga, falta de ar ao subir escadas ou caminhar em ritmo acelerado, leve inchaço nos tornozelos no final do dia e ganho de peso sem explicação alimentar. Esses sintomas podem ser sutis e progressivos — e é justamente por isso que o acompanhamento cardiológico regular é fundamental.
3. O que é fração de ejeção e por que ela importa? A fração de ejeção (FEVE) é a porcentagem de sangue que o ventrículo esquerdo ejeta a cada batimento. O normal é acima de 50-55%. Na IC com fração de ejeção reduzida (abaixo de 40%), o coração contrai com menos força, o que compromete o fluxo para os órgãos. A FEVE guia o tipo de tratamento e é medida pelo ecocardiograma — exame realizado no Instituto Inject.
4. Insuficiência cardíaca é a mesma coisa que infarto? Não. O infarto é a morte de células do músculo cardíaco por obstrução aguda de uma artéria coronária. Já a insuficiência cardíaca é uma síndrome crônica em que o coração perde progressivamente sua capacidade de bombear sangue de forma adequada. O infarto é uma das causas mais comuns de IC — mas a IC pode surgir de muitas outras causas, como hipertensão, cardiomiopatias e doenças valvares.
5. Insuficiência cardíaca pode ser prevenida? Em grande parte, sim. O controle rigoroso dos principais fatores de risco — hipertensão arterial, diabetes, obesidade, tabagismo, sedentarismo e dislipidemia — reduz substancialmente o risco de desenvolver insuficiência cardíaca. O diagnóstico precoce de disfunção ventricular assintomática, possível com o ecocardiograma durante o check-up cardiovascular, permite iniciar tratamento antes que a síndrome se manifeste clinicamente.
Conclusão
Chegamos ao fim de mais um conteúdo desenvolvido pelo Instituto Inject. Neste blog post abordamos: (1) o que é a insuficiência cardíaca e por que o coração "falha", compreendendo a fisiopatologia do remodelamento cardíaco e da ativação neuro-hormonal; (2) os três fenótipos de IC segundo a fração de ejeção — HFrEF, HFmrEF e HFpEF —, com suas características e implicações terapêuticas; (3) os sinais e sintomas da IC, da dispneia ao edema, incluindo a classificação funcional NYHA; (4) o diagnóstico baseado em peptídeos natriuréticos (BNP e NT-proBNP) e ecocardiograma, conforme as Diretrizes ESC 2021; (5) os quatro pilares do tratamento da HFrEF — ARNI, betabloqueador, ARM e inibidores de SGLT2 — com suas evidências de redução de mortalidade; (6) a revolução dos inibidores de SGLT2 para todos os tipos de IC, impulsionada pelos estudos EMPEROR-Preserved (NEJM, 2021) e DELIVER (NEJM, 2022) e incorporada à Atualização Focada ESC 2023; (7) as intervenções de estilo de vida recomendadas pelas diretrizes, incluindo o exercício físico supervisionado; e (8) o papel do Instituto Inject no diagnóstico de precisão e acompanhamento multidisciplinar da insuficiência cardíaca.
A mensagem central é clara: insuficiência cardíaca diagnosticada cedo e tratada com base nas melhores evidências disponíveis tem prognóstico muito melhor do que a maioria das pessoas imagina. O momento de agir é agora — antes que os sintomas apareçam.
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Cuide do seu coração com quem entende do assunto.
Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo CRM SP 195033 | RQE 70601-70602/1 Cardiologia | PhD pela USP Instituto Inject — Marília, SP
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