Introdução

Entre 2019 e 2023, a taxa de infarto em adultos de 18 a 44 anos nos Estados Unidos cresceu 66% — enquanto diminuiu em todas as outras faixas etárias. No Brasil, o cenário é igualmente preocupante: obesidade, hipertensão e diabetes estão avançando entre jovens, e muitos chegam ao serviço de emergência sem sequer suspeitar de um evento cardíaco. O infarto em jovens deixou de ser exceção para se tornar uma tendência documentada pela ciência. No Instituto Inject, em Marília-SP, o Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo avalia esse risco com a precisão que cada paciente merece — antes que o coração precise pedir socorro.

 

Veja a seguir os tópicos que serão abordados neste blog post: Infarto em Jovens: Os Casos Cresceram e os Sinais São Esses

  1. O que os dados revelam: o infarto em jovens está crescendo
  2. Por que jovens infartam? A aterosclerose precoce em foco
  3. Fatores de risco tradicionais que aparecem cada vez mais cedo
  4. Fatores de risco emergentes: o que vai além do colesterol
  5. Dissecção espontânea de artéria coronária: o infarto sem aterosclerose
  6. Os sinais de alerta: como o infarto se manifesta em jovens
  7. Por que o diagnóstico é frequentemente atrasado em jovens
  8. Como o Instituto Inject avalia o risco cardiovascular em jovens

 

Se você tem menos de 45 anos e nunca associou sua rotina ao risco de infarto, este conteúdo foi escrito para você. Entender os sinais e fatores de risco do infarto em jovens pode salvar uma vida — inclusive a sua.

 

1. O que os dados revelam: o infarto em jovens está crescendo

Durante décadas, o infarto agudo do miocárdio foi considerado uma doença de homens de meia-idade e idosos. Essa percepção foi eficaz em orientar políticas de saúde pública durante o século XX, mas tornou-se perigosamente defasada diante do cenário epidemiológico atual. Os dados mais recentes são inequívocos: o infarto em jovens está crescendo, e esse crescimento ocorre exatamente enquanto os índices de infarto nas faixas etárias mais velhas apresentam queda ou estabilização.

Segundo dados do National Center for Health Statistics dos Estados Unidos, a prevalência de infarto agudo do miocárdio em adultos de 18 a 44 anos aumentou de 0,3% em 2019 para 0,5% em 2023 — um crescimento de 66% em apenas quatro anos. Ao mesmo tempo, os eventos cardíacos diminuíram em todos os demais grupos etários adultos, evidenciando uma inversão preocupante de tendência.

Um estudo publicado no American Journal of Medicine, avaliando mais de 2.000 jovens admitidos por infarto em dois hospitais americanos entre 2000 e 2016, demonstrou que 1 em cada 5 pacientes tinha 40 anos ou menos — e que essa proporção vinha crescendo 2% ao ano durante a última década do estudo. Mais alarmante: jovens que sofreram infarto apresentaram risco de morte por novo infarto, AVC ou outra causa comparável ao de adultos mais velhos. A proteção conferida pela juventude, portanto, não se sustenta após o primeiro evento cardíaco. O infarto em jovens deixou de ser uma raridade estatística para se tornar uma realidade clínica urgente.

 

2. Por que jovens infartam? A aterosclerose precoce em foco

O mecanismo mais frequente por trás do infarto agudo do miocárdio — em qualquer faixa etária — é a ruptura de uma placa aterosclerótica instável na parede de uma artéria coronária, com formação subsequente de trombo e obstrução do fluxo sanguíneo. Embora a aterosclerose seja classicamente associada ao envelhecimento, o processo começa silenciosamente muito antes: estudos anatomopatológicos demonstraram estrias lipídicas nas artérias coronárias de adolescentes e adultos jovens que morreram por causas não cardíacas.

Um artigo de revisão publicado no periódico Medicina (2025) consolidou o entendimento atual sobre o tema: o infarto em jovens — tradicionalmente definido como adultos com menos de 45 anos — está ocorrendo com frequência crescente mesmo na ausência dos fatores de risco clássicos de longa data, como hipertensão estabelecida, diabetes e aterosclerose avançada. Isso sugere que mecanismos alternativos e fatores de risco não convencionais têm papel relevante nessa população específica.

A aterosclerose prematura em jovens resulta de uma combinação de predisposição genética, exposição precoce a fatores de risco metabólicos e comportamentais e da biologia própria do processo inflamatório vascular. Lipoproteína(a) elevada, por exemplo, é um fator de risco genético independente que pode acelerar drasticamente o processo aterosclerótico em indivíduos jovens com perfil lipídico aparentemente normal. Um estudo publicado no JACC (2023) destacou que jovens adultos podem apresentar risco cardiovascular de longo prazo elevado mesmo quando as calculadoras convencionais de risco de curto prazo os classificam como de baixo risco — uma limitação importante dos modelos atuais de estratificação.

 

3. Fatores de risco tradicionais que aparecem cada vez mais cedo

Um dos mais importantes estudos epidemiológicos recentes sobre o tema foi publicado no JAMA em março de 2023. A pesquisa, conduzida por Aggarwal, Wadhera e colaboradores no Beth Israel Deaconess Medical Center e Harvard Medical School, analisou 12.924 adultos americanos de 20 a 44 anos ao longo de mais de uma década (2009 a 2020). Os resultados foram reveladores: a prevalência de obesidade nessa faixa etária saltou de 32,7% para 40,9%; a de diabetes subiu de 3% para 4,1%; e a de hipertensão passou de 9,3% para 11,5% — sem melhora nos índices de controle e tratamento.

Segundo o estudo publicado no JAMA (2023), esse aumento da carga de fatores de risco cardiovascular em jovens adultos representa uma ameaça real à saúde pública de longo prazo, especialmente em populações negras, hispânicas e mexicanas-americanas, que apresentaram as maiores elevações de prevalência. O tabagismo, outro fator de risco central no infarto em jovens, permaneceu em patamares elevados e sem declínio ao longo do período estudado.

O que esses dados revelam é que os fatores de risco para o infarto em jovens não são novos — são os mesmos descritos há décadas. O que mudou é a velocidade com que estão se instalando em idades progressivamente menores, alimentados por padrões alimentares ultraprocessados, sedentarismo crescente, estresse psicossocial crônico e sono inadequado. A pressão arterial que antes aparecia aos 55 anos hoje se manifesta aos 30. A aterosclerose que antigamente começava a ser clinicamente relevante na meia-idade está encontrando terreno fértil em corpos de 35 anos com décadas de exposição a fatores adversos já acumuladas.

 

4. Fatores de risco emergentes: o que vai além do colesterol

Além dos fatores de risco clássicos, a literatura científica recente tem identificado com crescente consistência um conjunto de fatores emergentes que contribuem de forma desproporcional para o infarto em jovens. Uma revisão publicada no periódico Biomolecules (2025) sistematizou essa evidência: variantes genéticas como a lipoproteína(a) elevada, processos inflamatórios e autoimunes, estados de hipercoagulabilidade, uso de substâncias recreativas e estresse psicossocial crônico figuram entre os principais determinantes do infarto agudo do miocárdio em adultos abaixo dos 45 anos.

O uso de drogas ilícitas — especialmente cocaína e cannabis — merece destaque especial. A cocaína induz vasoespasmo coronariano agudo, aumenta a agregação plaquetária, eleva a pressão arterial de forma abrupta e pode provocar infarto mesmo em coronárias sem aterosclerose significativa. Uma revisão publicada no Brazilian Journal of Health Review (2025) confirmou que o uso de substâncias recreativas mostrou associação consistente com desfechos cardiovasculares adversos mediados por disfunção endotelial, vasoespasmo e processos inflamatórios.

O uso de esteroides anabolizantes androgenizantes — prática crescente no contexto da cultura do culto ao corpo — representa outra causa emergente documentada de doença coronariana prematura e infarto em jovens do sexo masculino. O estresse psicossocial crônico, a privação de sono e as longas jornadas de trabalho também foram incorporados ao perfil de risco do infarto em jovens executivos e profissionais de alta performance. Todos esses fatores reforçam a necessidade de uma avaliação cardiovascular que vá além do exame de colesterol de rotina.

 

5. Dissecção espontânea de artéria coronária: o infarto sem aterosclerose

Em uma parcela significativa de jovens — especialmente mulheres — o infarto agudo do miocárdio ocorre por um mecanismo completamente distinto da ruptura de placa aterosclerótica. A dissecção espontânea de artéria coronária, conhecida pela sigla SCAD (do inglês Spontaneous Coronary Artery Dissection), é uma condição em que a parede da artéria coronária se separa espontaneamente, formando um hematoma intramural que obstrui o fluxo sanguíneo e causa infarto — sem que haja placa de gordura ou obstrução aterosclerótica.

O Scientific Statement da American Heart Association publicado no periódico Circulation estabeleceu a SCAD como causa importante de síndrome coronariana aguda, infarto e morte súbita — particularmente em mulheres jovens com poucos ou nenhum fator de risco cardiovascular convencional. Dados de grandes registros angiográficos indicam que a SCAD é responsável por 25% a 35% de todos os casos de infarto em mulheres com menos de 50 anos — um dado que desafia completamente a ideia de que mulheres jovens estão protegidas contra eventos cardíacos graves.

A SCAD está associada a condições como displasia fibromuscular, gravidez e período pós-parto, doenças do tecido conjuntivo (como síndrome de Marfan e síndrome de Ehlers-Danlos), doenças autoimunes e a gatilhos físicos ou emocionais intensos. O diagnóstico exige alto grau de suspeição clínica e, frequentemente, o uso de imagem intracoronariana avançada, pois a angiografia convencional pode subestimar ou não detectar a lesão. Reconhecer a SCAD como causa de infarto em jovens — especialmente mulheres sem fatores de risco tradicionais — é uma das mudanças de paradigma mais importantes da cardiologia moderna.

 

6. Os sinais de alerta: como o infarto se manifesta em jovens

Um dos problemas centrais no manejo do infarto em jovens é o reconhecimento tardio dos sintomas — tanto pelo próprio paciente quanto, em alguns casos, pela equipe de saúde que o atende. A tendência é subestimar a possibilidade de um evento cardíaco grave em um adulto de 30 ou 35 anos, atribuindo os sintomas a causas benignas como ansiedade, dor muscular, refluxo ou cansaço.

Os sintomas clássicos do infarto — dor ou pressão intensa no peito, com irradiação para o braço esquerdo, mandíbula, pescoço ou costas, acompanhada de sudorese fria, náusea e falta de ar — podem estar presentes em jovens, mas frequentemente se apresentam de forma atípica. Dor de menor intensidade, desconforto epigástrico, palpitações, cansaço extremo súbito e mal-estar inespecífico são apresentações documentadas de infarto em jovens, especialmente em mulheres.

Uma análise publicada no Journal of the American Heart Association em 2026, avaliando dados de internações entre 2011 e 2022, demonstrou que a mortalidade por infarto aumentou em adultos abaixo de 55 anos — e que mulheres nessa faixa etária apresentaram maior probabilidade de morte após o primeiro evento cardíaco do que homens de mesma idade, mesmo após ajuste para fatores de risco. Fatores não tradicionais — como baixa renda, doença renal e uso de drogas não tabágicas — foram os mais associados à mortalidade nesse grupo. Diante de qualquer sintoma suspeito em um adulto jovem, o tempo de resposta é determinante: cada minuto de atraso no diagnóstico e tratamento do infarto em jovens representa maior dano ao músculo cardíaco.

 

7. Por que o diagnóstico é frequentemente atrasado em jovens

O atraso no diagnóstico do infarto em jovens não é apenas um problema do paciente — é também um desafio sistêmico. Há uma percepção amplamente arraigada, tanto na população geral quanto em parte dos serviços de saúde, de que jovens não infartam. Essa crença leva a dois problemas concretos: o próprio paciente demora a buscar atendimento, e a equipe de emergência pode não priorizar a investigação cardíaca em um adulto de 28 ou 35 anos que chega com dor torácica.

Um artigo publicado no periódico Medicina (2025) destacou que os modelos convencionais de estratificação de risco cardiovascular foram desenvolvidos e validados predominantemente em populações mais velhas. Quando aplicados a jovens adultos, esses modelos frequentemente classificam indivíduos como de "baixo risco de curto prazo" — mesmo quando o risco de longo prazo é significativo. O resultado é que fatores de risco emergentes, histórico familiar de doença coronariana prematura e biomarcadores genéticos como a lipoproteína(a) raramente são investigados de rotina nessa faixa etária.

O diagnóstico precoce do infarto em jovens depende, portanto, de duas mudanças fundamentais: maior consciência da população sobre os sinais de alerta e maior proatividade dos serviços de saúde na investigação cardiovascular de jovens com fatores de risco. A avaliação com ECG, marcadores de necrose miocárdica (troponina), ecocardiograma e, quando indicado, teste ergométrico e tomografia de coronárias — todos disponíveis no Instituto Inject — permite identificar doença coronariana em estágio inicial, muito antes de um evento agudo.

 

8. Como o Instituto Inject avalia o risco cardiovascular em jovens

A detecção precoce do risco de infarto em jovens exige uma abordagem que vá além dos exames laboratoriais convencionais. No Instituto Inject, sob a condução do Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo, a avaliação cardiovascular de adultos jovens é estruturada para identificar tanto os fatores de risco tradicionais quanto os emergentes — antes que eles se traduzam em um evento cardíaco irreversível.

Segundo a revisão publicada no JACC State-of-the-Art (2022), o manejo do risco aterosclerótico em adultos jovens deve incorporar tanto as ferramentas convencionais de estratificação quanto marcadores não tradicionais — como escore de cálcio coronariano por tomografia, lipoproteína(a) sérica e escores de risco genético — para identificar indivíduos com risco de longo prazo elevado que seriam incorretamente classificados como de baixo risco pelos modelos tradicionais.

No Instituto Inject, a avaliação completa inclui eletrocardiograma em repouso, ecocardiograma, holter de 24 horas, MAPA, teste ergométrico, bioimpedância e, quando indicado, tomografia de coronárias com escore de cálcio. O laudo técnico individualizado elaborado pelo Dr. Estevão integra todos esses dados em um plano de prevenção personalizado, com metas concretas para controle dos fatores de risco identificados. Prevenir o infarto em jovens é possível — desde que a investigação seja feita com a seriedade que o tema exige.

 

FAQ

1. A partir de qual idade jovens podem ter infarto? Tecnicamente, o infarto pode ocorrer em qualquer idade. Casos documentados em adolescentes e adultos na faixa dos 20 anos existem na literatura médica, especialmente associados ao uso de drogas, condições genéticas ou dissecção espontânea de artéria coronária. O risco cresce progressivamente a partir dos 30 anos, especialmente na presença de fatores como tabagismo, obesidade, hipertensão e histórico familiar de doença coronariana precoce.

2. Quais são os sinais de infarto em jovens? Os sintomas do infarto em jovens podem ser clássicos — dor intensa no peito com irradiação para braço esquerdo, mandíbula ou costas, acompanhada de suor frio, náusea e falta de ar — ou atípicos, como desconforto leve no peito, fadiga súbita intensa, palpitações e mal-estar inespecífico. Em mulheres jovens, as apresentações atípicas são mais frequentes. Diante de qualquer sintoma suspeito, deve-se buscar atendimento imediato.

3. Jovem que pratica exercício físico pode ter infarto? Sim. O exercício físico é protetor, mas não elimina o risco — especialmente em pessoas com fatores de risco não identificados ou condições genéticas. Atletas jovens podem sofrer infarto por dissecção coronariana espontânea, arritmias associadas a cardiopatias congênitas não diagnosticadas ou pelo uso de substâncias como anabolizantes. A avaliação cardiológica pré-participação é fundamental para identificar riscos ocultos antes da prática esportiva intensa.

4. Infarto em jovens tem cura? Qual é o prognóstico? Com tratamento adequado e rápido — desobstrução da artéria em até 90 minutos do início dos sintomas — muitos pacientes jovens se recuperam sem sequelas significativas. No entanto, estudos mostram que jovens que sofreram infarto apresentam risco de novos eventos cardiovasculares comparável ao de adultos mais velhos. O acompanhamento cardiológico contínuo, a reabilitação cardíaca e o controle rigoroso dos fatores de risco são essenciais para o prognóstico de longo prazo.

5. Como prevenir o infarto sendo jovem? A prevenção do infarto em jovens começa pelo conhecimento dos fatores de risco pessoais. Não fumar, manter peso saudável, controlar pressão arterial e glicemia, dormir bem, gerenciar o estresse e praticar atividade física regularmente são pilares comprovados. Para quem tem histórico familiar de doença cardíaca precoce ou múltiplos fatores de risco, a avaliação cardiológica antes dos 35 ou 40 anos — com exames que incluam ECG, ecocardiograma e perfil lipídico completo — pode identificar riscos antes que se tornem eventos.

 

Conclusão

Chegamos ao fim de mais um conteúdo desenvolvido pelo Instituto Inject. Neste blog post abordamos: (1) os dados que comprovam o crescimento do infarto em jovens; (2) o papel da aterosclerose precoce como mecanismo central; (3) os fatores de risco tradicionais que surgem cada vez mais cedo; (4) os fatores de risco emergentes além do colesterol; (5) a dissecção espontânea de artéria coronária como causa específica em mulheres jovens; (6) os sinais de alerta do infarto em jovens; (7) por que o diagnóstico é frequentemente atrasado; e (8) como o Instituto Inject estrutura a avaliação do risco cardiovascular em adultos jovens.

A ciência é clara: jovens infartam, os casos cresceram, e os sinais existem — mas frequentemente são ignorados. Prevenção cardiovascular não tem idade mínima. Começa hoje.

Se você tem entre 25 e 45 anos e quer saber qual é o seu risco cardiovascular real — com base em exames de precisão e não apenas em suposições — o Instituto Inject está pronto para essa avaliação.

O Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo realiza check-up cardiovascular completo com ECG, Ecocardiograma, Holter, MAPA, Teste Ergométrico, Bioimpedância e laudo técnico individualizado, tudo no mesmo local, em Marília-SP.

Entre em contato pelo WhatsApp (14) 99884-1112 e agende sua consulta. Cuidar do coração agora é a decisão mais inteligente que um jovem pode tomar.

 

Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo CRM SP 195033 | RQE 70601-70602/1 Médico Cardiologista | PhD pela USP

 

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Publicado em 12/06/2026