Introdução
No Brasil, uma pessoa sofre um infarto a cada dois minutos. São mais de 300 mil infartos por ano, segundo o Ministério da Saúde — e cerca de metade das mortes ocorre na primeira hora após o início dos sintomas, antes mesmo de qualquer atendimento médico. O infarto do miocárdio é, ao mesmo tempo, a maior causa de morte cardiovascular do país e uma das condições mais preveníveis da medicina moderna. Em 2025, a Diretriz AHA/ACC para Manejo das Síndromes Coronarianas Agudas, publicada simultaneamente no Journal of the American College of Cardiology (JACC) e na revista Circulation, trouxe atualizações significativas no diagnóstico, tratamento e prevenção secundária do infarto. No Instituto Inject, em Marília-SP, o Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo avalia preventivamente o risco de infarto com protocolos de precisão — porque o melhor tratamento do infarto é aquele que o evita.
Veja a seguir os tópicos que serão abordados neste blog post: Infarto do Miocárdio: Sintomas, Causas, Tratamento e Prevenção Segundo as Diretrizes de 2025
- O que é o infarto do miocárdio e como ele acontece
- Tipos de infarto: com e sem supradesnivelamento do ST
- Sintomas do infarto: os sinais que nunca devem ser ignorados
- Causas e fatores de risco do infarto do miocárdio
- Como é feito o diagnóstico do infarto: ECG e troponina ultrassensível
- Tratamento do infarto em 2025: o que mudou na Diretriz AHA/ACC
- Prevenção secundária: como evitar um segundo infarto
- Prevenção primária: como o Instituto Inject avalia seu risco antes do infarto acontecer
O infarto do miocárdio pode ser prevenido, tratado e, cada vez mais, detectado antes de acontecer. Leia este artigo até o final e entenda o que a ciência mais recente diz sobre essa condição — e o que você pode fazer hoje para proteger o seu coração.
1. O Que É o Infarto do Miocárdio e Como Ele Acontece
O infarto agudo do miocárdio (IAM) é a morte de células do músculo cardíaco causada pela interrupção súbita do fluxo de sangue para uma região do coração. Esse evento ocorre quando uma artéria coronária — responsável por irrigar o músculo cardíaco — é bloqueada de forma abrupta, privando o tecido cardíaco de oxigênio e nutrientes.
O mecanismo mais comum, responsável pela grande maioria dos infartos — o chamado Infarto Tipo 1 pela Universal Definition of MI, adotado pela Diretriz AHA/ACC 2025 — é a ruptura ou erosão de uma placa aterosclerótica na parede da artéria coronária, seguida pela formação de um coágulo (trombo) que obstrui o vaso. A aterosclerose, processo silencioso de acúmulo de gordura e inflamação nas paredes arteriais, é o substrato patológico subjacente à quase totalidade dos infartos.
O tempo é o fator mais crítico no infarto. A cada minuto sem fluxo coronariano, aproximadamente 2 milhões de células cardíacas morrem irreversivelmente. O dano final ao músculo cardíaco depende diretamente do tempo entre a oclusão da artéria e a restauração do fluxo — razão pela qual o reconhecimento precoce dos sintomas e o atendimento de emergência imediato salvam vidas.
2. Tipos de Infarto: Com e Sem Supradesnivelamento do ST
A Diretriz AHA/ACC 2025 — publicada no JACC e na Circulation (Rao S, O'Donoghue ML, Ruel M et al. JACC. 2025;85:1301–1564) — organiza as síndromes coronarianas agudas em três apresentações clínicas principais:
IAM com supradesnivelamento do ST (IAM-CSST ou STEMI): ocorre quando há oclusão total e aguda de uma artéria coronária. O ECG mostra elevação característica do segmento ST. É a forma mais grave e exige reperfusão imediata — preferencialmente por angioplastia primária (ICP) em até 90 minutos do primeiro contato médico.
IAM sem supradesnivelamento do ST (IAM-SSST ou NSTEMI): ocorre com oclusão parcial ou com fluxo coronariano reduzido. O ECG pode mostrar infradesnivelamento do ST ou inversão de onda T, mas sem o supra característico. O diagnóstico é confirmado pela elevação da troponina ultrassensível.
Angina instável: síndrome de dor isquêmica sem elevação de troponina — menos grave que o NSTEMI, mas igualmente exigente em termos de investigação e manejo.
Uma atualização relevante da Diretriz SBC de Dor Torácica na Emergência 2025 é a incorporação formal de novos padrões eletrocardiográficos de oclusão coronariana aguda — como a Síndrome de Wellens e o padrão de DeWinter — que indicam risco crítico mesmo sem o supradesnivelamento clássico do ST.
3. Sintomas do Infarto: Os Sinais que Nunca Devem Ser Ignorados
O reconhecimento precoce dos sintomas do infarto é a intervenção mais importante que um leigo pode realizar — e pode salvar a própria vida ou a de alguém próximo. Os sintomas mais comuns incluem:
Dor ou pressão no peito: o sintoma mais característico. Descrita frequentemente como "aperto", "peso", "queimação" ou "pressão" no centro do tórax, podendo irradiar para o braço esquerdo, mandíbula, pescoço, ombros ou costas. Em geral persiste por mais de 20 minutos e não melhora com repouso.
Falta de ar: pode acompanhar ou preceder a dor torácica, especialmente em idosos e diabéticos.
Sudorese fria, náuseas e vômitos: frequentes no infarto inferior, por ativação do nervo vago.
Tontura ou desmaio: podem indicar comprometimento hemodinâmico ou arritmia associada.
Fadiga intensa e inexplicável: especialmente em mulheres, pode ser a única manifestação — motivo pelo qual o infarto feminino é frequentemente subdiagnosticado.
A Diretriz SBC 2025 e a Diretriz AHA/ACC 2025 reforçam que a apresentação atípica é especialmente frequente em mulheres, idosos e diabéticos — grupos nos quais a dor torácica clássica pode estar ausente e os sintomas podem se limitar a mal-estar, fadiga, dispneia e desconforto epigástrico. Diante de qualquer suspeita, ligue imediatamente para o SAMU (192) ou dirija-se à emergência mais próxima.
4. Causas e Fatores de Risco do Infarto do Miocárdio
O infarto do miocárdio raramente é um evento isolado — ele é o desfecho de um processo aterosclerótico que se desenvolve silenciosamente ao longo de anos ou décadas. Os principais fatores de risco identificados pelas diretrizes internacionais são:
Fatores de risco modificáveis — os mais importantes por serem tratáveis:
- Hipertensão arterial: o principal fator de risco isolado para infarto no Brasil
- Dislipidemia (LDL elevado): a aterosclerose não acontece sem colesterol
- Diabetes mellitus tipo 2: multiplica o risco cardiovascular por 2 a 4 vezes
- Tabagismo: cada cigarro danifica o endotélio vascular e acelera a aterosclerose
- Obesidade e síndrome metabólica: especialmente a gordura visceral
- Sedentarismo: fator de risco independente, mesmo na ausência dos demais
- Estresse crônico: ativa o sistema nervoso simpático e promove inflamação vascular
Fatores de risco não modificáveis:
- Idade: homens acima de 45 anos e mulheres acima de 55 anos
- Sexo masculino: homens têm risco maior antes da menopausa feminina
- História familiar: infarto em parente de primeiro grau antes dos 55 anos (homens) ou 65 anos (mulheres)
- Lipoproteína(a) elevada: fator genético independente — como abordamos no artigo anterior do Instituto Inject
5. Como É Feito o Diagnóstico do Infarto: ECG e Troponina Ultrassensível
O diagnóstico do infarto agudo do miocárdio combina três elementos: apresentação clínica, eletrocardiograma (ECG) e marcadores de necrose miocárdica, especialmente a troponina.
Eletrocardiograma (ECG): deve ser realizado em até 10 minutos após o primeiro contato médico, conforme a Diretriz SBC de Dor Torácica na Emergência 2025. É o exame mais rápido e decisivo para identificar o IAM-CSST e indicar reperfusão imediata. A leitura correta exige treinamento especializado — razão pela qual o Dr. Estevão dedica um livro inteiro ao tema (101 Desafios em Eletrocardiograma, Sanar, 2019).
Troponina ultrassensível: marcador bioquímico de necrose miocárdica com altíssima sensibilidade e especificidade. A Diretriz AHA/ACC 2025 e a Diretriz SBC 2025 recomendam o protocolo de dosagem rápida (0h/1h ou 0h/2h) com troponina ultrassensível para confirmar ou excluir o IAM com segurança em poucas horas. A troponina convencional, quando a ultrassensível não está disponível, exige coletas a 0h e entre 3 e 6 horas.
Novos padrões eletrocardiográficos: a Diretriz SBC 2025 formalizou a inclusão de padrões como Wellens, DeWinter e LBBB novo como equivalentes ao supradesnivelamento do ST — indicativos de oclusão coronariana aguda que exigem reperfusão imediata, mesmo sem o supra clássico. Essa mudança é clinicamente revolucionária e reduz o risco de infarto grave não reconhecido no pronto-socorro.
6. Tratamento do Infarto em 2025: O Que Mudou na Diretriz AHA/ACC
A Diretriz AHA/ACC 2025 para Síndromes Coronarianas Agudas (Rao S et al. JACC. 2025;85:1301–1564 | Circulation. 2025) trouxe mudanças práticas relevantes que impactam diretamente o desfecho dos pacientes:
Revascularização completa — nova recomendação Classe 1
Uma das maiores mudanças: a diretriz agora recomenda com grau máximo de evidência (Classe 1) a revascularização completa em pacientes com STEMI ou NSTEMI que apresentam doença multiarterial — ou seja, tratar não apenas a artéria causadora do infarto, mas também as demais lesões coronarianas significativas. Essa estratégia pode ser realizada durante o procedimento índice ou em etapa posterior, com base na complexidade da doença e nas comorbidades do paciente.
Imagem intracoronária — agora Classe 1
O uso de imagem intracoronária (ultrassom intravascular ou OCT) para guiar a angioplastia foi elevado de recomendação moderada para Classe 1 — evidenciando que procedimentos guiados por imagem têm melhores resultados do que os realizados apenas com fluoroscopia convencional.
Acesso radial preferencial
A abordagem radial (pelo pulso) é preferida sobre a femoral (pela virilha) para realização da angioplastia, reduzindo sangramento, complicações vasculares e mortalidade.
Terapia antiplaquetária dupla (DAPT) individualizada
A DAPT com aspirina e um inibidor P2Y12 (ticagrelor ou prasugrel) continua sendo recomendada por pelo menos 12 meses após o infarto em pacientes de baixo risco de sangramento. Para pacientes de alto risco de sangramento, a diretriz detalha estratégias alternativas de desescalonamento — sempre com balanço individualizado entre risco isquêmico e hemorrágico.
Manejo do choque cardiogênico
A diretriz atualiza o manejo do choque cardiogênico — complicação mais temida do infarto — com orientações sobre o uso de dispositivos de suporte mecânico circulatório, incluindo a bomba de fluxo axial microaxial, com atenção às contraindicações e riscos associados.
7. Prevenção Secundária: Como Evitar um Segundo Infarto
Após um infarto, o risco de um segundo evento é substancialmente elevado — e a prevenção secundária é uma das prioridades clínicas mais importantes da cardiologia moderna. A Diretriz AHA/ACC 2025 e a Diretriz de Dislipidemias SBC 2025 estabelecem para pacientes pós-infarto:
Meta de LDL abaixo de 50 mg/dL (muito alto risco) ou abaixo de 40 mg/dL (risco extremo — pacientes com múltiplos eventos ou doença progressiva), com início imediato de estatina de alta potência, associada a ezetimiba e, se necessário, inibidor de PCSK9.
Betabloqueadores: indicados por pelo menos 12 meses após IAM com disfunção ventricular esquerda.
IECA ou BRA: para todos os pacientes com disfunção ventricular, diabetes ou hipertensão associados.
Reabilitação cardíaca supervisionada: recomendada formalmente pela Diretriz AHA/ACC 2025 como intervenção de Classe 1 — demonstra redução de mortalidade, melhora da capacidade funcional e qualidade de vida.
Cessação do tabagismo, controle pressórico, glicêmico e do peso: pilares insubstituíveis do cuidado pós-infarto.
8. Prevenção Primária: Como o Instituto Inject Avalia Seu Risco Antes do Infarto Acontecer
A melhor notícia sobre o infarto do miocárdio é que ele é, em grande medida, previsível e prevenível. Antes do primeiro evento, existem ferramentas diagnósticas capazes de identificar com precisão quem está em risco — e intervir a tempo.
No Instituto Inject, o Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo utiliza um protocolo de avaliação cardiovascular preventiva que inclui:
- Estratificação de risco pelo escore PREVENT (novo escore recomendado pela AHA/ACC 2025), que incorpora função renal, uso de estatinas e determinantes individuais de risco
- Escore de cálcio coronariano — um dos melhores preditores de aterosclerose subclínica disponíveis
- Lipidograma completo com LDL, ApoB e Lp(a) — identificando risco residual genético
- PCR ultrassensível — marcador de inflamação vascular crônica
- Teste Ergométrico — avaliação funcional da reserva coronariana
- Ecocardiograma — análise estrutural e funcional do coração
- MAPA — avaliação da pressão arterial ao longo de 24 horas
Essa avaliação integrada permite identificar a aterosclerose silenciosa anos antes do infarto — e tratar os fatores de risco com metas precisas e individualizadas. Porque o infarto não começa na emergência: ele começa décadas antes, nas artérias silenciosas de quem não sabia que estava em risco.
Perguntas Frequentes sobre Infarto do Miocárdio
O infarto sempre causa dor no peito? Não. Até 30% dos infartos podem ter apresentação atípica ou silenciosa — especialmente em mulheres, idosos e diabéticos. Sintomas como fadiga intensa, falta de ar, náuseas e mal-estar sem causa aparente podem ser a única manifestação. Por isso, diante de qualquer suspeita, o atendimento de emergência imediato é fundamental.
Infarto pode acontecer em pessoas jovens e saudáveis? Sim. Embora menos frequente, o infarto pode ocorrer em adultos jovens — especialmente na presença de hipercolesterolemia familiar, tabagismo, cocaína, hipertensão não tratada ou Lp(a) muito elevada. Pessoas com histórico familiar de infarto precoce devem iniciar avaliação cardiológica antes dos 40 anos.
Quanto tempo tenho para chegar ao hospital em caso de infarto? O tempo é crítico. A janela ideal para reperfusão no IAM-CSST é de até 90 minutos do primeiro contato médico à abertura da artéria. A cada 30 minutos de atraso, a mortalidade aumenta significativamente. Ao menor sinal de infarto, ligue imediatamente para o SAMU (192).
Quem já teve infarto pode praticar exercícios? Sim — com avaliação médica prévia e, idealmente, dentro de um programa de reabilitação cardíaca supervisionada, recomendada como Classe 1 pela Diretriz AHA/ACC 2025. O exercício físico regular após o infarto reduz a mortalidade, melhora a função cardíaca e a qualidade de vida.
O estresse pode causar infarto? Sim. O estresse crônico ativa o sistema nervoso simpático, eleva a pressão arterial, promove inflamação vascular e aumenta a agregabilidade plaquetária — todos mecanismos que contribuem para a ruptura de placas ateroscleróticas e formação de trombos coronarianos. A síndrome de Takotsubo, também chamada de "síndrome do coração partido", é um exemplo extremo de infarto desencadeado por estresse emocional agudo.
Conclusão
Chegamos ao fim de mais um conteúdo desenvolvido pelo Instituto Inject. Neste blog post abordamos: o mecanismo do infarto do miocárdio e a importância do tempo para o desfecho; os tipos de infarto — STEMI e NSTEMI — e os novos padrões eletrocardiográficos reconhecidos pela diretriz de 2025; os sintomas clássicos e atípicos, com destaque para as apresentações em mulheres, idosos e diabéticos; os fatores de risco modificáveis e não modificáveis; o diagnóstico baseado em ECG e troponina ultrassensível; as principais mudanças da Diretriz AHA/ACC 2025, incluindo revascularização completa como Classe 1 e uso de imagem intracoronária; as estratégias de prevenção secundária para quem já teve infarto; e o protocolo de avaliação preventiva do Instituto Inject para identificar o risco antes do primeiro evento.
O infarto do miocárdio mata — mas pode ser prevenido. E quando acontece, o desfecho depende da velocidade do diagnóstico e da qualidade do tratamento. Nos dois casos, a cardiologia de precisão faz a diferença.
Não espere o infarto para cuidar do seu coração.
Agende agora sua avaliação cardiovascular preventiva no Instituto Inject e descubra seu risco de infarto com precisão — antes que ele aconteça.
Instituto Inject — Marília, SP
WhatsApp para agendamento: (14) 99884-1112
Cuide da sua saúde com a precisão que você merece.
Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo CRM SP 195033 | RQE 70601-70602/1 Cardiologista | PhD pela USP Instituto Inject — Marília, SP
Referências Bibliográficas
- Rao S, O'Donoghue ML, Ruel M, et al. 2025 ACC/AHA/ACEP/NAEMSP/SCAI Guideline for the Management of Patients With Acute Coronary Syndromes. J Am Coll Cardiol. 2025;85:1301–1564. Também publicado em: Circulation. 2025.
- Rached FH, Miname MH, Rocha VZ, et al. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose — 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250640.
- Diretriz Brasileira de Dor Torácica na Emergência — SBC 2025. Arq Bras Cardiol. 2025.
- Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 2.994, de 13 de dezembro de 2011. Rede de Atenção ao Infarto Agudo do Miocárdio. Brasília: MS; 2011.