Introdução
Você sabia que a hipertensão arterial afeta mais de 36% dos adultos brasileiros — e que a grande maioria deles não sabe que convive com a doença? Segundo a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, elaborada em conjunto pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), pela Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) e pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), a pressão alta é o principal fator de risco modificável para infarto, AVC e insuficiência cardíaca no Brasil. No Instituto Inject, em Marília-SP, o Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo avalia e trata a hipertensão arterial com o rigor técnico de quem foi formado pela USP e construiu sua prática sobre um princípio inegociável: Ciência acima de modismos.
Veja a seguir os tópicos que serão abordados neste blog post: Hipertensão Arterial: O Que É, Sintomas, Causas e Como Tratar Segundo as Diretrizes de 2025
- O que é hipertensão arterial e como ela é definida em 2025
- A nova classificação da pressão arterial: o que mudou com a Diretriz SBC 2025
- Sintomas da hipertensão arterial: por que é chamada de "assassina silenciosa"
- Causas e fatores de risco da pressão alta
- Como é feito o diagnóstico correto da hipertensão arterial
- Metas de tratamento: o que as diretrizes 2025 recomendam
- Tratamento da hipertensão arterial: estilo de vida e medicação
- Hipertensão arterial e risco cardiovascular: quando procurar um cardiologista
Se você chegou até aqui, provavelmente tem dúvidas sobre hipertensão arterial — ou conhece alguém que deveria cuidar da pressão. Leia este artigo até o final: as informações a seguir são baseadas nas diretrizes mais recentes publicadas em 2025 e podem fazer diferença na sua saúde cardiovascular.
1. O Que É Hipertensão Arterial e Como Ela É Definida em 2025
A hipertensão arterial é uma doença crônica não transmissível definida pela elevação persistente da pressão arterial (PA) nos vasos sanguíneos. Em termos técnicos, o diagnóstico é confirmado quando a pressão arterial sistólica (PAS) é igual ou superior a 140 mmHg e/ou a pressão arterial diastólica (PAD) é igual ou superior a 90 mmHg, medida em pelo menos duas ocasiões distintas.
A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025 (Brandão et al., Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250624), publicada em parceria pela SBC, SBH e SBN, reforça que a hipertensão arterial não é apenas um número elevado no aparelho — é uma condição que promove lesão progressiva e silenciosa em órgãos-alvo como coração, rins, cérebro e vasos sanguíneos. Quanto mais tempo sem controle, maior o risco de complicações graves. Por isso, o diagnóstico precoce é uma das prioridades centrais do novo guideline.
2. A Nova Classificação da Pressão Arterial: O Que Mudou com a Diretriz SBC 2025
Uma das mudanças mais relevantes trazidas pela Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025 é a criação da categoria pré-hipertensão, que passa a incluir valores de pressão arterial sistólica entre 120 e 139 mmHg e/ou diastólica entre 80 e 89 mmHg. Isso significa que a pressão de 12 por 8, antes considerada "normal", agora é um sinal de alerta.
A nova classificação completa ficou assim:
- Pressão normal: PAS < 120 mmHg e PAD < 80 mmHg
- Pré-hipertensão: PAS 120–139 mmHg e/ou PAD 80–89 mmHg
- Hipertensão Estágio 1: PAS 140–159 mmHg e/ou PAD 90–99 mmHg
- Hipertensão Estágio 2: PAS 160–179 mmHg e/ou PAD 100–109 mmHg
- Hipertensão Estágio 3: PAS ≥ 180 mmHg e/ou PAD ≥ 110 mmHg
O objetivo dessa reclassificação é identificar precocemente indivíduos em risco e antecipar intervenções preventivas antes que a hipertensão arterial se instale de forma definitiva. A Diretriz AHA/ACC 2025 e a Diretriz ESC 2024 convergem nessa tendência de intervenção mais precoce, com metas de pressão arterial mais rigorosas para todos os grupos de risco.
3. Sintomas da Hipertensão Arterial: Por Que É Chamada de "Assassina Silenciosa"
A hipertensão arterial é chamada de "assassina silenciosa" por um motivo muito preciso: na grande maioria dos casos, ela não provoca sintoma algum. Não há dor, não há sinal visível, não há aviso. O paciente convive com a pressão elevada por anos — e frequentemente só descobre a condição quando ocorre uma complicação grave, como infarto ou AVC.
Quando presentes, os sintomas da hipertensão arterial podem incluir: dor de cabeça (especialmente occipital, ao acordar), tontura, zumbido no ouvido, visão turva, fadiga e palpitações. No entanto, esses sintomas são inespecíficos e podem ocorrer em diversas outras condições. A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025 reforça que a ausência de sintomas não significa ausência de risco — e que o rastreamento regular da pressão arterial é a única forma confiável de detectar a hipertensão arterial precocemente. No Instituto Inject, a medição da pressão arterial faz parte de todo protocolo de avaliação cardiovascular.
4. Causas e Fatores de Risco da Pressão Alta
A hipertensão arterial pode ser classificada em primária (ou essencial), que corresponde a 90–95% dos casos e tem origem multifatorial, e secundária, quando há uma causa identificável subjacente, como doença renal, hiperaldosteronismo primário ou apneia do sono.
Os principais fatores de risco para hipertensão arterial primária, segundo a Diretriz SBC 2025 e a Diretriz AHA/ACC 2025, incluem:
- Genética e história familiar: indivíduos com pais hipertensos têm risco significativamente maior
- Excesso de sódio na dieta: a diretriz SBC 2025 recomenda consumo máximo de 2g de sódio/dia (equivalente a 5g de sal); a média brasileira é o dobro disso
- Obesidade e sedentarismo: o excesso de gordura visceral ativa o sistema renina-angiotensina-aldosterona, elevando a pressão
- Tabagismo e álcool: causas modificáveis com impacto direto na pressão arterial
- Estresse crônico: especialmente relevante em executivos e profissionais de alta performance
- Idade: a prevalência da hipertensão arterial aumenta progressivamente após os 40 anos
- Diabetes e síndrome metabólica: condições que frequentemente coexistem com a hipertensão
Um dado importante da Diretriz AHA/ACC 2025: o rastreamento de hiperaldosteronismo primário — causa reversível de hipertensão secundária — foi ampliado para todos os pacientes com hipertensão estágio 2 ou hipertensão resistente, condição anteriormente subdiagnosticada.
5. Como É Feito o Diagnóstico Correto da Hipertensão Arterial
O diagnóstico da hipertensão arterial exige rigor técnico. A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025 recomenda que o diagnóstico seja confirmado em pelo menos duas medidas em ocasiões diferentes, utilizando equipamento automático de braço validado, com o paciente em repouso de pelo menos 5 minutos, sentado, após 90 minutos sem atividade física e 30 minutos sem cafeína, alimentos ou cigarro.
Para reduzir erros diagnósticos — especialmente a hipertensão do jaleco branco (pressão elevada apenas no consultório) e a hipertensão mascarada (pressão normal no consultório, elevada fora dele) —, a diretriz recomenda fortemente a confirmação por meio de:
- MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial por 24 horas)
- MRPA (Monitorização Residencial da Pressão Arterial)
No Instituto Inject, tanto o MAPA quanto o MRPA estão disponíveis e integrados ao protocolo de diagnóstico cardiovascular de precisão do Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo, permitindo uma avaliação completa e contextualizada da pressão arterial ao longo do dia e da noite.
6. Metas de Tratamento: O Que as Diretrizes 2025 Recomendam
Uma das atualizações mais importantes das diretrizes de 2025 é o estabelecimento de metas mais rigorosas de controle da pressão arterial. Tanto a Diretriz SBC 2025 quanto a Diretriz AHA/ACC 2025 estabelecem como meta geral de tratamento:
PA < 130/80 mmHg para todos os pacientes hipertensos, independentemente do estágio ou do nível de risco cardiovascular — quando tolerado clinicamente.
Essa meta mais agressiva é sustentada por evidências robustas de que o controle intensivo da pressão arterial reduz eventos cardiovasculares maiores, AVC, insuficiência cardíaca e mortalidade geral. A Diretriz ESC 2024 estabelece meta semelhante (120–129/70–79 mmHg para pacientes com menos de 85 anos), com flexibilização para idosos muito frágeis.
A novidade da Diretriz AHA/ACC 2025 é também a adoção da calculadora PREVENT (Predicting Risk of Cardiovascular Disease Events) para estratificação de risco, substituindo as equações antigas e incorporando função renal, uso de estatinas e determinantes sociais de saúde — tornando a estimativa de risco mais precisa e individualizada.
7. Tratamento da Hipertensão Arterial: Estilo de Vida e Medicação
O tratamento da hipertensão arterial é sempre personalizado e combina modificações no estilo de vida com farmacoterapia quando necessário.
Intervenções não medicamentosas
A Diretriz SBC 2025 recomenda para todos os pacientes com PA ≥ 120/80 mmHg:
- Redução do sódio: máximo de 2g/dia (5g de sal), com preferência por substitutos à base de potássio — recomendação também presente na Diretriz AHA/ACC 2025, com evidência de ensaio clínico publicado no New England Journal of Medicine (Neal B et al. N Engl J Med. 2021;385:1067–1077)
- Atividade física regular: ao menos 150 minutos semanais de exercício aeróbico moderado
- Controle do peso corporal: o alcance de IMC saudável reduz significativamente a pressão arterial
- Cessação do tabagismo
- Moderação no consumo de álcool
- Gerenciamento do estresse e respiração lenta: incluídos formalmente pela primeira vez como intervenção recomendada na diretriz brasileira
Farmacoterapia
Quando as medidas não medicamentosas são insuficientes, o tratamento farmacológico é indicado. Uma das mudanças relevantes da Diretriz SBC 2025: pacientes com hipertensão estágio 1 de baixo risco, que antes aguardavam 3 meses de tratamento não medicamentoso para iniciar medicação, agora têm indicação de início imediato de tratamento farmacológico, preferencialmente com combinação de dois medicamentos.
As classes de primeira linha continuam sendo: inibidores da ECA ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA), bloqueadores dos canais de cálcio e diuréticos tiazídicos — sempre sob prescrição e acompanhamento médico individualizado.
8. Hipertensão Arterial e Risco Cardiovascular: Quando Procurar um Cardiologista
A hipertensão arterial não tratada é o principal fator de risco para infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e doença renal crônica. Segundo dados do DATASUS citados pela Diretriz SBC 2025, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil — e a hipertensão arterial está presente na maioria desses casos.
Você deve procurar um cardiologista para avaliação da pressão arterial se:
- Nunca mediu a pressão arterial e tem mais de 35 anos
- Tem histórico familiar de infarto, AVC ou hipertensão
- Sua pressão está acima de 120/80 mmHg com frequência
- Tem diabetes, obesidade, apneia do sono ou síndrome metabólica
- É executivo, atleta ou profissional sob alta demanda de estresse
- Já usa medicação para pressão alta e não sabe se está na meta correta
Perguntas Frequentes sobre Hipertensão Arterial
Qual pressão arterial é considerada alta em 2025? Segundo a Diretriz SBC 2025, a hipertensão arterial é diagnosticada quando a pressão é igual ou superior a 140/90 mmHg em duas medidas em ocasiões diferentes. Valores entre 120–139/80–89 mmHg já são classificados como pré-hipertensão e exigem atenção e mudanças de estilo de vida.
A hipertensão arterial tem cura? A hipertensão arterial primária não tem cura, mas tem controle eficaz. Com tratamento adequado — medicação, dieta, exercício e acompanhamento médico regular —, é possível manter a pressão dentro das metas e reduzir substancialmente o risco de complicações cardiovasculares a longo prazo.
Pessoa jovem pode ter hipertensão arterial? Sim. Embora mais prevalente após os 40 anos, a hipertensão arterial pode ocorrer em jovens — especialmente naqueles com histórico familiar, obesidade, sedentarismo ou uso de certas substâncias. A Diretriz SBC 2025 recomenda rastreamento em todos os adultos a partir dos 18 anos.
Posso tomar café se tenho pressão alta? O consumo moderado de cafeína (até 3 xícaras/dia) é geralmente tolerado por hipertensos controlados. No entanto, a Diretriz SBC 2025 recomenda evitar cafeína por pelo menos 30 minutos antes da medição da pressão arterial, pois ela pode elevar temporariamente os valores e comprometer o diagnóstico correto.
Hipertensão arterial aumenta o risco de infarto? Sim, de forma expressiva. A pressão alta danifica progressivamente as paredes das artérias, acelerando a aterosclerose e aumentando o risco de infarto agudo do miocárdio, AVC e insuficiência cardíaca. O controle rigoroso da pressão arterial é uma das intervenções mais eficazes na prevenção cardiovascular primária e secundária.
Conclusão
Chegamos ao fim de mais um conteúdo desenvolvido pelo Instituto Inject. Neste blog post abordamos: o conceito e a definição atualizada de hipertensão arterial segundo as diretrizes de 2025; a nova classificação da pressão arterial com a criação da categoria pré-hipertensão; os sintomas — ou a ausência deles — que tornam a pressão alta uma doença silenciosa e perigosa; as principais causas e fatores de risco, incluindo sódio, sedentarismo, genética e estresse; os métodos corretos de diagnóstico, incluindo MAPA e MRPA; as metas terapêuticas mais rigorosas estabelecidas pelas diretrizes SBC, AHA/ACC e ESC em 2025; as opções de tratamento não medicamentoso e farmacológico; e os critérios para buscar avaliação cardiológica especializada.
A hipertensão arterial é controlável. Com diagnóstico precoce, metas bem definidas e acompanhamento médico qualificado, é possível proteger seu coração, seu cérebro e sua qualidade de vida por décadas.
Não espere os sintomas aparecerem para cuidar da sua pressão.
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Cuide da sua saúde com a precisão que você merece.
Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo CRM SP 195033 | RQE 70601-70602/1 Cardiologista | PhD pela USP Instituto Inject — Marília, SP
Referências Bibliográficas
- Brandão AA, Rodrigues CIS, Bortolotto LA, et al. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial — 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250624.
- Jones DW, Ferdinand KC, Taler SJ, et al. 2025 AHA/ACC/AANP/AAPA/ABC/ACCP/ACPM/AGS/AMA/ASPC/NMA/PCNA/SGIM Guideline for the Prevention, Detection, Evaluation and Management of High Blood Pressure in Adults. Hypertension. 2025 Oct;82(10):e212–e316.
- McEvoy JW, McCarthy CP, Bruno RM, et al. 2024 ESC Guidelines for the management of elevated blood pressure and hypertension. Eur Heart J. 2024;45(38):3912–4018.
- Neal B, Wu Y, Feng X, et al. Effect of salt substitution on cardiovascular events and death. N Engl J Med. 2021;385:1067–1077.