Introdução

Existem pessoas que fazem tudo certo — dieta equilibrada, exercício regular, sem tabagismo — e ainda assim apresentam colesterol LDL de 250, 300 ou até 400 mg/dL. Para elas, não é uma questão de estilo de vida: é genética. A hipercolesterolemia familiar (HF) é uma das doenças monogênicas mais comuns do mundo, presente em aproximadamente 1 a cada 250 a 300 indivíduos na forma heterozigótica. Sem diagnóstico e sem tratamento, a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (2025) documenta que 50% dos homens com HF heterozigótica desenvolvem doença arterial coronariana antes dos 50 anos — e que 85% dos homens e 50% das mulheres com essa condição terão um evento cardiovascular antes dos 65 anos. No Instituto Inject, em Marília-SP, o Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo avalia o perfil lipídico com a profundidade que essa condição exige — porque identificar a hipercolesterolemia familiar precocemente é, literalmente, salvar vidas.

 

Índice

Veja a seguir os tópicos que serão abordados neste blog post: Hipercolesterolemia Familiar: a doença genética do colesterol que mata antes dos 50 anos — e ainda é amplamente desconhecida

  1. O que é a hipercolesterolemia familiar e como ela funciona
  2. Prevalência e o problema do subdiagnóstico: por que tão poucos sabem que têm a doença
  3. Sinais clínicos que alertam para a hipercolesterolemia familiar
  4. Como diagnosticar a hipercolesterolemia familiar: critérios, critérios de Dutch e investigação genética
  5. O risco cardiovascular na hipercolesterolemia familiar: décadas de LDL elevado têm consequências
  6. Rastreamento em cascata familiar: por que filhos, irmãos e pais também precisam ser avaliados
  7. Tratamento atual da hipercolesterolemia familiar: estatinas, ezetimiba, inibidores de PCSK9 e novas terapias
  8. Check-up cardiovascular integrado: o papel do Instituto Inject no diagnóstico e no manejo da HF

 

Se você ou alguém da sua família tem histórico de colesterol muito alto mesmo com alimentação saudável, ou se há casos de infarto antes dos 55 anos entre parentes próximos, este artigo pode conter informações que mudarão o rumo da sua saúde. A hipercolesterolemia familiar é tratável — mas precisa ser identificada primeiro.

 

1. O que é a hipercolesterolemia familiar e como ela funciona

A hipercolesterolemia familiar é uma doença genética autossômica dominante que compromete o metabolismo do colesterol LDL desde o nascimento, resultando em níveis cronicamente elevados dessa lipoproteína ao longo de toda a vida do indivíduo. Não é um problema de dieta nem de sedentarismo: é uma falha hereditária no sistema de remoção do colesterol do sangue, transmitida de pais para filhos com probabilidade de 50% por geração.

O mecanismo central da hipercolesterolemia familiar envolve defeitos genéticos que comprometem a rota do receptor de LDL no fígado. As variantes patogênicas ocorrem predominantemente nos genes que codificam o receptor de LDL (LDLR), a apolipoproteína B (ApoB), a proteína adaptadora do receptor de LDL tipo 1 (LDLRAP1) ou a proprotein convertase subtilisin/kexin type 9 (PCSK9). Quando o receptor de LDL está ausente ou funcionalmente comprometido, o fígado perde sua capacidade de captar e remover o LDL da circulação. O resultado é um acúmulo progressivo e persistente de LDL no sangue — com valores que podem variar de 190 a 400 mg/dL na forma heterozigótica e ultrapassar 600 mg/dL na rara forma homozigótica.

A hipercolesterolemia familiar existe em duas formas clinicamente distintas. A forma heterozigótica (HeFH) — herdada de apenas um dos pais — é a mais comum, afetando aproximadamente 1 a cada 250 a 300 indivíduos. A forma homozigótica (HoFH) — herdada de ambos os pais — é muito mais rara, estimada em 1 a cada 160.000 a 300.000 pessoas, e apresenta risco cardiovascular extraordinariamente elevado, com eventos coronarianos frequentemente ocorrendo ainda na infância ou adolescência sem tratamento adequado.

 

2. Prevalência e o problema do subdiagnóstico: por que tão poucos sabem que têm a doença

A hipercolesterolemia familiar é uma das doenças genéticas mais comuns em todo o mundo. Com prevalência estimada de 1:250 a 1:300 na forma heterozigótica, aplicada à população brasileira atual, isso significa que milhões de brasileiros carregam essa condição — a grande maioria sem diagnóstico, sem tratamento e, portanto, acumulando risco cardiovascular ao longo de décadas sem nenhuma intervenção.

A Atualização da Diretriz Brasileira de Hipercolesterolemia Familiar publicada nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia em 2021 — elaborada pelo Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia, sob coordenação da Prof. Dra. Maria Cristina de Oliveira Izar e do Prof. Dr. Raul Dias dos Santos, entre outros especialistas nacionais — enfatiza que dada a alta prevalência da HF na população geral e o seu grande impacto nas taxas de doença cardiovascular e mortalidade, toda anamnese deve incluir investigação direcionada para essa condição.

O subdiagnóstico resulta de múltiplos fatores: a ausência de sintomas perceptíveis na maioria dos casos; a falta de rastreamento sistemático do perfil lipídico em crianças e adultos jovens; o desconhecimento de que LDL acima de 190 mg/dL em adulto ou acima de 150 mg/dL em criança obriga à investigação de HF; e a subestimação da importância da história familiar de infarto precoce como sinal de alerta. A Diretriz Brasileira de Dislipidemias (SBC, 2025) é explícita: valores de LDL acima de 190 mg/dL devem levantar a suspeita de hipercolesterolemia familiar e obrigam à investigação.

 

3. Sinais clínicos que alertam para a hipercolesterolemia familiar

A hipercolesterolemia familiar costuma ser silenciosa durante décadas — o que torna os sinais clínicos específicos, quando presentes, especialmente valiosos para a suspeita diagnóstica. Seu reconhecimento pode antecipar o diagnóstico e mudar radicalmente a trajetória de saúde do paciente.

O sinal mais característico e patognomônico da HF grave são os xantomas tendinosos — depósitos de colesterol que se formam nos tendões, especialmente no tendão de Aquiles e nos tendões extensores das mãos. Esses depósitos são palpáveis, firmes e indolores, e sua presença em um adulto com colesterol muito elevado é altamente sugestiva de hipercolesterolemia familiar monogênica. A Diretriz Brasileira de HF (2021) aponta que a coleta de sangue e o exame físico dirigido para xantomas são etapas fundamentais da investigação.

O arco córneo — um depósito de lipídios na córnea, visível como um anel branco ou acinzentado na periferia da íris — pode surgir mais precocemente do que o esperado em pacientes com HF, especialmente antes dos 45 anos. Embora não seja exclusivo da HF (podendo aparecer com a idade em indivíduos sem a doença), seu aparecimento precoce é mais um sinal de alerta que deve ser valorizado.

O histórico familiar é o sinal de alerta mais acessível e mais subestimado na prática clínica. Infarto do miocárdio, AVC isquêmico ou morte súbita cardíaca em parente de primeiro grau antes dos 55 anos (homem) ou 60 anos (mulher) deve imediatamente levantar a suspeita de hipercolesterolemia familiar em todos os membros da família — e motivar rastreamento lipídico urgente.

 

4. Como diagnosticar a hipercolesterolemia familiar: critérios de Dutch, Simon Broome e investigação genética

O diagnóstico da hipercolesterolemia familiar integra dados clínicos, laboratoriais e familiares — e pode ser confirmado por testes genéticos. A Atualização da Diretriz Brasileira de HF (2021) recomenda a utilização dos Critérios de Dutch Lipid Clinic Network ou do Simon Broome Register Group para a suspeita diagnóstica, com base em pontuação que considera os níveis de LDL, a história pessoal e familiar de doença cardiovascular prematura, a presença de xantomas e a identificação de mutação genética.

Pelos critérios de Dutch, um escore acima de 8 pontos indica diagnóstico definitivo de hipercolesterolemia familiar; entre 6 e 8 pontos, diagnóstico provável; entre 3 e 5 pontos, diagnóstico possível. O LDL isolado contribui com até 8 pontos, dependendo do valor: LDL acima de 330 mg/dL confere 8 pontos; entre 250 e 329 mg/dL, 5 pontos; entre 190 e 249 mg/dL, 3 pontos; entre 155 e 189 mg/dL, 1 ponto. Xantomas tendinosos confirmam automaticamente o diagnóstico definitivo.

A confirmação genética, realizada por sequenciamento da região codificadora do gene LDLR e análise de polimorfismos dos genes APOB e PCSK9, é o padrão-ouro e permite o rastreamento em cascata de familiares com muito maior precisão. No Brasil, o programa HipercolBrasil, conduzido pelo Instituto do Coração (InCor) da Faculdade de Medicina da USP, identificou mais de 2.000 pacientes com variantes patogênicas para HF e desenvolveu estratégias de rastreamento direcionado em pequenas cidades brasileiras com suspeita de alta prevalência da doença — evidenciando a viabilidade e a custo-efetividade dessa abordagem no contexto nacional.

O diagnóstico laboratorial deve considerar que o LDL acima de 190 mg/dL em adultos e acima de 150 mg/dL em crianças obriga à investigação de HF. A Diretriz SBD (2025) acrescenta: adultos com diabetes e LDL-c acima de 190 mg/dL, com hipercolesterolemia familiar confirmada, mesmo em prevenção primária, devem ser considerados de muito alto risco e tratados com estatinas de alta potência.

 

5. O risco cardiovascular na hipercolesterolemia familiar: décadas de LDL elevado têm consequências

O risco cardiovascular na hipercolesterolemia familiar não decorre apenas dos níveis absolutos de LDL, mas principalmente da exposição cumulativa ao LDL elevado ao longo de toda a vida — uma realidade fisiológica que os indivíduos com HF vivenciam desde o nascimento, muito antes de qualquer diagnóstico ou tratamento.

A Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (2025) documenta com precisão o prognóstico da HF não tratada: a hipercolesterolemia familiar é responsável por 5% a 10% dos casos de doença arterial coronariana em indivíduos abaixo dos 55 anos. Sem tratamento, 50% dos homens heterozigotos desenvolvem doença arterial coronariana antes dos 50 anos e 100% aos 70 anos; entre as mulheres heterozigóticas, 12% terão alguma manifestação de DAC aos 50 anos e 74% aos 70 anos. Cerca de 85% dos homens e 50% das mulheres com HF heterozigótica terão um evento cardiovascular antes dos 65 anos de idade.

Esses números refletem o que os pesquisadores denominam "carga cumulativa de LDL": a exposição contínua e progressiva às partículas de LDL desde o nascimento promove aterosclerose acelerada nas coronárias e nas grandes artérias, muito antes do que ocorreria em indivíduos com colesterol geneticamente normal. Essa é a razão pela qual o tratamento da hipercolesterolemia familiar deve ser iniciado o mais precocemente possível — em crianças, adolescentes e adultos jovens — e não apenas quando o risco cardiovascular calculado por ferramentas convencionais parece "alto".

A Diretriz Brasileira de Dislipidemias (SBC, 2025) classifica a hipercolesterolemia familiar como condição de alto risco cardiovascular por definição, independentemente da presença de outros fatores de risco. A atualização da ESC 2025 reforça: valores de LDL acima de 190 mg/dL indicam possível HF e devem ser investigados, com metas lipídicas mais agressivas do que as aplicadas à população geral.

 

6. Rastreamento em cascata familiar: por que filhos, irmãos e pais também precisam ser avaliados

O diagnóstico de um caso de hipercolesterolemia familiar em um indivíduo é, simultaneamente, o início de uma investigação familiar que pode salvar múltiplas vidas. Pela natureza autossômica dominante da doença, cada filho de um portador de HF tem 50% de probabilidade de herdar a mutação. Cada irmão, igualmente, tem 50% de chance de ser portador.

A Atualização da Diretriz Brasileira de HF (2021) é enfática: o rastreamento em cascata de familiares de indivíduos afetados é imperativo — uma medida custo-efetiva que propicia o reconhecimento precoce e a instituição de terapêutica que vise retardar ou impedir o aparecimento da doença aterosclerótica. O rastreamento em cascata é definido como a investigação de familiares de primeiro, segundo e terceiro graus a partir de um caso-índice.

A Diretriz Brasileira de HF (2021) recomenda ainda que todas as pessoas acima de 10 anos sejam submetidas à análise do perfil lipídico; e que o perfil lipídico seja considerado a partir dos 2 anos de idade quando houver história familiar de doença aterosclerótica prematura ou dislipidemia. O pediatra é frequentemente o primeiro profissional a identificar a hipercolesterolemia familiar em crianças — e esse diagnóstico deve desencadear imediatamente a investigação dos pais, que muitas vezes desconhecem ser portadores assintomáticos e nunca utilizaram medicação.

O programa HipercolBrasil do InCor-USP exemplifica o impacto do rastreamento em cascata no Brasil: a partir de casos-índices identificados com variantes patogênicas, o programa rastreou municípios pequenos com potencial efeito fundador, identificando novos casos de forma altamente custo-efetiva e ampliando o diagnóstico em regiões com limitado acesso a especialistas.

 

7. Tratamento atual da hipercolesterolemia familiar: estatinas, ezetimiba, inibidores de PCSK9 e novas terapias

O tratamento da hipercolesterolemia familiar é um dos campos de maior evolução da cardiologia preventiva na última década. A chegada dos inibidores de PCSK9 transformou profundamente as perspectivas para os portadores de HF que não atingiam as metas com as terapias convencionais.

As estatinas de alta intensidade — atorvastatina 40 a 80 mg ou rosuvastatina 20 a 40 mg — são a pedra angular do tratamento farmacológico da hipercolesterolemia familiar. Elas atuam inibindo a HMG-CoA redutase, a enzima limitante da síntese hepática de colesterol, e consequentemente aumentando a expressão dos receptores de LDL residuais nos hepatócitos. A Diretriz Brasileira de HF (2021) e a SBC (2025) recomendam que adultos com HF confirmada e LDL acima de 190 mg/dL sejam tratados com estatinas de alta potência desde o diagnóstico. A ezetimiba, que inibe a absorção intestinal de colesterol, é adicionada à estatina quando a meta de LDL não é atingida com a monoterapia — combinação que reduz o LDL em aproximadamente 60% a 70% do valor inicial.

O avanço mais significativo dos últimos anos veio com os inibidores de PCSK9 — evolocumabe e alirocumabe, anticorpos monoclonais humanos administrados por via subcutânea. Esses medicamentos bloqueiam a proteína PCSK9, que normalmente degrada os receptores de LDL hepáticos, prolongando sua atividade e potencializando a remoção de LDL da circulação. Nos estudos FOURIER e ODYSSEY Outcomes — os maiores ensaios clínicos de desfecho cardiovascular já conduzidos com essas classes —, o evolocumabe reduziu o LDL em 59% e os eventos cardiovasculares maiores em 15% a 20%; o alirocumabe reduziu o LDL em 57% e os eventos adversos em 15%. Para portadores de hipercolesterolemia familiar que não atingem as metas com estatina e ezetimiba, os inibidores de PCSK9 representam uma revolução terapêutica.

O inclisiran — um RNA de interferência pequena (siRNA) administrado duas vezes ao ano por via subcutânea — representa a fronteira mais recente do tratamento da hipercolesterolemia familiar, com eficácia equivalente aos anticorpos anti-PCSK9 e vantagem da posologia semestral, que pode melhorar significativamente a adesão. A Atualização da ESC 2025 incorpora o evinacumabe — anticorpo monoclonal contra ANGPTL3 — para portadores de HF homozigótica que não respondem adequadamente às terapias convencionais incluindo inibidores de PCSK9.

Para pacientes com hipercolesterolemia familiar homozigótica grave, a aférese de LDL — procedimento extracorpóreo que remove diretamente as partículas de LDL do sangue — permanece uma opção quando as terapias farmacológicas são insuficientes para controlar os níveis da doença. Esse procedimento está disponível em centros de referência no Brasil.

 

8. Check-up cardiovascular integrado: o papel do Instituto Inject no diagnóstico e no manejo da HF

O diagnóstico e o manejo adequados da hipercolesterolemia familiar exigem muito mais do que uma simples dosagem de colesterol. Exigem uma avaliação cardiovascular abrangente que identifique não apenas o nível do LDL, mas o impacto que esse LDL cronicamente elevado já produziu sobre o sistema vascular — antes de qualquer evento clínico.

A Diretriz Brasileira de HF (2021) aponta que a identificação dos casos de maior gravidade e o cuidado integrado à HF são estratégias para minimizar o impacto da doença sobre a doença cardiovascular. Isso significa que o paciente com hipercolesterolemia familiar precisa ser estratificado não apenas pelo valor de LDL, mas pela presença de aterosclerose subclínica — placas nas coronárias ou nas carótidas que ainda não produziram sintomas, mas que já indicam progressão avançada do processo aterosclerótico.

A Diretriz Brasileira de Dislipidemias (SBC, 2025) incorpora a calculadora PREVENT da American Heart Association e o escore de cálcio coronário como ferramentas complementares de estratificação de risco em pacientes com hipercolesterolemia familiar — este último sendo especialmente útil para identificar os portadores de HF heterozigótica que se encontram no espectro de maior risco e que mais se beneficiarão das terapias mais agressivas, incluindo os inibidores de PCSK9.

No Instituto Inject, a avaliação do paciente com suspeita ou diagnóstico confirmado de hipercolesterolemia familiar inclui perfil lipídico ampliado (com LDL, HDL, triglicerídeos, colesterol não-HDL, ApoB e Lp(a) quando indicado), ECG de repouso, ecocardiograma, teste ergométrico, MAPA, Holter e bioimpedância — integrados ao histórico familiar e aos critérios clínicos de HF — em um laudo técnico individualizado elaborado pelo Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo. Essa abordagem integral permite identificar a hipercolesterolemia familiar, estratificar seu impacto cardiovascular real e definir a intensidade terapêutica necessária para cada paciente.

 

FAQ — Perguntas Frequentes sobre Hipercolesterolemia Familiar

1. Como saber se tenho hipercolesterolemia familiar? A suspeita diagnóstica deve ser levantada quando houver: LDL acima de 190 mg/dL em adultos ou acima de 150 mg/dL em crianças; histórico familiar de infarto ou morte súbita em homens antes dos 55 anos ou mulheres antes dos 60 anos; parentes com diagnóstico de hipercolesterolemia familiar; ou presença de xantomas tendinosos ou arco córneo precoce. A confirmação pode ser feita pelos critérios de Dutch Lipid Clinic Network e, quando disponível, por sequenciamento genético dos genes LDLR, ApoB e PCSK9.

2. A hipercolesterolemia familiar tem cura? A hipercolesterolemia familiar é uma condição genética sem cura definitiva atualmente disponível. No entanto, o diagnóstico precoce e o tratamento correto — com estatinas de alta intensidade, ezetimiba e, quando necessário, inibidores de PCSK9 ou inclisiran — são capazes de reduzir o LDL a metas seguras e transformar radicalmente o prognóstico cardiovascular, aproximando a expectativa de vida dos portadores tratados à da população geral.

3. Filhos de portadores de hipercolesterolemia familiar precisam ser avaliados? Sim, obrigatoriamente. Cada filho de um portador de HF tem 50% de probabilidade de herdar a mutação. A Diretriz Brasileira de HF (2021) determina que o rastreamento em cascata de familiares de primeiro, segundo e terceiro graus é imperativo e custo-efetivo. Crianças com histórico familiar de HF devem ter o perfil lipídico avaliado a partir dos 2 anos de idade em situações de risco, e a partir dos 10 anos como rotina.

4. O que são os inibidores de PCSK9 e quando são indicados na hipercolesterolemia familiar? Os inibidores de PCSK9 — evolocumabe e alirocumabe — são anticorpos monoclonais que bloqueiam a proteína PCSK9, aumentando a atividade dos receptores de LDL hepáticos e reduzindo o LDL em até 60%. Nos estudos FOURIER e ODYSSEY Outcomes, reduziram eventos cardiovasculares maiores em 15% a 20%. São indicados para portadores de hipercolesterolemia familiar que não atingem as metas de LDL com estatinas de alta intensidade associadas à ezetimiba. O inclisiran, administrado duas vezes ao ano, é uma alternativa de posologia mais conveniente.

5. Hipercolesterolemia familiar é a mesma coisa que colesterol alto comum? Não. O colesterol alto comum resulta da combinação de fatores dietéticos, sedentarismo, sobrepeso e predisposição poligênica — e responde bem a mudanças de estilo de vida. A hipercolesterolemia familiar é causada por uma mutação em um único gene que compromete o metabolismo do LDL desde o nascimento, produz valores muito mais elevados de LDL, não responde adequadamente apenas a mudanças de estilo de vida e exige tratamento farmacológico intenso, precocemente instituído.

 

Conclusão

Chegamos ao fim de mais um conteúdo desenvolvido pelo Instituto Inject. Neste blog post abordamos: a fisiopatologia da hipercolesterolemia familiar e seu mecanismo genético; a prevalência estimada de 1:250 a 1:300 na forma heterozigótica e o grave problema do subdiagnóstico; os sinais clínicos que alertam para a suspeita — xantomas, arco córneo e história familiar de infarto precoce; os critérios de Dutch Lipid Clinic Network e o papel da investigação genética no diagnóstico; o risco cardiovascular devastador da HF não tratada, com infartos antes dos 50 anos em metade dos homens afetados; a importância do rastreamento em cascata familiar e os exemplos brasileiros de programas de diagnóstico populacional; o arsenal terapêutico atual — estatinas, ezetimiba, inibidores de PCSK9, inclisiran e evinacumabe; e o papel do check-up cardiovascular integrado no Instituto Inject para diagnóstico e estratificação da HF.

A hipercolesterolemia familiar é uma das condições genéticas de maior impacto cardiovascular e, paradoxalmente, uma das mais tratáveis quando identificada precocemente. O diagnóstico salva vidas — não apenas do portador, mas de toda a família. No Instituto Inject, esse diagnóstico é possível, preciso e acolhedor.

 

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Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo CRM SP 195033 | RQE 70601-70602/1 Médico Cardiologista | PhD pela USP Instituto Inject — Marília, SP

 

Referências Bibliográficas

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Schwartz GG, Steg PG, Szarek M, et al. (ODYSSEY Outcomes Trial). Alirocumab and Cardiovascular Outcomes After Acute Coronary Syndrome. New England Journal of Medicine. 2018;379(22):2097–2107. DOI: 10.1056/NEJMoa1801174.

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Publicado em 01/05/2026