Introdução
A fibrilação atrial é a arritmia cardíaca sustentada mais comum do mundo — e uma das mais subestimadas pelos pacientes. Estima-se que afete mais de 33 milhões de pessoas globalmente, com prevalência crescente no Brasil em função do envelhecimento populacional e do aumento de fatores de risco como hipertensão, obesidade e diabetes. O grande perigo: a fibrilação atrial pode ocorrer sem sintomas perceptíveis, enquanto multiplica por até 5 vezes o risco de AVC isquêmico. No Instituto Inject, em Marília-SP, o Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo detecta e trata a fibrilação atrial com protocolos baseados nas diretrizes mais recentes — porque identificar uma arritmia antes do primeiro evento é o que separa a prevenção da tragédia.
Veja a seguir os tópicos que serão abordados neste blog post: Fibrilação Atrial: O Que É, Sintomas, Riscos e Tratamento Segundo as Diretrizes de 2025
- O que é fibrilação atrial e como ela acontece no coração
- Tipos de fibrilação atrial: paroxística, persistente e permanente
- Sintomas da fibrilação atrial: quando o coração "desregula"
- Causas e fatores de risco da fibrilação atrial
- Como é feito o diagnóstico da fibrilação atrial
- Risco de AVC e anticoagulação: o que mudou nas diretrizes 2025
- Tratamento da fibrilação atrial: controle de frequência, ritmo e ablação
- Fibrilação atrial e qualidade de vida: quando procurar um cardiologista
Se você sente o coração "pulando batidas", bate de forma irregular ou já teve um episódio de palpitação intensa, este artigo foi escrito para você. A fibrilação atrial é tratável — mas exige diagnóstico preciso e acompanhamento especializado. Leia até o final.
1. O Que É Fibrilação Atrial e Como Ela Acontece no Coração
A fibrilação atrial (FA) é uma arritmia cardíaca caracterizada pela atividade elétrica completamente desorganizada nos átrios — as câmaras superiores do coração. Em vez de se contrair de forma coordenada e eficiente, os átrios "tremem" de maneira caótica, a frequências que podem chegar a 400–600 impulsos por minuto, dos quais apenas uma fração irregular chega aos ventrículos e gera os batimentos cardíacos.
Segundo a Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial 2025, elaborada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) em parceria com a Sociedade Brasileira de Arritmia Cardíaca (SOBRAC) (Cintra FD et al. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250618), a fibrilação atrial deixou de ser vista apenas como consequência de outras doenças — ela passa a ser compreendida também como uma doença estrutural própria do átrio, com fibrose progressiva, dilatação e remodelamento elétrico que tornam a arritmia autossustentável ao longo do tempo. Essa mudança de paradigma é fundamental para entender por que tratar precocemente é tão importante.
2. Tipos de Fibrilação Atrial: Paroxística, Persistente e Permanente
A Diretriz SBC/SOBRAC 2025 classifica a fibrilação atrial em três formas clínicas principais, com impacto direto na estratégia de tratamento:
- FA paroxística: episódios que se encerram espontaneamente em até 7 dias. Embora autolimitada, não é benigna — carrega risco tromboembólico equivalente às formas mais duradouras e pode evoluir para formas persistentes em até 25% dos pacientes ao longo de 5 anos
- FA persistente: dura mais de 7 dias e requer intervenção ativa para reversão do ritmo
- FA permanente (ou crônica): quando médico e paciente decidem em conjunto não mais tentar reverter o ritmo, focando no controle da frequência cardíaca e na proteção contra trombos
A Diretriz ESC 2024 acrescenta ainda a categoria de FA subclínica: detectada por dispositivos eletrônicos implantáveis, smartwatches ou monitores de eventos, sem registro eletrocardiográfico confirmado em ECG convencional. Essa modalidade exige validação médica e duração superior a 30 segundos para ser considerada clinicamente significativa.
3. Sintomas da Fibrilação Atrial: Quando o Coração "Desregula"
Os sintomas da fibrilação atrial variam amplamente de paciente para paciente. Alguns apresentam sintomas intensos e incapacitantes; outros convivem com a arritmia por anos sem perceber qualquer alteração. Essa variabilidade é um dos fatores que tornam a fibrilação atrial clinicamente perigosa.
Os sintomas mais comuns incluem:
- Palpitações: sensação de coração acelerado, irregular ou "saindo do lugar"
- Falta de ar: especialmente aos esforços, por queda do débito cardíaco
- Fadiga desproporcional: cansaço que não melhora com repouso
- Tontura ou pré-síncope: sensação de desmaio iminente
- Dor ou desconforto no peito
- Intolerância ao exercício
Segundo a Diretriz SBC 2025, a fibrilação atrial assintomática — descoberta apenas em exames de rotina como ECG ou Holter — não é menos grave do que a sintomática. O risco de AVC, insuficiência cardíaca e mortalidade cardiovascular é comparável em ambas as formas. No Instituto Inject, o rastreamento ativo por ECG e Holter faz parte do protocolo de check-up cardiovascular para identificar justamente esses casos silenciosos.
4. Causas e Fatores de Risco da Fibrilação Atrial
A fibrilação atrial raramente ocorre em um coração estruturalmente normal. Ela é, na maioria das vezes, consequência de um substrato atrial alterado por doenças ou condições que promovem fibrose, dilatação e remodelamento elétrico dos átrios.
Os principais fatores de risco identificados pela Diretriz SBC/SOBRAC 2025 e pela Diretriz ESC 2024 incluem:
- Hipertensão arterial: o fator de risco modificável mais prevalente associado à fibrilação atrial
- Insuficiência cardíaca: a dilatação das câmaras cardíacas favorece diretamente o substrato arritmogênico
- Idade avançada: a prevalência da FA aumenta exponencialmente após os 65 anos
- Obesidade e síndrome metabólica: o tecido adiposo pericárdico contribui para inflamação e fibrose atrial
- Apneia do sono: causa hipóxia noturna e ativação autonômica que predispõem à FA
- Diabetes mellitus
- Doença arterial coronariana e valvopatias
- Consumo excessivo de álcool: associado à FA paroxística, especialmente o fenômeno do "holiday heart"
- Hipertireoidismo: causa reversível de fibrilação atrial que deve sempre ser investigada
- Fatores genéticos: história familiar de FA aumenta o risco individual
A Diretriz ESC 2024 reforça que o controle rigoroso das comorbidades — especialmente hipertensão, obesidade e apneia do sono — é parte integrante e insubstituível do tratamento da fibrilação atrial, não um cuidado paralelo.
5. Como É Feito o Diagnóstico da Fibrilação Atrial
O diagnóstico da fibrilação atrial é fundamentalmente eletrocardiográfico. A Diretriz SBC 2025 estabelece que o diagnóstico requer:
- Registro em ECG convencional de pelo menos 30 segundos de atividade atrial desorganizada, sem ondas P identificáveis e com resposta ventricular irregular
- Validação por médico habilitado — especialmente quando a detecção é feita por dispositivos wearables como smartwatches
Quando há suspeita clínica e o ECG convencional é normal, a diretriz recomenda monitorização prolongada por meio de:
- Holter de 24 a 48 horas — ou de 7 dias em casos de alta suspeita
- Monitor de eventos externo (tipo Loop): de 1 a 4 semanas
- Dispositivos vestíveis validados
- Monitor cardíaco implantável: nos casos de investigação de FA subclínica ou AVC criptogênico
No Instituto Inject, o Holter de 24 horas está integrado ao protocolo diagnóstico e é realizado e interpretado pelo Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo, permitindo identificar episódios de fibrilação atrial mesmo breves e assintomáticos.
6. Risco de AVC e Anticoagulação: O Que Mudou nas Diretrizes 2025
O risco mais temido da fibrilação atrial é o AVC isquêmico cardioembólico. Na FA, a desorganização elétrica dos átrios compromete sua contração efetiva, favorecendo a formação de trombos — especialmente no apêndice atrial esquerdo — que podem se desprender e causar AVC. O risco de AVC em pacientes com fibrilação atrial é 5 vezes maior do que na população geral.
Uma das mudanças mais relevantes da Diretriz Brasileira de FA 2025 e da Diretriz ESC 2024 é a substituição do escore CHA₂DS₂-VASc pelo novo escore CHA₂DS₂-VA para estratificação do risco tromboembólico. A principal mudança: o sexo feminino foi removido como fator de risco independente — uma decisão baseada em evidências de que, isoladamente, o sexo feminino não altera a indicação de anticoagulação, além de não contemplar pessoas trans ou em terapia hormonal.
As recomendações atuais são:
- CHA₂DS₂-VA ≥ 2: anticoagulação indicada
- CHA₂DS₂-VA = 0: anticoagulação não indicada
- CHA₂DS₂-VA = 1: decisão individualizada, ponderando risco de sangramento e preferências do paciente
A Diretriz SBC 2025 reforça a preferência pelos anticoagulantes orais de ação direta (DOACs/ACODs) — apixabana, rivaroxabana, dabigatrana e edoxabana — em detrimento da varfarina, exceto nos casos de estenose mitral reumática moderada/grave ou próteses valvares mecânicas. Importante: o escore HAS-BLED não contraindica a anticoagulação — serve apenas para identificar fatores de risco de sangramento corrigíveis.
7. Tratamento da Fibrilação Atrial: Frequência, Ritmo e Ablação
O tratamento da fibrilação atrial é multidimensional e deve ser conduzido por equipe multidisciplinar, com foco em três pilares simultâneos:
Controle da frequência cardíaca
Quando a reversão ao ritmo sinusal não é o objetivo imediato, o controle da frequência ventricular (meta geralmente < 110 bpm em repouso) é realizado com betabloqueadores ou bloqueadores dos canais de cálcio não diidropiridínicos.
Controle do ritmo cardíaco
A Diretriz SBC 2025 reforça que o controle de ritmo — ou seja, a tentativa de restaurar e manter o ritmo sinusal normal — ganhou protagonismo especialmente em pacientes jovens, sintomáticos ou com insuficiência cardíaca. A cardioversão elétrica permanece indicada quando a FA tem menos de 24 horas de início e baixo risco tromboembólico. Nos casos com mais de 24 horas de início, exige anticoagulação efetiva por pelo menos 3 semanas ou exclusão de trombo por ecocardiograma transesofágico antes da reversão.
Ablação por cateter
A ablação por cateter assumiu papel central no tratamento da fibrilação atrial — não apenas após falha de antiarrítmicos, mas já como opção de primeira linha em pacientes selecionados. Tecnologias como a crioablação e a inovadora pulsed-field ablation (PFA) tornaram o procedimento mais seguro e eficaz, com menor tempo de procedimento e menor risco de lesões colaterais. A Diretriz SBC 2025 inclui ainda a oclusão do apêndice atrial esquerdo como opção (Classe IIa) para pacientes com contraindicação ou falha na terapia anticoagulante.
8. Fibrilação Atrial e Qualidade de Vida: Quando Procurar um Cardiologista
A fibrilação atrial impacta profundamente a qualidade de vida — pela limitação funcional, pelo medo de novos episódios e pelo risco permanente de complicações graves. Mas com tratamento adequado e monitorização regular, é possível viver com segurança e bem-estar mesmo com a arritmia.
Você deve procurar avaliação cardiológica especializada se:
- Sente palpitações, coração irregular ou "faltando batidas"
- Tem episódios de falta de ar ou cansaço desproporcional
- Já teve diagnóstico de fibrilação atrial e não faz acompanhamento regular
- Usa anticoagulante e não sabe se está na dose e na indicação corretas
- Tem hipertensão, diabetes, obesidade ou apneia do sono
- Tem mais de 55 anos e nunca fez um ECG ou Holter de rastreamento
Perguntas Frequentes sobre Fibrilação Atrial
Fibrilação atrial tem cura? A fibrilação atrial paroxística pode ser controlada ou até eliminada com ablação por cateter em pacientes selecionados, com altas taxas de sucesso segundo a Diretriz SBC 2025. Nas formas persistentes e permanentes, o objetivo é controlar a frequência, prevenir o AVC e melhorar a qualidade de vida — o que é plenamente alcançável com tratamento adequado.
Posso praticar exercícios tendo fibrilação atrial? Sim, na maioria dos casos — mas com avaliação cardiológica prévia obrigatória. A Diretriz ESC 2024 recomenda que pacientes com FA realizem teste de esforço antes de iniciar atividade física supervisionada, para avaliar a resposta da frequência cardíaca ao exercício e excluir contraindicações específicas.
Fibrilação atrial causa infarto? A fibrilação atrial não causa infarto diretamente, mas aumenta o risco de AVC isquêmico cardioembólico em até 5 vezes. Além disso, a taquicardia sustentada pode causar taquicardiomiopatia — enfraquecimento do músculo cardíaco por frequência elevada prolongada — que é reversível com o controle adequado da arritmia.
O smartwatch pode detectar fibrilação atrial? Sim, alguns dispositivos vestíveis validados podem detectar episódios de FA. A Diretriz SBC 2025 reconhece o papel dos wearables no rastreamento, mas ressalta que qualquer registro suspeito deve ser validado por um médico com ECG convencional de pelo menos 30 segundos antes de qualquer decisão terapêutica.
Fibrilação atrial é hereditária? Há um componente genético reconhecido na fibrilação atrial. Pessoas com familiares de primeiro grau com FA têm risco aumentado de desenvolver a arritmia, especialmente na presença de outros fatores de risco. A Diretriz SBC 2025 reconhece a influência genética como fator predisponente relevante.
Conclusão
Chegamos ao fim de mais um conteúdo desenvolvido pelo Instituto Inject. Neste blog post abordamos: o conceito e o mecanismo da fibrilação atrial como doença estrutural do átrio; os tipos de FA — paroxística, persistente e permanente; os sintomas variáveis e o perigo da forma assintomática; as principais causas e fatores de risco, com destaque para hipertensão, obesidade e apneia do sono; os métodos diagnósticos, incluindo ECG, Holter e dispositivos wearables; as mudanças na estratificação de risco tromboembólico com o novo escore CHA₂DS₂-VA e a preferência pelos DOACs; as estratégias de tratamento — controle de frequência, de ritmo e ablação por cateter; e os critérios para buscar avaliação cardiológica especializada.
A fibrilação atrial é uma arritmia séria — mas com diagnóstico precoce e tratamento baseado nas melhores evidências disponíveis, é plenamente controlável.
Não ignore palpitações ou batimentos irregulares.
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Cuide do seu coração com a precisão que você merece.
Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo CRM SP 195033 | RQE 70601-70602/1 Cardiologista | PhD pela USP Instituto Inject — Marília, SP
Referências Bibliográficas
- Cintra FD, Pisani CF, Rezende AGS, Henz BD, Armaganijan LV, Pimentel M, et al. Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial — 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250618.
- Van Gelder IC, Rienstra M, Bunting KV, et al. 2024 ESC Guidelines for the management of atrial fibrillation. Eur Heart J. 2024;45(36):3314–3414.
- January CT, Wann LS, Calkins H, et al. 2019 AHA/ACC/HRS Focused Update of the 2014 AHA/ACC/HRS Guideline for the Management of Patients With Atrial Fibrillation. J Am Coll Cardiol. 2019;74(1):104–132.