Introdução

Dor no peito, coração acelerado, falta de ar, suor frio, sensação de morte iminente: esses sintomas aterrorizantes podem ser uma crise de pânico — ou podem ser um infarto. A semelhança entre os dois quadros é tão expressiva que representa um dos maiores desafios do diagnóstico em cardiologia e em medicina de emergência. O transtorno do pânico é caracterizado por sintomas somáticos agudos e angustiantes que mimetizam condições médicas relevantes, incluindo palpitações, falta de ar, dor torácica, tontura, náusea e parestesias. No Instituto Inject, em Marília-SP, o Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo orienta seus pacientes com base nas evidências mais atuais — porque distinguir crise de pânico de infarto pode, literalmente, salvar uma vida. 

 

Veja a seguir os tópicos que serão abordados neste blog post: Coração e Ansiedade — Como Diferenciar Crise de Pânico de Infarto

  1. Por que crise de pânico e infarto são tão parecidos
  2. Características da dor no peito: pânico versus infarto
  3. Outros sintomas que ajudam a diferenciar os dois quadros
  4. O risco real da ansiedade crônica para o coração
  5. Por que o diagnóstico não pode ser feito sozinho
  6. Exames que excluem a origem cardíaca dos sintomas
  7. Quando a crise de pânico esconde uma arritmia real
  8. O papel do check-up cardiovascular na ansiedade

 

Você já sentiu o coração disparar de repente, sem motivo aparente, com uma angústia tão intensa que pareceu o fim? Ou acordou no meio da noite com aperto no peito e pensou: "será que é o coração"? A crise de pânico e o infarto compartilham um repertório de sintomas que causa confusão até entre profissionais de saúde. Este artigo explica — com base nas melhores evidências científicas — como diferenciar crise de pânico de infarto e por que a avaliação cardiológica é sempre o caminho mais seguro.

 

1. Por que crise de pânico e infarto são tão parecidos

A sobreposição de sintomas entre crise de pânico e infarto não é coincidência — ela tem uma explicação fisiológica precisa. Durante uma crise de pânico, o sistema nervoso autônomo entra em estado de alerta máximo e libera uma avalanche de catecolaminas, especialmente adrenalina. Essa descarga hormonal produz efeitos cardiovasculares concretos: aumento da frequência cardíaca, elevação transitória da pressão arterial, vasoconstrição periférica e hiperventilação. O corpo reage como se estivesse diante de uma ameaça real — e produz sintomas físicos tão intensos quanto os de um evento cardíaco agudo.

Do lado do infarto, a isquemia miocárdica ativa vias nervosas aferentes que transmitem sinais de sofrimento do músculo cardíaco para o sistema nervoso central, gerando dor, desconforto e ativação autonômica secundária — que também produz taquicardia, sudorese e sensação de mal-estar. A amígdala inicia a resposta periférica de luta ou fuga, com ativação do sistema nervoso simpático e liberação de cortisol pela glândula adrenal — mecanismo comum tanto ao estado de ansiedade aguda quanto à resposta fisiológica ao infarto. Daí a confusão: os dois caminhos chegam a sintomas semelhantes por vias diferentes. 

 

2. Características da dor no peito: pânico versus infarto

A dor no peito é o síntoma mais temido e, ao mesmo tempo, o ponto mais importante para diferenciar crise de pânico de infarto. Embora ambos possam produzir desconforto torácico, as características dessa dor são substancialmente diferentes e fornecem pistas diagnósticas valiosas para o cardiologista.

Na crise de pânico, a dor no peito tende a ser localizada, pontual, geralmente descrita como "facada" ou pressão mais leve, que pode variar de intensidade conforme o estado emocional do paciente. Ela costuma aparecer junto com a crise e aliviar progressivamente quando os sintomas emocionais diminuem. Já no infarto, a dor clássica é retroesternal — no meio do peito —, descrita como aperto, peso ou queimação intensa, com irradiação para o braço esquerdo, mandíbula, pescoço ou dorso. Enquanto no ataque de pânico a dor tende a ser mais leve e ameniza com técnicas de relaxamento, em um infarto ela costuma ser mais intensa, constante e não cessa com repouso ou medicamentos. 

Outro critério fundamental é a duração: uma crise de pânico tem início súbito e pico em cerca de 10 minutos, com resolução espontânea em geral dentro de 20 a 30 minutos. O desconforto do infarto pode persistir por horas e, criticamente, tende a piorar progressivamente com o tempo — não a melhorar.

 

3. Outros sintomas que ajudam a diferenciar os dois quadros

Além da dor no peito, existe um conjunto de manifestações associadas que ajuda a distinguir crise de pânico de infarto — tanto no momento agudo quanto na avaliação clínica posterior.

Na crise de pânico, são frequentes: medo intenso de morrer ou enlouquecer, sensação de irrealidade (desrealização ou despersonalização), formigamento bilateral — em ambas as mãos, ambos os pés e ao redor da boca — decorrente da hiperventilação e queda de CO₂, e alívio progressivo dos sintomas com técnicas de controle da respiração ou ao ser informado de que o coração está normal. O paciente costuma chegar ao pronto-socorro agitado, tenso e hiperventilando.

No infarto, os sintomas associados mais típicos incluem sudorese fria e intensa, náusea ou vômito, palidez, fraqueza desproporcionada e, em casos graves, síncope. O paciente com infarto frequentemente chega ao serviço de emergência quieto, imóvel, tentando poupar energia para não intensificar a dor. A Diretriz Brasileira de Atendimento à Dor Torácica na Emergência (SBC, 2025) alerta que entre 10% e 30% das síndromes coronarianas agudas não se apresentam como dor torácica clássica, incluindo equivalentes isquêmicos como dispneia e diaforese — o que torna a avaliação objetiva indispensável. 

 

4. O risco real da ansiedade crônica para o coração

Um equívoco frequente é tratar a ansiedade como um problema exclusivamente mental, sem impacto sobre o sistema cardiovascular. A evidência científica demonstra o contrário: a ansiedade crônica é um fator de risco cardiovascular independente, capaz de acelerar a progressão de doenças do coração e aumentar a probabilidade de eventos isquêmicos.

Transtornos de ansiedade e depressão estimulam cronicamente a atividade neural relacionada ao estresse, o que eleva a atividade do sistema nervoso simpático e das vias inflamatórias. A estimulação crônica dessas vias resulta em um desenvolvimento acelerado de fatores de risco cardiovascular, mediando substancialmente o aumento do risco de doença cardiovascular associado à ansiedade. 

Os mecanismos pelos quais o sofrimento psicológico afeta os desfechos cardiovasculares incluem fatores comportamentais — como tabagismo, alimentação inadequada, sedentarismo e não adesão ao tratamento — além de múltiplas vias biológicas envolvendo efeitos do estresse psicológico sobre o sistema nervoso autônomo, a resposta imune e inflamatória, a função endotelial e a atividade plaquetária. Isso significa que tratar a ansiedade crônica não é apenas cuidar da saúde mental — é também proteger o coração de danos cumulativos e silenciosos. 

 

5. Por que o diagnóstico não pode ser feito sozinho

Diante de dor no peito com palpitações, falta de ar e sensação de morte iminente, nenhum paciente está em condições emocionais e cognitivas de fazer seu próprio diagnóstico com segurança. Tentar decidir sozinho se aquele episódio "é pânico ou infarto" pode representar um risco grave — especialmente em pessoas com fatores de risco cardiovascular presentes.

A regra mais segura é: na dúvida, sempre busque avaliação médica imediata. O diagnóstico diferencial entre crise de pânico e infarto exige exames objetivos que apenas um serviço de saúde pode oferecer. A Diretriz AHA/ACC de 2021 para Avaliação e Diagnóstico de Dor Torácica enfatiza o reconhecimento precoce de sintomas isquêmicos agudos — incluindo apresentações atípicas — e a ativação imediata do serviço de emergência. No pronto-socorro, a avaliação inicial deve focar na identificação rápida dos pacientes com maior risco de emergência cardíaca. 

Além disso, é importante saber que a crise de pânico é um diagnóstico de exclusão — só pode ser confirmada após a eliminação de causas cardíacas, pulmonares, metabólicas e neurológicas para os sintomas. Nunca deve ser o primeiro diagnóstico assumido sem investigação objetiva, especialmente em adultos acima de 35 anos com fatores de risco.

 

6. Exames que excluem a origem cardíaca dos sintomas

Quando um paciente chega ao serviço de saúde com dor no peito e sintomas que podem representar tanto crise de pânico quanto infarto, existe um protocolo clínico bem estabelecido para diferenciar os dois quadros de forma rápida e objetiva.

O eletrocardiograma (ECG) de 12 derivações é o primeiro e mais imediato exame: realizado em até 10 minutos após a chegada ao serviço de emergência, ele pode identificar sinais de isquemia miocárdica aguda — como supradesnivelamento do segmento ST, bloqueio de ramo novo ou alterações da onda T — que confirmam a origem cardíaca dos sintomas. A troponina cardíaca de alta sensibilidade é o biomarcador preferido para a avaliação de lesão miocárdica em pacientes com dor torácica aguda, com alta sensibilidade e especificidade para o tecido miocárdico. 

Quando ECG e troponina são normais e o quadro clínico sugere crise de pânico, o cardiologista pode recomendar, em contexto ambulatorial, investigação adicional com ecocardiograma, teste ergométrico e Holter 24 horas — para garantir que não há doença cardíaca subjacente que esteja gerando ou agravando os episódios de ansiedade. No Instituto Inject, todos esses exames são realizados no mesmo local, com laudo individualizado.

 

7. Quando a crise de pânico esconde uma arritmia real

Um ponto que merece atenção especial é que nem todo episódio diagnosticado como "crise de pânico" é, de fato, de origem puramente psiquiátrica. Existem condições cardíacas que produzem taquicardia paroxística — início súbito, sintomas intensos, resolução espontânea — e que são frequentemente confundidas com crise de pânico por anos antes do diagnóstico correto.

Um relato de caso publicado em 2025 descreve uma paciente de 45 anos com histórico de "crises de pânico inexplicadas", refratária a todos os tratamentos ansiolíticos, que após múltiplas visitas ao pronto-socorro foi finalmente diagnosticada com taquicardia supraventricular — especificamente taquicardia por reentrada nodal atrioventricular (TRNAV) — com frequência cardíaca de 217 batimentos por minuto durante a crise. O diagnóstico só foi feito quando um ECG foi realizado durante o episódio. 

Esse cenário ilustra por que episódios recorrentes de palpitações intensas com início e término abruptos, mesmo que "pareçam pânico", devem sempre ser investigados com Holter 24 horas ou monitor de eventos cardíacos — para capturar o ritmo durante a crise e descartar arritmias tratáveis. A confusão diagnóstica pode privar o paciente de tratamento eficaz por anos.

 

8. O papel do check-up cardiovascular na ansiedade

Para pessoas que vivem com ansiedade crônica ou transtorno do pânico, o check-up cardiovascular periódico tem uma dupla função: descartar causas cardíacas dos episódios agudos e monitorar os efeitos cumulativos da ativação autonômica crônica sobre o coração ao longo do tempo.

Mulheres jovens com transtornos de ansiedade e depressão devem ser especialmente rastreadas para fatores de risco cardiovascular, pois parecem apresentar ganhos relativamente maiores em fatores de risco cardiovascular e, consequentemente, maior risco de doença cardíaca no contexto desses transtornos. Isso significa que ansiedade não é apenas um sofrimento emocional — é também uma janela de vulnerabilidade cardiovascular que merece atenção médica estruturada. 

O check-up cardiovascular no Instituto Inject inclui avaliação clínica detalhada, ECG em repouso, ecocardiograma, Holter 24 horas, MAPA (monitorização ambulatorial da pressão arterial), teste ergométrico e bioimpedância — um conjunto de informações que permite ao Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo avaliar com precisão se os episódios de dor no peito têm origem cardíaca, identificar fatores de risco silenciosos e oferecer ao paciente a segurança de saber que seu coração está sendo cuidado com rigor científico.

 

FAQ — Perguntas Frequentes sobre Crise de Pânico e Infarto

1. Como saber na hora se é crise de pânico ou infarto? Na prática, é muito difícil ter certeza durante o episódio. A orientação das principais diretrizes cardiológicas é clara: diante de qualquer dor no peito associada a sintomas como falta de ar, suor frio ou palpitações intensas, busque atendimento médico imediato. Só exames objetivos — ECG e troponina — podem diferenciar os dois quadros com segurança. Nunca assuma que "é só pânico" sem avaliação médica.

2. A crise de pânico pode causar um infarto? A crise de pânico em si, de forma isolada, não causa infarto em pessoas com coronárias saudáveis. No entanto, a descarga adrenérgica intensa que ocorre durante a crise pode, em pessoas com doença arterial coronariana preexistente, desencadear espasmo coronariano ou aumentar a demanda de oxigênio do miocárdio além da capacidade de oferta. Por isso, crises frequentes em pessoas com fatores de risco cardiovascular merecem investigação cardiológica.

3. Ansiedade crônica faz mal ao coração? Sim, há evidências científicas consistentes de que a ansiedade crônica aumenta o risco cardiovascular por meio da ativação persistente do sistema nervoso simpático, da elevação de marcadores inflamatórios e do impacto negativo sobre hábitos de vida. Não se trata de uma relação apenas "emocional" — é uma relação fisiológica documentada que justifica cuidado integrado entre saúde mental e cardiovascular.

4. Pessoa jovem e saudável pode ter infarto durante uma crise de pânico? Em pessoas sem doença coronariana preexistente e sem fatores de risco significativos, o risco de infarto durante uma crise de pânico é muito baixo. Porém, o infarto em jovens existe — e seus sintomas podem ser confundidos com pânico, especialmente nas apresentações atípicas. A investigação cardiológica é recomendada sempre que os episódios forem frequentes, intensos ou associados a fatores de risco familiares.

5. O Holter detecta arritmias que parecem crise de pânico? Sim. O Holter 24 horas registra continuamente o ritmo cardíaco durante as atividades normais do dia, incluindo eventuais episódios de taquicardia paroxística que o paciente pode interpretar como crise de pânico. Quando o paciente registra o horário dos sintomas no diário do exame, o médico pode correlacionar o ritmo cardíaco naquele momento com a queixa — identificando ou descartando arritmias tratáveis como causa dos episódios.

 

Conclusão

Chegamos ao fim de mais um conteúdo desenvolvido pelo Instituto Inject. Neste blog post abordamos: por que crise de pânico e infarto produzem sintomas tão parecidos; as características da dor no peito em cada quadro; outros sintomas que ajudam na diferenciação; o impacto real da ansiedade crônica sobre o coração; por que o diagnóstico não pode ser feito pelo próprio paciente; os exames que excluem a origem cardíaca dos sintomas; quando a crise de pânico pode estar escondendo uma arritmia real; e o papel do check-up cardiovascular para pessoas que vivem com ansiedade.

Saber diferenciar crise de pânico de infarto não significa escolher entre um e outro sem ajuda médica — significa entender os sinais de alerta que justificam buscar atendimento imediato. O coração merece ser avaliado com precisão, e a ansiedade merece ser tratada com seriedade.

 

Agende sua Avaliação Cardiológica

Se você tem episódios recorrentes de dor no peito, palpitações ou falta de ar — independentemente de já ter diagnóstico de ansiedade — o Instituto Inject está pronto para oferecer uma avaliação cardiológica completa e individualizada. Realizamos todos os exames necessários em um único local, com laudo técnico elaborado pelo Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo.

Entre em contato pelo WhatsApp (14) 99884-1112 | Marília-SP. Ter certeza sobre a saúde do seu coração é o primeiro passo para viver com mais tranquilidade.

 

Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo CRM SP 195033 | RQE 70601-70602/1 Médico Cardiologista | PhD pela USP

 

Referências Bibliográficas

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  2. Civieri G, Abohashem S, Grewal S, et al. Anxiety and Depression Associated With Increased Cardiovascular Disease Risk Through Accelerated Development of Risk Factors. JACC: Advances. 2024;3(9_Part_1):101208.
  3. Garcia M, Moazzami K, Almuwaqqat Z, et al. Psychological Distress and the Risk of Adverse Cardiovascular Outcomes in Patients With Coronary Heart Disease. JACC: Advances. 2024;3(2):100794.
  4. Vaccarino V, Bremner JD. Stress and cardiovascular disease: an update. Nature Reviews Cardiology. 2024;21(9):603–616.
  5. Matta S, Mikhail G, Ugona D, Lazarescu R, Taffaro A. Misdiagnosis of Supraventricular Tachycardia as Panic Attacks: A Case Report Highlighting the Importance of Accurate Cardiovascular Evaluation. Cureus. 2025;17(12):e98658.
  6. Writing Committee Members; Gulati M, Levy PD, Mukherjee D, et al. 2021 AHA/ACC/ASE/CHEST/SAEM/SCCT/SCMR Guideline for the Evaluation and Diagnosis of Chest Pain. Journal of the American College of Cardiology. 2021;78(22):e187–e285.
  7. Diretriz Brasileira de Atendimento à Dor Torácica na Unidade de Emergência. Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), 2025.
Publicado em 22/05/2026