Introdução

Você sabe qual é o seu LDL hoje? Segundo a Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose 2025 da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o colesterol LDL elevado é responsável por um número crescente de mortes cardiovasculares no Brasil nas últimas décadas — e a grande maioria dos pacientes de alto risco simplesmente não está atingindo as metas recomendadas, seja por falta de diagnóstico, seja por tratamento não otimizado. No Instituto Inject, em Marília-SP, o Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo integra a avaliação do perfil lipídico completo — incluindo LDL, não-HDL, ApoB e Lipoproteína(a) — ao protocolo de check-up cardiovascular de precisão, porque controlar o colesterol LDL é uma das intervenções mais eficazes na prevenção do infarto e do AVC.

Veja a seguir os tópicos que serão abordados neste blog post: Colesterol LDL Alto: O Que É, Riscos, Metas e Tratamento Segundo as Diretrizes de 2025

  1. O que é colesterol LDL e por que ele é chamado de "colesterol ruim"
  2. O que mudou na Diretriz Brasileira de Dislipidemias 2025
  3. Quais são as metas de LDL por categoria de risco cardiovascular
  4. Novos biomarcadores: ApoB, Lp(a) e colesterol não-HDL
  5. Sintomas e diagnóstico da dislipidemia: quando suspeitar
  6. Tratamento do colesterol LDL alto: estatinas, ezetimiba e inibidores de PCSK9
  7. Alimentação, exercício e estilo de vida no controle do LDL
  8. Colesterol LDL e risco cardiovascular: quando procurar um cardiologista

Se você tem dúvidas sobre o colesterol LDL — o que significa, quais são os valores normais em 2025 e como tratar —, este artigo foi escrito para você. As informações a seguir estão baseadas nas diretrizes mais recentes da SBC e da ESC, publicadas em 2025. Leia até o final.

 

1. O Que É Colesterol LDL e Por Que Ele É Chamado de "Colesterol Ruim"

O colesterol LDL — sigla para Low-Density Lipoprotein, ou lipoproteína de baixa densidade — é uma partícula responsável pelo transporte do colesterol do fígado para os tecidos periféricos. Quando presente em excesso na circulação, o LDL penetra na parede das artérias, sofre oxidação e desencadeia o processo inflamatório que leva à formação de placas ateroscleróticas — o mecanismo central do infarto e do AVC isquêmico.

A relação entre colesterol LDL elevado e doença cardiovascular é uma das mais robustas da medicina. Segundo a Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose 2025 (Rached FH, Miname MH, Rocha VZ et al. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250640), o LDL é o principal alvo terapêutico no manejo da dislipidemia, com evidências consistentes de que cada redução de 1 mmol/L (~39 mg/dL) no LDL reduz em aproximadamente 22% o risco de eventos cardiovasculares maiores — dados sustentados por metanálises do Cholesterol Treatment Trialists (CTT), publicadas no The Lancet.

 

2. O Que Mudou na Diretriz Brasileira de Dislipidemias 2025

A Diretriz SBC 2025 substituiu a versão de 2017 e trouxe mudanças significativas que impactam diretamente a prática clínica. As principais novidades são:

Criação da categoria de risco extremo: pela primeira vez, a diretriz brasileira cria uma categoria específica para pacientes com risco cardiovascular extremo — aqueles com múltiplos eventos cardiovasculares prévios, doença multiarterial (coronariana + periférica) ou recorrência de eventos mesmo em uso de terapia lipídica otimizada. Para esse grupo, a meta de LDL é inferior a 40 mg/dL.

Exame de lipídios sem jejum: a diretriz confirma que o perfil lipídico não precisa mais ser coletado em jejum — exceto quando os triglicérides excedem 440 mg/dL. Isso facilita o rastreamento populacional e elimina uma barreira importante para o diagnóstico.

Início de tratamento combinado precoce: pacientes de alto, muito alto ou extremo risco devem iniciar a terapia já com combinação de medicamentos — não apenas com estatina isolada. Essa mudança reflete evidências de que a intensificação precoce reduz eventos mais rapidamente.

Valorização da ApoB e da Lp(a): novos biomarcadores ganham protagonismo na estratificação de risco, superando em alguns contextos o valor isolado do LDL.

 

3. Quais São as Metas de LDL por Categoria de Risco Cardiovascular

A Diretriz SBC 2025 e a atualização da ESC 2025 estabelecem metas de LDL progressivamente mais rigorosas conforme o risco cardiovascular global do paciente:

Categoria de RiscoMeta LDL-cMeta Não-HDLMeta ApoB
Baixo< 115 mg/dL< 145 mg/dL< 100 mg/dL
Intermediário< 100 mg/dL< 130 mg/dL< 90 mg/dL
Alto< 70 mg/dL< 100 mg/dL< 70 mg/dL
Muito alto< 50 mg/dL< 80 mg/dL< 55 mg/dL
Extremo< 40 mg/dL< 70 mg/dL< 45 mg/dL

Uma mudança importante: pacientes de baixo risco com LDL persistentemente ≥ 145 mg/dL já devem ser encaminhados para consideração de tratamento farmacológico — reduzindo o limiar de intervenção em relação à diretriz anterior. A Diretriz ESC 2025 converge com essas metas, reforçando que o LDL não tem "nível seguro" para quem já apresenta doença cardiovascular estabelecida.

 

4. Novos Biomarcadores: ApoB, Lp(a) e Colesterol Não-HDL

Uma das contribuições mais relevantes da Diretriz SBC 2025 é a incorporação formal de novos biomarcadores lipídicos à estratificação de risco cardiovascular:

Apolipoproteína B (ApoB): representa o número total de partículas aterogênicas circulantes — LDL, VLDL, IDL e remanescentes. Em pacientes com triglicérides muito elevados, onde o LDL calculado pode subestimar o risco real, a ApoB é o melhor preditor de eventos cardiovasculares. A diretriz a inclui formalmente no diagnóstico e na definição de metas.

Lipoproteína(a) — Lp(a): a Diretriz SBC 2025 e a ESC 2025 recomendam que todos os pacientes adultos dosem a Lp(a) ao menos uma vez na vida. Determinada geneticamente, ela não varia com dieta ou medicamentos comuns — e valores acima de 75 nmol/L ou 30 mg/dL aumentam independentemente o risco cardiovascular, mesmo com LDL controlado. No Instituto Inject, a dosagem de Lp(a) já integra o protocolo de check-up cardiometabólico.

Colesterol não-HDL: representa todas as lipoproteínas aterogênicas e é particularmente útil quando os triglicérides estão acima de 150 mg/dL — situação em que o LDL calculado pela fórmula de Friedewald pode ser impreciso.

 

5. Sintomas e Diagnóstico da Dislipidemia: Quando Suspeitar

A dislipidemia — incluindo o colesterol LDL elevado — é assintomática na grande maioria dos casos. O paciente pode conviver por anos com LDL acima da meta sem qualquer sintoma, enquanto a aterosclerose progride silenciosamente nas artérias coronárias, carótidas e periféricas.

Em casos raros de hipercolesterolemia familiar grave, podem surgir sinais físicos como xantomas (depósitos de gordura nos tendões ou cotovelos), xantelasmas (placas amareladas ao redor dos olhos) e arco corneal — sinais que, quando presentes em pessoas jovens, indicam risco cardiovascular muito elevado e exigem investigação imediata.

O diagnóstico é feito pelo lipidograma — exame de sangue que mede colesterol total, LDL, HDL, triglicérides e VLDL. Segundo a Diretriz SBC 2025, o exame pode ser realizado sem jejum na maioria dos casos. Adultos a partir dos 20 anos devem realizar o lipidograma periodicamente, com frequência determinada pelo perfil de risco individual. No Instituto Inject, o lipidograma é complementado por ApoB e Lp(a) nos protocolos de check-up, garantindo uma avaliação lipídica completa e contextualizada.

 

6. Tratamento do Colesterol LDL Alto: Estatinas, Ezetimiba e Inibidores de PCSK9

O tratamento da dislipidemia é individualizado e baseia-se na estratificação de risco cardiovascular e no nível de LDL do paciente. A Diretriz SBC 2025 organiza a farmacoterapia em escalonamento progressivo:

Estatinas — primeira linha

As estatinas continuam sendo a pedra angular do tratamento do colesterol LDL alto. Inibem a síntese hepática de colesterol e reduzem o LDL em 30 a 55%, dependendo da potência e da dose. Pacientes que precisam de redução de LDL ≥ 50% já podem iniciar com estatina de alta potência associada a ezetimiba desde o início.

Ezetimiba — segunda linha ou combinação precoce

A ezetimiba inibe a absorção intestinal de colesterol e reduz o LDL em 15 a 25% adicionais quando associada à estatina. Para pacientes de alto, muito alto ou extremo risco, a Diretriz SBC 2025 recomenda considerar a combinação precoce desde o início do tratamento.

Inibidores de PCSK9 — para quem não atinge a meta

Os inibidores de PCSK9 — evolocumabe e alirocumabe (anticorpos monoclonais subcutâneos a cada 2 ou 4 semanas) e inclisirana (siRNA subcutâneo a cada 6 meses) — reduzem o LDL em até 60% adicionais quando associados à estatina. São indicados para pacientes que não atingem a meta com a terapia combinada otimizada. A terapia tripla (estatina + ezetimiba + anti-PCSK9) pode reduzir o LDL em mais de 85%, sendo reservada principalmente para pacientes de risco extremo.

Ácido bempedoico — alternativa na intolerância à estatina

Para pacientes com intolerância comprovada às estatinas que não atingem a meta com ezetimiba, o ácido bempedoico — inibidor da ATP-citrato liase — é recomendado com evidência de Classe I pela ESC 2025, com base nos resultados do estudo CLEAR OUTCOMES.

 

7. Alimentação, Exercício e Estilo de Vida no Controle do LDL

As medidas não farmacológicas são recomendadas para todos os pacientes com dislipidemia, independentemente do nível de risco. A Diretriz SBC 2025 adota uma abordagem qualitativa — não apenas quantitativa — em relação aos macronutrientes:

  • Padrão alimentar: priorize alimentos minimamente processados, com abundância de vegetais, frutas, leguminosas, azeite de oliva e peixes — padrão mediterrâneo com evidência robusta de redução de eventos cardiovasculares
  • Gorduras saturadas: reduzir para menos de 7% do valor calórico total; substituir por gorduras insaturadas (azeite, abacate, oleaginosas)
  • Gorduras trans: eliminar completamente — presentes em ultraprocessados e margarinas industriais
  • Fibras solúveis: aveia, psyllium, leguminosas e frutas reduzem a absorção intestinal de colesterol
  • Substitutos de sal à base de potássio: recomendados também para controle lipídico e pressórico
  • Atividade física regular: ao menos 150 minutos semanais de exercício aeróbico moderado elevam o HDL e reduzem triglicérides — sempre precedida de avaliação cardiovascular no Instituto Inject
  • Cessação do tabagismo: o tabagismo oxida o LDL, potencializando seu efeito aterogênico
  • Controle do peso: a redução de 5 a 10% do peso corporal melhora significativamente o perfil lipídico

 

8. Colesterol LDL e Risco Cardiovascular: Quando Procurar um Cardiologista

O colesterol LDL elevado é um fator de risco silencioso, modificável e tratável. Mas o tratamento correto depende da estratificação precisa do risco cardiovascular global — não apenas do número isolado no exame.

Você deve procurar avaliação cardiológica especializada se:

  • Seu LDL está acima de 115 mg/dL e você não faz acompanhamento regular
  • Já teve infarto, AVC ou outro evento cardiovascular
  • Tem histórico familiar de doença cardiovascular precoce ou hipercolesterolemia familiar
  • Usa estatina há anos e não sabe se está atingindo a meta correta
  • Tem diabetes, hipertensão arterial ou síndrome metabólica associados
  • Nunca dosou ApoB ou Lipoproteína(a) e tem mais de 40 anos

 

Perguntas Frequentes sobre Colesterol LDL

Qual é o LDL normal em 2025? Segundo a Diretriz SBC 2025, não existe um valor "normal" universal — a meta de LDL depende do risco cardiovascular individual. Para pessoas de baixo risco, o LDL deve ser inferior a 115 mg/dL. Para pacientes de muito alto risco, a meta é abaixo de 50 mg/dL, e para risco extremo, abaixo de 40 mg/dL.

Posso controlar o colesterol LDL apenas com dieta? Em pacientes de baixo risco e com LDL levemente elevado, as mudanças alimentares podem ser suficientes. No entanto, para pacientes de alto, muito alto ou extremo risco cardiovascular, a dieta isolada raramente atinge as metas — e o tratamento farmacológico é obrigatório segundo a Diretriz SBC 2025.

Estatina faz mal ao fígado? As estatinas são seguras para a grande maioria dos pacientes. Elevações significativas das enzimas hepáticas ocorrem em menos de 1% dos usuários. A Diretriz SBC 2025 orienta que, diante de sintomas atribuídos à estatina, o médico investigue a relação temporal e a adesão antes de confirmar intolerância — e que a intolerância verdadeira é menos frequente do que se supõe.

O que é Lipoproteína(a) e por que devo dosar? A Lp(a) é uma partícula lipídica determinada geneticamente, independente da dieta. Valores elevados aumentam o risco de infarto e AVC mesmo com LDL controlado. A Diretriz SBC 2025 recomenda dosá-la ao menos uma vez na vida adulta para identificar pacientes que precisam de metas de LDL ainda mais rigorosas.

Colesterol LDL baixo demais faz mal? Evidências acumuladas mostram que LDL muito baixo — inclusive abaixo de 40 mg/dL, como recomendado para risco extremo — é seguro a longo prazo, sem impacto negativo documentado em funções cognitivas, hormonais ou imunológicas nos estudos com inibidores de PCSK9.

 

Conclusão

Chegamos ao fim de mais um conteúdo desenvolvido pelo Instituto Inject. Neste blog post abordamos: o que é o colesterol LDL e seu papel na aterosclerose; as principais mudanças da Diretriz Brasileira de Dislipidemias 2025, incluindo a criação da categoria de risco extremo e o início precoce de terapia combinada; as metas de LDL por categoria de risco, com valores progressivamente mais rigorosos; os novos biomarcadores — ApoB, Lp(a) e colesterol não-HDL — e sua importância na estratificação de risco; a ausência de sintomas como característica central da dislipidemia e a importância do lipidograma regular; as opções farmacológicas — estatinas, ezetimiba, inibidores de PCSK9 e ácido bempedoico; as intervenções de estilo de vida com evidência científica; e os critérios para buscar avaliação cardiológica especializada.

O colesterol LDL elevado é silencioso, mas deixa marcas irreversíveis nas artérias. Com diagnóstico preciso, estratificação de risco adequada e tratamento baseado nas melhores evidências, é possível reduzir drasticamente o risco de infarto e AVC.

Não deixe o colesterol LDL trabalhar contra você em silêncio.

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Instituto Inject — Marília, SP WhatsApp para agendamento: (14) 99884-1112 

Cuide da sua saúde com a precisão que você merece.

Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo CRM SP 195033 | RQE 70601-70602/1 Cardiologista | PhD pela USP Instituto Inject — Marília, SP

Referências Bibliográficas

  1. Rached FH, Miname MH, Rocha VZ, Zimerman A, Cesena FHY, Sposito AC, et al. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose — 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250640.
  2. Mach F, Baigent C, Catapano AL, et al. 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias. Eur Heart J. 2020;41(1):111–188. (atualização ESC 2025 disponível em escardio.org)
  3. Sabatine MS, Giugliano RP, Keech AC, et al. Evolocumab and Clinical Outcomes in Patients with Cardiovascular Disease. N Engl J Med. 2017;376:1713–1722.
  4. Nissen SE, Lincoff AM, Brennan D, et al. Bempedoic Acid and Cardiovascular Outcomes in Statin-Intolerant Patients (CLEAR OUTCOMES). N Engl J Med. 2023;388:1353–1364.
Publicado em 29/04/2026