Introdução
Mais de um milhão de cateterismos cardíacos são realizados anualmente nos Estados Unidos, segundo dados do Manual MSD (2024), e o número cresce de forma expressiva no Brasil — reflexo direto do aumento nas doenças coronarianas. Apesar de ser um dos procedimentos cardiovasculares mais utilizados no mundo, o cateterismo cardíaco ainda gera dúvidas e, principalmente, receio. No Instituto Inject, em Marília-SP, o Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo orienta seus pacientes com base em evidências sólidas: entender o que é, para que serve e o que realmente ocorre antes, durante e depois do procedimento é o primeiro passo para enfrentá-lo com tranquilidade.
Veja a seguir os tópicos que serão abordados neste blog post:
- O que é o cateterismo cardíaco e como ele funciona
- Quando o médico indica o cateterismo cardíaco
- O que fazer antes do procedimento: preparo correto
- Como é realizado o cateterismo cardíaco: passo a passo
- Via radial ou femoral: qual é mais segura
- Quais são os riscos e as complicações possíveis
- O que esperar após o cateterismo cardíaco: recuperação e cuidados
- Cateterismo cardíaco diagnóstico e terapêutico: qual a diferença
Convite à Leitura
Se você recebeu indicação de cateterismo cardíaco ou simplesmente quer entender melhor como esse procedimento funciona, este artigo foi preparado especialmente para você. Nas próximas seções, desmistificamos o cateterismo cardíaco com base nas diretrizes mais atuais e na experiência clínica do Instituto Inject.
1. O que é o cateterismo cardíaco e como ele funciona
O cateterismo cardíaco, também chamado de cineangiocoronariografia ou coronariografia, é um procedimento minimamente invasivo que permite ao médico visualizar, em tempo real, as artérias que irrigam o coração. Por meio da introdução de um cateter — um tubo flexível e muito fino — em uma artéria periférica, o cardiologista guia esse instrumento até o coração e injeta um contraste à base de iodo. As imagens geradas por raios-X revelam com precisão se há obstruções, estreitamentos ou lesões nas artérias coronárias.
O cateterismo cardíaco vai além do diagnóstico: durante o mesmo procedimento, caso sejam encontradas obstruções significativas, é possível realizar imediatamente uma intervenção terapêutica — como a angioplastia com colocação de stent. Segundo o Manual MSD (2024), mais de um milhão de cateterismos são realizados anualmente nos Estados Unidos, e o volume crescente reflete tanto o avanço tecnológico quanto a confiabilidade do método. Trata-se, portanto, de um dos pilares diagnósticos e terapêuticos da cardiologia moderna, especialmente no manejo das doenças coronarianas. O cateterismo cardíaco é indicado tanto em situações de emergência quanto de forma eletiva.
2. Quando o médico indica o cateterismo cardíaco
A indicação do cateterismo cardíaco segue critérios clínicos precisos, estabelecidos por diretrizes internacionais. Segundo a Diretriz AHA/ACC para Doença Coronariana Crônica (2023), publicada no Journal of the American College of Cardiology, o cateterismo cardíaco está indicado em pacientes com doença coronariana estabelecida que apresentem nova redução da função do ventrículo esquerdo ou insuficiência cardíaca, além daqueles com angina estável refratária ao tratamento clínico otimizado.
A Diretriz AHA/ACC para Síndromes Coronarianas Agudas (2025) reforça que pacientes classificados como alto risco — escore GRACE acima de 140 — devem ser submetidos ao cateterismo cardíaco de forma precoce, idealmente nas primeiras 24 horas após a admissão. Outras indicações incluem resultados de alto risco em exames não invasivos como o teste ergométrico ou a cintilografia miocárdica, morte súbita abortada, suspeita de angina vasoespástica, avaliação pré-operatória de valvopatias e suspeita de oclusão pós-stent. Em todos esses cenários, o cateterismo cardíaco oferece informações que exames não invasivos simplesmente não conseguem fornecer.
3. O que fazer antes do procedimento: preparo correto
O preparo adequado é fundamental para que o cateterismo cardíaco seja realizado com segurança. De modo geral, o paciente deve manter jejum de quatro a seis horas antes do procedimento — protocolo recomendado pela maioria dos serviços de hemodinâmica, conforme descrito no Manual MSD (2024). É igualmente importante informar ao médico sobre todos os medicamentos em uso, especialmente anticoagulantes, anti-inflamatórios e metformina, que podem requerer ajuste ou suspensão prévia.
Pacientes com histórico de alergia a contraste iodado devem comunicar esse antecedente ao médico com antecedência, pois é necessária medicação profilática. Quem tem comprometimento renal também merece atenção especial, uma vez que o contraste pode impactar transitoriamente a função dos rins. No dia do cateterismo cardíaco, o paciente deve comparecer acompanhado, pois não estará apto a dirigir após o procedimento. Levar todos os exames anteriores — eletrocardiograma, ecocardiograma, resultados de sangue — agiliza a avaliação pela equipe de hemodinâmica e contribui para maior segurança. O Instituto Inject orienta cada paciente individualmente antes de qualquer encaminhamento para esse procedimento.
4. Como é realizado o cateterismo cardíaco: passo a passo
O cateterismo cardíaco é realizado em uma sala de hemodinâmica, por cardiologista intervencionista treinado, com monitoramento contínuo de pressão arterial, saturação de oxigênio e eletrocardiograma. O procedimento começa com a aplicação de anestesia local no local de punção — geralmente no punho (artéria radial) ou na virilha (artéria femoral). Com a área anestesiada, o médico insere uma agulha e, em seguida, um fio-guia e o cateter, que é avançado cuidadosamente até as coronárias sob visão fluoroscópica em tempo real.
Ao chegar à entrada das artérias coronárias, é injetado o contraste iodado, que torna os vasos visíveis nas imagens de raios-X. O médico avalia a presença de obstruções, estenoses e irregularidades. Em seguida, o contraste é também injetado no ventrículo esquerdo para avaliar a função de bombeamento cardíaco. Segundo dados do Manual MSD (2024), o procedimento frequentemente não ultrapassa 30 minutos quando realizado apenas com finalidade diagnóstica. Durante o cateterismo cardíaco, o paciente permanece acordado e pode relatar uma breve sensação de calor no peito no momento da injeção do contraste — o que é normal e esperado.
5. Via radial ou femoral: qual é mais segura
A escolha da via de acesso no cateterismo cardíaco — radial (pelo punho) ou femoral (pela virilha) — tem impacto direto na segurança e no conforto do paciente. A Diretriz AHA/ACC para Síndromes Coronarianas Agudas (2025) estabelece a preferência pela via radial, por demonstrar redução de sangramento maior, complicações vasculares e mortalidade em comparação com a via femoral.
Essa preferência é respaldada por metanálises publicadas em periódicos de referência. Estudo publicado na base de dados do National Center for Biotechnology Information (PubMed) demonstrou que a via radial foi adotada como estratégia de primeira escolha para procedimentos coronários pela Diretriz ESC/EACTS de Revascularização Miocárdica (2017) como recomendação de classe IA. Na prática, pacientes submetidos ao cateterismo cardíaco pela via radial apresentam menor tempo de restrição ao leito, alta hospitalar mais precoce e menor desconforto pós-procedimento. A via femoral permanece indicada em situações específicas, como avaliação arterial da aorta abdominal e membros inferiores. A decisão cabe ao cardiologista intervencionista, levando em conta a anatomia e as condições clínicas individuais de cada paciente.
6. Quais são os riscos e as complicações possíveis
Uma das perguntas mais frequentes sobre o cateterismo cardíaco é: "Esse procedimento é perigoso?". A resposta embasada em evidências é: trata-se de um procedimento de baixo risco, mas, como qualquer intervenção invasiva, não é isento de complicações. Segundo o Manual MSD (2024), a taxa de mortalidade associada ao cateterismo cardíaco varia entre 0,1% e 0,2% — o que significa que menos de 1 em cada 500 pacientes submetidos ao exame vai a óbito, e a grande maioria já apresentava doença cardíaca grave previamente.
As complicações mais comuns são vasculares — hematomas e sangramentos no local de punção —, com incidência de 2% a 3%, segundo dados consolidados. Complicações mais graves, como infarto, acidente vascular cerebral e parada cardíaca, ocorrem em taxas inferiores a 0,1% cada. A Rede D'Or destaca em seus protocolos que complicações graves ocorrem em menos de 1% dos procedimentos. Reações alérgicas ao contraste, arritmias transitórias e alterações passageiras na função renal também podem ocorrer, especialmente em pacientes com fatores de risco predisponentes. O cateterismo cardíaco é considerado, pela literatura médica internacional, um procedimento seguro quando realizado por equipe experiente em serviço habilitado.
7. O que esperar após o cateterismo cardíaco: recuperação e cuidados
A recuperação após o cateterismo cardíaco é relativamente rápida, especialmente quando o acesso é realizado pela via radial. Na maioria dos casos em que o procedimento foi apenas diagnóstico, o paciente recebe alta hospitalar no mesmo dia, após um período de observação de quatro a seis horas. O local de punção deve ser mantido limpo e seco, e o paciente deve evitar esforços físicos intensos por 24 a 48 horas.
Segundo orientações consolidadas em protocolos institucionais e pela literatura de hemodinâmica, o paciente deve observar sinais de alerta no pós-procedimento: sangramento ativo no local de punção, inchaço progressivo, dor intensa, febre, alteração visual ou fraqueza súbita dos membros são situações que exigem retorno imediato ao serviço de saúde. A ingestão hídrica deve ser aumentada nas primeiras horas para auxiliar a eliminação do contraste pelos rins. Se o cateterismo cardíaco resultar em procedimento terapêutico — como colocação de stent —, o tempo de internação pode ser maior, e o cardiologista prescreverá medicação antiagregante plaquetária, cuja adesão rigorosa é fundamental para prevenir trombose do stent.
8. Cateterismo cardíaco diagnóstico e terapêutico: qual a diferença
O cateterismo cardíaco pode ser realizado com duas finalidades distintas: diagnóstica ou terapêutica. No cateterismo diagnóstico — também chamado coronariografia —, o objetivo é mapear as artérias coronárias, identificar lesões e avaliar a função ventricular. O médico obtém informações precisas sobre localização, extensão e gravidade das obstruções, definindo a melhor estratégia de tratamento para cada paciente.
Quando o cateterismo cardíaco revela obstruções significativas — estenose igual ou superior a 70% do diâmetro do vaso, segundo os critérios das diretrizes ACC/AHA (2023) —, pode ser realizada imediatamente a intervenção coronária percutânea (ICP), popularmente conhecida como angioplastia com stent. Nesse cenário, o cateterismo passa a ter caráter terapêutico. A Diretriz AHA/ACC para Síndromes Coronarianas Agudas (2025) enfatiza que pacientes com anatomia favorável devem ser submetidos à revascularização completa, preferencialmente no mesmo procedimento, o que reduz riscos de eventos futuros e otimiza a internação. Em casos mais complexos — como doença de três vasos em pacientes diabéticos —, a cirurgia de revascularização miocárdica pode ser a opção mais indicada, decisão que depende da análise individualizada da anatomia coronariana.
FAQ - Perguntas Frequentes
O cateterismo cardíaco dói? O procedimento é realizado sob anestesia local, portanto o paciente não sente dor durante a inserção do cateter. É comum sentir uma sensação transitória de calor no peito no momento da injeção do contraste iodado, o que é esperado e desaparece rapidamente. No pós-procedimento, pode haver desconforto leve no local de punção.
Quanto tempo dura o cateterismo cardíaco? Um cateterismo cardíaco com finalidade exclusivamente diagnóstica geralmente não ultrapassa 30 minutos. Se o médico identificar lesões e realizar angioplastia com stent no mesmo ato, o tempo pode se estender para uma a duas horas, a depender da complexidade das lesões encontradas e do número de vasos tratados.
É preciso ficar internado após o cateterismo cardíaco? Na maioria dos casos de cateterismo cardíaco diagnóstico, o paciente recebe alta no mesmo dia, após um período de observação de quatro a seis horas. Quando há realização de angioplastia ou outras intervenções terapêuticas associadas, pode ser necessária internação de 24 a 48 horas para monitoramento adequado.
Posso tomar meus remédios normalmente antes do cateterismo cardíaco? Não necessariamente. Alguns medicamentos precisam ser ajustados ou suspensos antes do procedimento — especialmente anticoagulantes, metformina e medicamentos para diabetes. A orientação deve ser individualizada pelo cardiologista assistente, com base no quadro clínico e nas características específicas de cada paciente.
O cateterismo cardíaco pode ser feito em pacientes idosos? Sim, mas com atenção redobrada. O risco de complicações — incluindo acidente vascular cerebral — é proporcionalmente maior em pacientes acima de 80 anos, conforme apontado pelo Manual MSD (2024). A decisão deve ser baseada em avaliação criteriosa de risco-benefício, considerando as condições clínicas globais e a expectativa de ganho diagnóstico ou terapêutico para cada paciente.
Conclusão
Chegamos ao fim de mais um conteúdo desenvolvido pelo Instituto Inject. Neste blog post abordamos: o que é o cateterismo cardíaco e como ele funciona; quando o médico indica o procedimento; o preparo correto antes do exame; o passo a passo de como ele é realizado; a diferença entre a via radial e femoral; os riscos e complicações reais com base em evidências; os cuidados na recuperação pós-procedimento; e a distinção entre cateterismo diagnóstico e terapêutico. O objetivo foi oferecer informação clara, precisa e acolhedora — porque decisões conscientes começam com conhecimento de qualidade.
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Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo CRM SP 195033 | RQE 70601-70602/1 Médico Cardiologista | PhD pela USP
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