Introdução

Quando um bebê nasce com um problema no coração, os pais frequentemente se deparam com termos desconhecidos, diagnósticos assustadores e decisões urgentes. A cardiopatia congênita — defeito estrutural do coração ou dos grandes vasos presente desde o nascimento — é, na verdade, a malformação congênita mais comum em todo o mundo, afetando aproximadamente 8 a 9 em cada 1.000 nascidos vivos, o que corresponde a 1,35 milhão de novos casos por ano globalmente. No Brasil, estima-se que nasçam entre 20.000 e 30.000 crianças com alguma forma de cardiopatia congênita a cada ano. Apesar da dimensão do problema, os avanços no diagnóstico pré-natal, na cirurgia cardíaca pediátrica e no acompanhamento clínico transformaram radicalmente o prognóstico: hoje, a maioria das crianças com cardiopatia congênita chega à vida adulta com boa qualidade de vida. No Instituto Inject, em Marília-SP, o Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo integra esse acompanhamento na cardiologia de adultos — porque muitos portadores de cardiopatia congênita que foram tratados na infância precisam de seguimento especializado ao longo de toda a vida.

Veja a seguir os tópicos que serão abordados neste blog post: Cardiopatia Congênita: O Que É e Como Afeta as Crianças?

  1. O que é cardiopatia congênita e por que ela acontece
  2. Os tipos mais comuns de cardiopatia congênita: da mais leve à mais grave
  3. Cardiopatias cianóticas e acianóticas: uma distinção clínica fundamental
  4. Como identificar sinais de alerta no recém-nascido e no lactente
  5. O Teste do Coraçãozinho: a triagem neonatal que salva vidas no Brasil
  6. Como a cardiopatia congênita é diagnosticada: do pré-natal ao ecocardiograma
  7. Tratamento da cardiopatia congênita: cirurgia, cateterismo e acompanhamento
  8. Cardiopatia congênita no adulto: uma nova fronteira da cardiologia

A cardiopatia congênita não é rara — é, na verdade, o defeito de nascimento mais frequente da espécie humana. Entender o que ela é, como se manifesta, como é diagnosticada e o que o tratamento moderno oferece pode mudar a perspectiva de famílias que enfrentam esse diagnóstico.

 

1. O que é cardiopatia congênita e por que ela acontece

A cardiopatia congênita é definida como qualquer anormalidade estrutural do coração ou dos grandes vasos — aorta, artéria pulmonar, veias cavas — presente desde o nascimento, que tenha potencial impacto funcional significativo na vida do indivíduo. Essa anormalidade se origina durante a fase de formação cardíaca no período embrionário, entre a 3ª e a 8ª semana de gestação, quando as estruturas do coração se diferenciam e se conectam de forma extraordinariamente complexa.

As causas da cardiopatia congênita são multifatoriais e, na maioria dos casos, não é possível identificar uma causa única e isolada. Fatores genéticos respondem por uma parcela significativa dos casos: síndrome de Down (trissomia 21) está associada a cardiopatias em 40% a 50% dos portadores; síndrome de DiGeorge (deleção do cromossomo 22q11.2) está presente em até 5% das crianças com cardiopatias congênitas conotruncais (que afetam os grandes vasos). Diversas outras síndromes cromossômicas e mutações genéticas pontuais têm associação documentada com cardiopatias específicas.

Fatores ambientais e maternos também contribuem: uso de determinados medicamentos durante a gravidez (como lítio, retinoides, anticonvulsivantes), infecções virais no primeiro trimestre (especialmente rubéola congênita), diabetes mellitus materno mal controlado, abuso de álcool e tabagismo durante a gestação estão associados a maior risco de cardiopatia congênita na prole. Na maioria dos casos, contudo — aproximadamente 80% —, a cardiopatia congênita ocorre de forma isolada, sem síndrome associada identificada e sem causa ambiental determinada, sugerindo interação complexa entre predisposição genética multifatorial e fatores ambientais ainda mal compreendidos.

 

2. Os tipos mais comuns de cardiopatia congênita: da mais leve à mais grave

Existe grande heterogeneidade dentro do espectro das cardiopatias congênitas — desde defeitos minúsculos que fecham espontaneamente sem deixar sequelas até malformações complexas que exigem múltiplas cirurgias nos primeiros anos de vida. A metanálise sistemática publicada no Journal of the American College of Cardiology (JACC) que analisou dados de mais de 24 milhões de nascimentos identificou as oito formas mais frequentes de cardiopatia congênita na população mundial.

A comunicação interventricular (CIV) é de longe a mais comum, representando cerca de 30% a 40% de todas as cardiopatias congênitas. Consiste em uma abertura no septo que separa os dois ventrículos. CIVs pequenas frequentemente fecham espontaneamente no primeiro ano de vida (85% a 90% dos casos), enquanto CIVs moderadas a grandes exigem fechamento cirúrgico ou percutâneo por cateterismo.

A comunicação interatrial (CIA) — abertura no septo que separa os dois átrios — é a segunda cardiopatia congênita mais comum em adultos, porque frequentemente passa despercebida na infância. CIAs moderadas a grandes causam sobrecarga de volume do ventrículo direito e, quando não tratadas, podem levar a hipertensão pulmonar e arritmias na vida adulta.

O canal arterial persistente (PCA) é a manutenção da comunicação entre a aorta e a artéria pulmonar que existe normalmente na vida fetal e deveria fechar nas primeiras horas ou dias após o nascimento. Em prematuros, é particularmente frequente e pode ter repercussão hemodinâmica significativa.

A coarctação de aorta é um estreitamento da aorta descendente, geralmente próximo ao ducto arterioso. Causa hipertensão nos membros superiores com pressão reduzida nos membros inferiores — diferença que o pediatra ou cardiologista detecta ao comparar a pressão arterial nos braços e nas pernas.

A tetralogia de Fallot é a cardiopatia congênita cianótica mais comum, representando 3,5% a 9% de todas as cardiopatias congênitas. É definida por quatro anomalias associadas: CIV, estenose pulmonar, cavalgamento da aorta sobre o septo e hipertrofia do ventrículo direito. Historicamente grave, a tetralogia de Fallot é hoje corrigida cirurgicamente com excelentes resultados na maioria dos centros especializados.

 

3. Cardiopatias cianóticas e acianóticas: uma distinção clínica fundamental

A classificação mais usada clinicamente divide as cardiopatias congênitas em cianóticas e acianóticas, com base na presença ou ausência de cianose — a coloração azulada de pele, lábios e mucosas causada pela desaturação do sangue arterial.

As cardiopatias acianóticas são aquelas que, em sua fase inicial, não causam desaturação arterial sistêmica. Nelas, o defeito provoca um desvio (shunt) do sangue da circulação de maior pressão (esquerda, sistêmica) para a de menor pressão (direita, pulmonar) — o chamado shunt esquerda-direita. Esse desvio aumenta o fluxo pulmonar e sobrecarrega o coração direito e a circulação pulmonar, mas não mistura sangue desoxigenado à circulação sistêmica. Exemplos clássicos incluem a CIV, a CIA, o canal arterial persistente e o defeito do septo atrioventricular (DSAV). A coarctação de aorta também é acianótica, embora sua fisiopatologia seja obstrutiva e não de shunt.

As cardiopatias cianóticas são aquelas que, desde cedo, permitem mistura de sangue desoxigenado à circulação sistêmica — causando hipoxemia e cianose. Isso ocorre quando há shunt direita-esquerda (sangue venoso desoxigenado que passa diretamente para a circulação sistêmica sem passar pelos pulmões) ou quando há obstrução grave ao fluxo pulmonar. A tetralogia de Fallot é o exemplo mais representativo. Outras cardiopatias cianóticas incluem a transposição das grandes artérias, a atresia pulmonar, a atresia tricúspide, o tronco arterial comum e a anomalia de Ebstein.

A distinção clínica é importante porque as cardiopatias cianóticas tendem a representar emergências neonatais que exigem diagnóstico e intervenção precoces — enquanto as acianóticas, embora potencialmente graves se não tratadas, frequentemente permitem uma janela de tempo maior para investigação e planejamento cirúrgico.

 

4. Como identificar sinais de alerta no recém-nascido e no lactente

O reconhecimento precoce dos sinais de cardiopatia congênita é responsabilidade dos pais, dos pediatras e dos neonatologistas — e pode fazer a diferença entre um tratamento bem-sucedido e uma crise cardíaca não antecipada. Os sintomas variam enormemente conforme o tipo e a gravidade da cardiopatia.

Em recém-nascidos e lactentes, os sinais de alerta que devem motivar avaliação cardiológica urgente incluem: cianose persistente — coloração azulada de lábios, língua, unhas e extremidades, especialmente se não melhora com oxigênio suplementar (cianose central); dificuldade para se alimentar — o bebê para de mamar frequentemente, sua, respira com dificuldade durante as mamadas e leva muito tempo para completar cada refeição; taquipneia — frequência respiratória elevada (acima de 60 movimentos por minuto em repouso), com batimento das asas do nariz e retração intercostal; ganho de peso inadequado — o bebê não ganha peso conforme esperado apesar de amamentação aparentemente adequada; sudorese excessiva, especialmente durante as mamadas; irritabilidade incomum associada a cansaço desproporcional; e cansaço ao chorar ou ao esforço.

Em crianças maiores, os sinais suspeitos incluem: intolerância ao exercício — a criança para de brincar antes das outras, fica muito cansada com atividades que os colegas toleram facilmente; sopro cardíaco detectado pelo pediatra — nem todo sopro é patológico, mas todo sopro merece avaliação por cardiologista pediátrico; cianose ao esforço — lábios ou extremidades que ficam azulados quando a criança chora ou brinca intensamente; crises de agachamento características da tetralogia de Fallot (a criança se agacha instintivamente para aliviar a dispneia durante o esforço); e síncope ou perda de consciência durante atividade física.

 

5. O Teste do Coraçãozinho: a triagem neonatal que salva vidas no Brasil

Uma das conquistas mais significativas para o diagnóstico precoce de cardiopatia congênita no Brasil foi a incorporação do Teste do Coraçãozinho à triagem neonatal universal do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da Portaria nº 20, de junho de 2014.

O Teste do Coraçãozinho consiste na medição da saturação de oxigênio por oximetria de pulso em dois pontos específicos do recém-nascido: no membro superior direito (que reflete o fluxo pré-ductal) e em um dos membros inferiores (que reflete o fluxo pós-ductal). O exame é simples, indolor, rápido e não invasivo — realizado com um sensor de oximetria fixado na pele —, e deve ser feito em todos os recém-nascidos após 24 horas de vida, ainda na maternidade, antes da alta hospitalar.

O teste é considerado alterado quando: a saturação em qualquer dos membros é inferior a 95%; ou há uma diferença de 3% ou mais entre a medição no membro superior direito e a medição no membro inferior. Quando alterado, o recém-nascido deve ser submetido a ecocardiograma antes da alta — porque a alta sem esclarecimento diagnóstico representa risco de deterioração aguda em casa, quando o canal arterial (que garante o fluxo pulmonar em algumas cardiopatias graves) começa a se fechar naturalmente.

Segundo o documento de sistematização do atendimento ao recém-nascido com suspeita de cardiopatia congênita, publicado pelo Departamento Científico de Cardiologia e Neonatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) em 2022, o Teste do Coraçãozinho é ferramenta essencial para detecção precoce das cardiopatias congênitas críticas antes da alta maternidade, mas possui sensibilidade limitada — algumas cardiopatias críticas podem não alterar a oximetria nas primeiras 24 horas. Por isso, o exame físico cuidadoso pelo neonatologista ou pediatra e a investigação de sopros, sinais de insuficiência cardíaca e pulsos femorais continuam indispensáveis.

 

6. Como a cardiopatia congênita é diagnosticada: do pré-natal ao ecocardiograma

O diagnóstico da cardiopatia congênita pode ocorrer em diferentes momentos — antes do nascimento, logo após o parto ou mesmo na infância tardia e na vida adulta, dependendo do tipo e da gravidade da lesão.

Diagnóstico pré-natal: a ultrassonografia morfológica realizada entre 20 e 24 semanas de gestação inclui avaliação das quatro câmaras do coração fetal e é capaz de detectar muitas cardiopatias estruturais. Quando há suspeita ou fator de risco, indica-se o ecocardiograma fetal — realizado preferencialmente entre 20 e 28 semanas —, que permite avaliação anatômica detalhada com imagens estáticas, dinâmicas e Doppler colorido. A Diretriz Brasileira de Cardiologia Fetal da SBC (2019) estabelece as indicações para ecocardiograma fetal, que incluem: suspeita de anomalia cardíaca no ultrassom morfológico, cardiopatia congênita em filho anterior, cardiopatia congênita na mãe, diabetes mellitus materno, lúpus eritematoso sistêmico materno (pelo risco de bloqueio atrioventricular fetal), uso de drogas teratogênicas e trissomias cromossômicas identificadas. No Brasil, a taxa de diagnóstico fetal de cardiopatias congênitas críticas ainda é de apenas cerca de 30%, enquanto em países de alta renda pode chegar a 80%.

Diagnóstico neonatal e pós-natal: além do Teste do Coraçãozinho, a ausculta cardíaca pelo neonatologista é o principal instrumento de triagem na maternidade. Sopros, ritmo cardíaco anormal, cianose e sinais de baixo débito cardíaco devem motivar investigação imediata. O ecocardiograma com mapeamento de fluxo em cores — seja fetal ou pós-natal — é o método de escolha para o diagnóstico definitivo e para a definição anatômica completa da cardiopatia. Outros exames utilizados incluem: radiografia de tórax (para avaliação da silhueta cardíaca e da vascularização pulmonar), eletrocardiograma (para avaliação de ritmo e sobrecargas), cateterismo cardíaco diagnóstico (reservado para casos complexos em que o ecocardiograma não esclarece completamente a anatomia) e ressonância magnética cardíaca (crescentemente utilizada em crianças maiores e adultos com cardiopatia congênita para avaliação de volumes e função ventriculares).

 

7. Tratamento da cardiopatia congênita: cirurgia, cateterismo e acompanhamento

O tratamento da cardiopatia congênita passou por uma revolução nas últimas sete décadas — transformando condições antes universalmente fatais em doenças manejáveis com expectativa de vida próxima à da população geral em muitos casos. Hoje, mais de 90% das crianças com cardiopatia congênita sobrevivem até a vida adulta nos países com acesso a cuidados cardíacos pediátricos especializados.

As modalidades de tratamento disponíveis incluem:

Observação clínica e acompanhamento: defeitos pequenos com alta taxa de fechamento espontâneo — como CIVs musculares pequenas e alguns FCAs — são acompanhados sem intervenção, com reavaliações periódicas pelo cardiologista pediátrico.

Intervenção percutânea por cateterismo cardíaco: permite o fechamento de defeitos como CIA, CIV e canal arterial persistente por meio de dispositivos oclusores introduzidos por cateter via veia femoral, sem necessidade de cirurgia a céu aberto. Também é usada para dilatação de estenoses valvares pulmonares e aórticas, colocação de stents em coarctação de aorta e implante percutâneo de válvulas pulmonares em adultos com tetralogia de Fallot corrigida.

Cirurgia cardíaca: permanece indispensável para as cardiopatias complexas que não são acessíveis por cateterismo, como a tetralogia de Fallot, a transposição das grandes artérias, o truncus arteriosus e as cardiopatias univentriculares. Os avanços nas técnicas cirúrgicas — incluindo a circulação extracorpórea em neonatos, a proteção miocárdica e os cuidados pós-operatórios — reduziram drasticamente a mortalidade cirúrgica nas últimas décadas.

Tratamento medicamentoso: utilizado como suporte antes da cirurgia (como a prostaglandina E1 para manter o canal arterial aberto em cardiopatias canal-dependentes), como tratamento adjuvante da insuficiência cardíaca congestiva (diuréticos, inibidores da ECA, betabloqueadores) e, em longo prazo, como tratamento específico da hipertensão arterial pulmonar associada.

 

8. Cardiopatia congênita no adulto: uma nova fronteira da cardiologia

Uma das transformações mais profundas na cardiologia das últimas décadas foi o surgimento e o crescimento acelerado de uma nova população de pacientes: os adultos com cardiopatia congênita (ACHD — Adult Congenital Heart Disease). Graças aos avanços cirúrgicos que salvaram vidas de crianças que antes não sobreviveriam até a puberdade, hoje existem mais adultos vivendo com cardiopatia congênita do que crianças — e esse número cresce aproximadamente 3% a 5% ao ano.

Esses adultos enfrentam desafios específicos que diferem dos problemas cardíacos da população adulta geral: arritmias tardias relacionadas às cicatrizes cirúrgicas, deterioração funcional de correções que eram eficazes na infância mas se desgastam com o tempo, necessidade de reintervenções (como troca de válvula pulmonar na tetralogia de Fallot corrigida), complicações relacionadas à gravidez (como discutido no artigo anterior desta série), risco de endocardite infecciosa, e desenvolvimento de insuficiência cardíaca em câmaras que funcionam em condições anatômicas não ideais.

A Diretriz ACC/AHA/HRS/ISACHD/SCAI 2025 para Manejo de Adultos com Cardiopatia Congênita — a mais recente e abrangente referência internacional para esse grupo, publicada na Circulation e no JACC — substituiu a diretriz de 2018 e incorporou novas evidências sobre critérios para intervenção na tetralogia de Fallot, manejo de arritmias com ablação por cateter, fechamento de CIA com hipertensão pulmonar e acompanhamento da circulação de Fontan. A diretriz reforça que adultos com cardiopatia congênita moderada a complexa devem ser acompanhados em centros de referência com expertise específica em ACHD — porque as peculiaridades anatômicas e fisiológicas dessas condições exigem conhecimento especializado que vai além da cardiologia geral.

No Instituto Inject, a avaliação de adultos com cardiopatia congênita — especialmente aqueles com lesões residuais, disfunção ventricular ou necessidade de seguimento de longo prazo — faz parte do escopo de atuação do Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo, com integração ao ecocardiograma e aos demais exames cardiológicos disponíveis no mesmo local.

 

Perguntas Frequentes

1. Cardiopatia congênita tem cura? Depende do tipo. Defeitos pequenos como CIVs musculares fecham espontaneamente. Cardiopatias que exigem intervenção cirúrgica ou por cateterismo frequentemente são "corrigidas" — mas muitas deixam sequelas anatômicas ou funcionais que requerem acompanhamento cardiológico ao longo de toda a vida. O objetivo moderno é menos "cura" e mais "controle otimizado com qualidade de vida".

2. Sopro no coração da criança sempre significa cardiopatia? Não. Sopros funcionais ou inocentes são extremamente comuns em crianças — especialmente durante febre, anemia ou períodos de crescimento acelerado —, e não têm substrato estrutural. No entanto, todo sopro em criança deve ser avaliado por cardiologista pediátrico com ecocardiograma, para distinguir o sopro inocente da cardiopatia congênita.

3. Criança com cardiopatia congênita pode fazer atividade física? Na maioria das cardiopatias leves a moderadas corrigidas, a atividade física é permitida e encorajada. Cardiopatias graves ou não corrigidas podem exigir restrições específicas. A liberação para esportes deve ser feita pelo cardiologista após avaliação individualizada, que inclui ecocardiograma e, frequentemente, teste de esforço.

4. A cardiopatia congênita é hereditária? Parcialmente. A maioria dos casos é multifatorial. A herdabilidade varia de 3% a mais de 50% dependendo da condição específica. Pais com cardiopatia congênita têm risco aumentado de ter filhos com a mesma condição — razão pela qual o ecocardiograma fetal é recomendado nessa situação.

5. O Teste do Coraçãozinho detecta todas as cardiopatias? Não. O Teste do Coraçãozinho tem alta sensibilidade para cardiopatias que causam desaturação arterial, mas pode não detectar lesões que dependem do fechamento do canal arterial para se manifestar (como a coarctação de aorta grave). O exame físico cuidadoso pelo neonatologista, incluindo ausculta cardíaca e palpação dos pulsos femorais, é complementar e indispensável.

 

Conclusão

Chegamos ao fim de mais um conteúdo desenvolvido pelo Instituto Inject. Neste blog post abordamos: o que é cardiopatia congênita e por que ela ocorre, com suas causas multifatoriais; os tipos mais comuns, do mais simples ao mais complexo; a distinção clínica fundamental entre cardiopatias cianóticas e acianóticas; os sinais de alerta em recém-nascidos e lactentes que devem motivar investigação urgente; o Teste do Coraçãozinho como ferramenta de triagem neonatal universal no Brasil desde 2014; o caminho diagnóstico, do ecocardiograma fetal ao pós-natal; as opções de tratamento — observação, cateterismo e cirurgia —, e os avanços que transformaram o prognóstico; e a emergência dos adultos com cardiopatia congênita como uma nova e crescente população cardiológica.

Cardiopatia congênita não é sinônimo de tragédia — é uma condição que, diagnosticada e tratada adequadamente, permite que a maioria das crianças afetadas crescam, estudem, trabalhem, pratiquem esportes e formem famílias.

 

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Se você é adulto com cardiopatia congênita diagnosticada na infância e ainda não tem acompanhamento cardiológico regular — ou se tem dúvidas sobre a saúde cardiovascular de sua criança —, o Instituto Inject está disponível para ajudá-lo.

O Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo realiza avaliação cardiológica completa, com ecocardiograma e demais exames disponíveis no mesmo local, em Marília-SP. Entre em contato pelo WhatsApp (14) 99884-1112 e agende sua consulta.

 

Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo CRM SP 195033 | RQE 70601-70602/1 Médico Cardiologista | PhD pela USP

 

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Publicado em 29/07/2026