Introdução

A cardiomiopatia hipertrófica apresenta prevalência revisada de 1 em cada 250 indivíduos, não sendo uma doença rara, mas amplamente subdiagnosticada. Trata-se da cardiopatia genética mais comum em adultos e, ao mesmo tempo, uma das condições cardiovasculares que mais passam despercebidas — inclusive em pessoas aparentemente saudáveis. No Instituto Inject, em Marília-SP, o Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo, cardiologista com PhD pela USP, avalia pacientes com suspeita dessa condição por meio de protocolos de diagnóstico de precisão, integrando ecocardiograma, Holter, teste ergométrico e análise clínica individualizada, sempre fundamentado nas diretrizes científicas mais atuais.

 

Veja a seguir os tópicos que serão abordados neste blog post: Cardiomiopatia Hipertrófica: o que você precisa saber

  1. O que é a cardiomiopatia hipertrófica e por que ela é subestimada
  2. Bases genéticas e hereditariedade: quem está em risco
  3. Sintomas, apresentações clínicas e sinais de alerta
  4. Como é feito o diagnóstico: exames e critérios atuais
  5. Estratificação de risco e prevenção da morte súbita cardíaca
  6. Tratamento clínico: betabloqueadores, inibidores da miosina e novas terapias
  7. Intervenções invasivas: miectomia cirúrgica e ablação por álcool
  8. Acompanhamento a longo prazo, atividade física e qualidade de vida

 

A cardiomiopatia hipertrófica pode estar presente em pessoas ativas, atletas e executivos sem que nenhum sintoma aparente tenha sido identificado. Neste artigo, você vai compreender, com base nas diretrizes mais recentes, tudo o que precisa saber sobre essa condição para proteger sua saúde e a de sua família.

 

1. O que é a cardiomiopatia hipertrófica e por que ela é subestimada

A cardiomiopatia hipertrófica é uma doença genética que causa aumento da espessura da parede do ventrículo esquerdo, com ou sem hipertrofia do ventrículo direito, na ausência de outras condições capazes de produzir hipertrofia ventricular — como hipertensão arterial sistêmica e estenose da valva aórtica. Essa distinção é clinicamente fundamental, pois define a doença pela sua origem molecular e não apenas pela morfologia observada nos exames de imagem. 

A análise genética permite identificar mutações em genes codificantes de diferentes estruturas do sarcômero, responsáveis pelo desenvolvimento da cardiomiopatia hipertrófica em cerca de 60% dos casos. Quando nenhuma mutação é encontrada nos outros 40%, o diagnóstico permanece clínico, baseado nos critérios de imagem estabelecidos pelas diretrizes. 

O motivo pelo qual a cardiomiopatia hipertrófica é tão subestimada reside em sua apresentação predominantemente silenciosa. A vasta maioria dos pacientes é assintomática. Isso significa que inúmeros indivíduos carregam a condição ao longo de toda a vida sem receber diagnóstico, sendo identificados apenas após um evento clínico grave — como síncope, arritmia ou, nos casos mais dramáticos, morte súbita. Segundo a Diretriz sobre Diagnóstico e Tratamento da Cardiomiopatia Hipertrófica da Sociedade Brasileira de Cardiologia (2024), publicada nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, a doença deve ser considerada em qualquer avaliação cardiológica de rotina quando há hipertrofia ventricular esquerda não explicada por fatores de sobrecarga. 

 

2. Bases genéticas e hereditariedade: quem está em risco

A cardiomiopatia hipertrófica é transmitida de forma autossômica dominante, o que significa que cada filho de um portador tem aproximadamente 50% de chance de herdar a mutação responsável pela condição. A herança autossômica dominante com penetrância variável está presente em até 60% dos casos, o que justifica a importância do rastreamento familiar. Cerca de 25% dos familiares de primeiro grau de indivíduos com cardiomiopatia hipertrófica demonstram alterações morfológicas compatíveis com a doença, mesmo em fases assintomáticas. 

Segundo a Diretriz AHA/ACC de 2024 para Manejo da Cardiomiopatia Hipertrófica, publicada no Journal of the American College of Cardiology, o teste genético deve ser oferecido aos pacientes com cardiomiopatia hipertrófica para determinar sua base genética e auxiliar na identificação de parentes em risco por meio do rastreamento em cascata. Isso representa uma mudança significativa na abordagem clínica: o diagnóstico de um caso-índice deve disparar uma investigação familiar estruturada. 

O rastreamento de familiares com teste genético parece custo-efetivo quando comparado ao rastreamento clínico isolado. Os genes mais frequentemente envolvidos são aqueles que codificam proteínas do sarcômero cardíaco, particularmente a cadeia pesada da beta-miosina (MYH7) e a proteína C de ligação à miosina (MYBPC3). A identificação de uma variante patogênica em um familiar assintomático permite vigilância clínica direcionada, ecocardiogramas periódicos e orientação comportamental antes que qualquer manifestação clínica apareça. 

 

3. Sintomas, apresentações clínicas e sinais de alerta

A apresentação clínica da cardiomiopatia hipertrófica é heterogênea. Alguns pacientes nunca desenvolvem sintomas significativos e mantêm expectativa de vida normal; outros evoluem com limitação funcional importante. O diagnóstico geralmente ocorre de três formas: em avaliação para sintomas como dispneia, angina, síncope ou pré-síncope; como rastreamento quando há história familiar conhecida; ou incidentalmente como resultado de exame para avaliação de alguma outra condição médica. 

Os sintomas cardinais da cardiomiopatia hipertrófica incluem dispneia ao esforço — frequentemente o primeiro sinal —, dor torácica, palpitações, pré-síncope e síncope. Os sintomas incluem dor torácica, dispneia, síncope e morte súbita. Tipicamente, há sopro sistólico, intensificado pela manobra de Valsalva, no tipo hipertrófico obstrutivo. 

A forma obstrutiva da cardiomiopatia hipertrófica — na qual o espessamento septal gera obstrução dinâmica do trato de saída do ventrículo esquerdo — tende a produzir sintomas mais pronunciados. Segundo a Diretriz AHA/ACC (2024), a obstrução pode estar presente em repouso ou ser provocada pelo esforço, o que reforça a necessidade de testes dinâmicos como o ecocardiograma com manobra de Valsalva e o teste ergométrico. A condição é a principal causa de morte súbita cardíaca em indivíduos jovens com menos de 35 anos, principalmente em atletas, que possuem maior demanda cardiovascular. Esse dado evidencia a urgência do diagnóstico diferencial em qualquer jovem com sintomas cardíacos durante o exercício. 

 

4. Como é feito o diagnóstico: exames e critérios atuais

O diagnóstico da cardiomiopatia hipertrófica é fundamentado em métodos de imagem, com o ecocardiograma transtorácico como exame inicial de eleição. O diagnóstico requer detecção por métodos de imagem — ecocardiograma ou ressonância magnética cardíaca — de qualquer segmento da parede do ventrículo esquerdo com espessura superior a 15 mm, sem outra causa provável. 

O eletrocardiograma apresenta alterações em 90% dos casos, embora sejam inespecíficas, já que a expressão genética é variável. Ocorrem achados de pseudoinfarto com ondas Q proeminentes inferolaterais e aumento das forças de despolarização do septo hipertrófico com ondas R proeminentes em derivações precordiais.

Segundo a Diretriz AHA/ACC (2024), a ressonância magnética cardíaca pode ser considerada quando o ecocardiograma transtorácico for inconclusivo para o diagnóstico de cardiomiopatia hipertrófica e no planejamento pré-procedimento de terapia de redução septal. A ressonância também auxilia na exclusão de doenças infiltrativas, na diferenciação do coração do atleta e na estratificação de risco de morte súbita cardíaca quando o implante de cardiodesfibrilador não é claramente indicado após avaliação clínica. 

No Instituto Inject, o protocolo diagnóstico combina ECG de 12 derivações, ecocardiograma com Doppler completo, Holter de 24 horas, MAPA e, quando indicado, teste ergométrico — todos realizados no mesmo local, com laudo individualizado.

 

5. Estratificação de risco e prevenção da morte súbita cardíaca

A prevenção da morte súbita cardíaca é o objetivo central do manejo da cardiomiopatia hipertrófica em pacientes de alto risco. Para pacientes adolescentes e adultos com cardiomiopatia hipertrófica, a estratificação de risco para morte súbita deve ser realizada a cada um a dois anos. Essa avaliação deve incluir histórico pessoal de parada cardíaca ou arritmias ventriculares, síncope arritmogênica, história familiar de morte súbita precoce, espessura máxima do ventrículo esquerdo, aneurisma apical do ventrículo esquerdo e taquicardia ventricular não sustentada no monitoramento ambulatorial por ECG. 

Segundo a Diretriz AHA/ACC (2024), validada em estudo publicado no JACC: Heart Failure, a incidência cumulativa de eventos de morte súbita em cinco anos foi marcadamente elevada em pacientes com cardiomiopatia hipertrófica em fase avançada, definida por fração de ejeção inferior a 50%, seguida pelas formas com obstrução mediventricular e não obstrutiva. 

Um cardiodesfibrilador implantável é indicado para pacientes com cardiomiopatia hipertrófica que apresentaram taquicardia ventricular sustentada ou parada cardíaca prévia. Para pacientes com risco intermediário, a decisão deve ser compartilhada entre médico e paciente, levando em conta dados de imagem — incluindo a extensão do realce tardio por gadolínio na ressonância magnética — e fatores clínicos individuais. 

 

6. Tratamento clínico: betabloqueadores, inibidores da miosina e novas terapias

O tratamento medicamentoso da cardiomiopatia hipertrófica passou por uma transformação significativa com a chegada dos inibidores seletivos da miosina cardíaca. Historicamente, betabloqueadores e bloqueadores dos canais de cálcio não di-hidropiridínicos eram as únicas opções farmacológicas disponíveis.

Segundo a Diretriz AHA/ACC (2024), o tratamento de primeira linha para pacientes com cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva e sintomas atribuíveis à obstrução do trato de saída do ventrículo esquerdo são os betabloqueadores não vasodilatadores, titulados até a efetividade ou dose máxima tolerada. 

Em caso de resposta insatisfatória, a Diretriz SBC (2024) recomenda a associação de um inibidor da miosina cardíaca. O mavacanteno (Camzyos), o único inibidor da miosina cardíaca disponível no Brasil, tem mostrado eficácia na redução dos sintomas relacionados à obstrução do trato de saída do ventrículo esquerdo e na melhora da qualidade de vida dos pacientes. 

Um estudo publicado no European Heart Journal (2024) demonstrou que o efeito de longo prazo do mavacamten em pacientes com cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva resultou em redução sustentada do gradiente de obstrução e melhora da capacidade funcional ao longo de seguimento prolongado. O mavacamten, como inibidor da miosina cardíaca oral, reduz a formação da ponte cruzada de actina-miosina, alivia os sintomas, reduz a obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo e aumenta a tolerância ao exercício. Medicamentos que reduzem a pré-carga, como nitratos e diuréticos, são contraindicados na cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva, pois agravam os sintomas ao diminuir o volume ventricular. 

 

7. Intervenções invasivas: miectomia cirúrgica e ablação por álcool

Quando o tratamento clínico otimizado não é suficiente para controlar os sintomas da cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva, as chamadas terapias de redução septal entram em cena. Trata-se de procedimentos capazes de reduzir mecanicamente a hipertrofia responsável pela obstrução do trato de saída do ventrículo esquerdo.

A miectomia cirúrgica — ou cirurgia de Morrow — é considerada o padrão-ouro para pacientes sintomáticos com obstrução significativa em centros com experiência estabelecida. A ablação septal por álcool é uma alternativa percutânea, na qual etanol é injetado em uma artéria coronária septal para induzir necrose localizada e redução do septo hipertrofiado. Segundo a Diretriz SBC (2024), a escolha entre os dois procedimentos deve levar em conta a anatomia coronariana, a experiência do centro e as preferências do paciente dentro de um processo de decisão compartilhada.

A análise da anatomia cardíaca ajuda a identificar quais pacientes com as formas obstrutivas de cardiomiopatia hipertrófica necessitam de terapia de redução septal ou tratamento medicamentoso. A ressonância magnética cardíaca e o ecocardiograma tridimensional têm papel fundamental nessa avaliação pré-operatória. Para pacientes com cardiomiopatia hipertrófica e fibrilação atrial — uma complicação frequente —, a anticoagulação é recomendada independentemente do escore CHA₂DS₂-VASc, conforme reforçam as diretrizes de 2024, sendo os anticoagulantes orais diretos a primeira opção terapêutica. 

 

8. Acompanhamento a longo prazo, atividade física e qualidade de vida

O manejo da cardiomiopatia hipertrófica ao longo da vida exige um acompanhamento estruturado e periódico. A diretriz AHA/ACC de 2024 aborda as nuances das recomendações sobre exercício e participação em atividades recreativas vigorosas e esportes competitivos, refletindo evidências mais recentes sobre o tema. Ao contrário do que vigorava em versões anteriores das diretrizes, pacientes com cardiomiopatia hipertrófica de baixo risco não estão necessariamente impedidos de praticar atividade física moderada, desde que sob avaliação médica criteriosa. 

A decisão sobre a intensidade do exercício permitida deve ser individualizada. Um estudo publicado no JACC (2022) demonstrou que a maioria dos pacientes com cardiomiopatia hipertrófica pode participar de atividades físicas recreativas de baixa a moderada intensidade sem aumento significativo do risco de eventos adversos, desde que a estratificação de risco tenha sido adequadamente realizada. O teste ergométrico tem papel central nessa avaliação, identificando respostas pressóricas anormais, arritmias induzidas pelo esforço e limitações funcionais objetivas.

Em todos os pacientes com cardiomiopatia hipertrófica, o eletrocardiograma de 12 derivações deve ser incluído nas avaliações iniciais e anuais de acompanhamento, com monitoramento ambulatorial por ECG de 24 a 48 horas para estratificação do risco de morte súbita. O seguimento regular permite detectar progressão da doença, surgimento de arritmias e deterioração da função ventricular antes que eventos clínicos graves ocorram — reforçando que o diagnóstico precoce e o acompanhamento contínuo são os pilares centrais do cuidado ao paciente com cardiomiopatia hipertrófica. 

 

FAQ — Perguntas frequentes sobre Cardiomiopatia Hipertrófica

1. A cardiomiopatia hipertrófica tem cura?

A cardiomiopatia hipertrófica não tem cura no sentido de reversão completa da alteração genética ou estrutural. No entanto, com tratamento adequado, a grande maioria dos pacientes tem expectativa de vida normal. O controle dos sintomas, a prevenção de complicações e o acompanhamento cardiológico regular são fundamentais para garantir qualidade de vida a longo prazo.

2. Quem tem cardiomiopatia hipertrófica pode fazer exercício físico?

Sim, com restrições individualizadas. Segundo as diretrizes AHA/ACC de 2024, a proibição generalizada de atividade física foi revisada. Pacientes de baixo risco podem praticar exercícios moderados. A liberação deve ser feita após avaliação cardiológica completa, incluindo ecocardiograma e teste ergométrico, considerando o perfil de risco de cada indivíduo.

3. Quais são os principais sintomas da cardiomiopatia hipertrófica?

Os sintomas mais comuns da cardiomiopatia hipertrófica são dispneia ao esforço, dor no peito, palpitações, tontura e síncope. Muitos pacientes, porém, são completamente assintomáticos e só descobrem a condição em um check-up de rotina ou após rastreamento familiar. A ausência de sintomas não exclui risco de morte súbita.

4. Como é feito o diagnóstico de cardiomiopatia hipertrófica?

O diagnóstico é feito por meio do ecocardiograma transtorácico, que identifica o espessamento da parede do ventrículo esquerdo acima de 15 mm sem causa alternativa. O eletrocardiograma apresenta alterações em até 90% dos casos. A ressonância magnética cardíaca e o teste genético complementam a avaliação, especialmente em casos com histórico familiar positivo.

5. A cardiomiopatia hipertrófica é hereditária?

Sim. A cardiomiopatia hipertrófica é transmitida de forma autossômica dominante, o que significa que cada filho de um portador tem aproximadamente 50% de chance de herdar a condição. Por isso, o rastreamento de familiares de primeiro grau — por meio de ecocardiograma e, quando indicado, teste genético — é uma recomendação das principais diretrizes internacionais e da Diretriz SBC de 2024.

 

Conclusão

Chegamos ao fim de mais um conteúdo desenvolvido pelo Instituto Inject. Neste blog post abordamos: o que é a cardiomiopatia hipertrófica e por que ela é subestimada; suas bases genéticas e o risco familiar; sintomas e sinais de alerta; critérios e exames para o diagnóstico; estratificação de risco e prevenção da morte súbita; opções de tratamento clínico incluindo os novos inibidores da miosina; intervenções invasivas como a miectomia e a ablação por álcool; e o acompanhamento a longo prazo com orientações sobre atividade física. A cardiomiopatia hipertrófica é mais comum do que se imagina — e o diagnóstico precoce, fundamentado em ciência, pode mudar o curso da vida de um paciente e de toda a sua família.

 

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Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo CRM SP 195033 | RQE 70601-70602/1 Médico Cardiologista | PhD pela USP

 

Referências Bibliográficas

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Publicado em 06/05/2026