Introdução
Estudos populacionais demonstram que, a partir dos 40 anos, os níveis de testosterona caem em torno de 1% ao ano na maioria dos homens. Esse processo silencioso pode comprometer energia, humor, composição corporal e até a saúde do coração — mas é frequentemente ignorado ou mal interpretado. A chamada andropausa existe, tem nome científico preciso e tratamento baseado em evidências. No Instituto Inject, em Marília-SP, o Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo conduz avaliações hormonais e cardiovasculares integradas, porque compreende que o hormônio masculino é também um hormônio metabólico e vascular.
Índice
Veja a seguir os tópicos que serão abordados neste blog post: Andropausa: mito ou realidade no envelhecimento masculino?
- Andropausa ou DAEM: o que os termos realmente significam
- Por que a testosterona cai com a idade e o que acelera esse processo
- Sintomas da andropausa: quando suspeitar e o que não ignorar
- Diagnóstico correto: quais exames são necessários e como interpretá-los
- Andropausa, risco cardiovascular e síndrome metabólica
- O que o estudo TRAVERSE revelou sobre a segurança do tratamento
- Tratamento da DAEM: indicações, formas e monitoramento
- Estilo de vida como pilar do equilíbrio hormonal masculino
Convite à leitura
Se você tem mais de 40 anos e percebe queda de energia, dificuldade para manter a massa muscular ou alterações no humor, a andropausa pode ser parte da explicação. Continue lendo e descubra o que a ciência mais recente tem a dizer sobre esse tema que ainda carrega muitos mitos.
1. Andropausa ou DAEM: o que os termos realmente significam
O termo andropausa é amplamente utilizado na linguagem popular, mas a medicina prefere uma denominação mais precisa: Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino, conhecida pela sigla DAEM. A razão para essa preferência não é apenas semântica — ela reflete uma diferença biológica fundamental em relação à menopausa feminina. Enquanto a menopausa representa uma interrupção definitiva da função ovariana, a andropausa masculina se caracteriza por um declínio gradual e parcial da produção de testosterona, sem que haja necessariamente uma pausa hormonal completa.
Nem todos os homens desenvolverão sintomas clínicos relevantes. A DAEM é uma síndrome — ou seja, ela exige a combinação de achados laboratoriais (testosterona abaixo dos valores de referência em dois exames matinais distintos) e manifestações clínicas compatíveis. A Diretriz Clínica da Endocrine Society (2018) estabelece que o diagnóstico de hipogonadismo masculino só deve ser feito quando há sintomas e sinais consistentes com deficiência androgênica e níveis séricos de testosterona inequivocamente baixos. Isso afasta tanto o subdiagnóstico — quando homens sintomáticos não são investigados — quanto o sobrediagnóstico e tratamento de homens assintomáticos sem real indicação clínica.
Compreender esse espectro é o primeiro passo para que a andropausa deixe de ser um tema de mito e passe a ocupar seu lugar legítimo na medicina preventiva masculina.
2. Por que a testosterona cai com a idade e o que acelera esse processo
O declínio hormonal masculino é um processo fisiológico esperado. A partir dos 40 anos, a testosterona diminui progressivamente a uma taxa média de 1% a 2% ao ano. Embora a maioria dos homens permaneça dentro dos valores laboratoriais de referência até o fim da vida, uma parcela significativa experimenta quedas clinicamente relevantes: estima-se que aproximadamente 5% dos homens aos 40 anos e 20% após os 60 anos apresentem redução expressiva dos androgênios — o que configura o quadro da andropausa ou DAEM.
Mas o envelhecimento não age sozinho. Vários fatores potencializam esse declínio e podem antecipar o início dos sintomas. Segundo a Diretriz da Endocrine Society (2018), condições como obesidade visceral, diabetes tipo 2, síndrome metabólica, doenças crônicas, uso de determinados medicamentos e disfunções hipofisárias estão entre as causas mais comuns de hipogonadismo funcional em homens adultos. Sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool e privação crônica de sono também comprometem a produção testicular de testosterona de forma significativa.
Esse perfil de fatores de risco é especialmente relevante para homens acima de 35 anos que vivem sob pressão profissional constante — exatamente o perfil de pacientes que busca o Instituto Inject para avaliações de saúde integrais. A andropausa não é apenas uma questão do tempo que passa; é, sobretudo, um reflexo do estilo de vida acumulado ao longo dos anos.
3. Sintomas da andropausa: quando suspeitar e o que não ignorar
Os sintomas da andropausa são, com frequência, atribuídos ao estresse, à sobrecarga de trabalho ou ao envelhecimento natural — o que atrasa o diagnóstico em anos. A deficiência androgênica do envelhecimento masculino pode se manifestar em múltiplos sistemas do organismo simultaneamente, o que torna seu reconhecimento clínico desafiador.
Os sinais mais característicos incluem diminuição da libido, disfunção erétil, redução da massa e força muscular, aumento da gordura abdominal, fadiga persistente, alterações de humor (como irritabilidade e sintomas depressivos), dificuldades de concentração e memória, insônia e enfraquecimento ósseo. Um estudo publicado no Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences (2024) sistematizou que os impactos da andropausa sobre a qualidade de vida dos homens idosos são amplos e frequentemente subestimados pela própria medicina.
É importante destacar que muitos homens com testosterona baixa não apresentam qualquer sintoma perceptível. O contrário também ocorre: homens com sintomas compatíveis com andropausa podem ter testosterona dentro dos limites normais, necessitando de investigação clínica mais aprofundada para identificar outras causas. Por isso, a abordagem diagnóstica deve ser clínica e laboratorial simultaneamente, nunca baseada em apenas um dos dois pilares. A suspeita clínica é o ponto de partida — e jamais deve ser descartada sem investigação adequada.
4. Diagnóstico correto: quais exames são necessários e como interpretá-los
O diagnóstico da andropausa — ou DAEM — exige rigor metodológico. A Diretriz da Endocrine Society (2018) recomenda que a dosagem de testosterona total seja realizada pela manhã, em jejum, em duas ocasiões distintas, antes de qualquer tomada de decisão clínica. Isso porque os níveis de testosterona apresentam variação circadiana significativa, com pico nas primeiras horas do dia, e podem ser influenciados por fatores agudos como infecção, jejum prolongado ou privação de sono.
O valor de corte utilizado pela maioria das diretrizes internacionais para suspeita de hipogonadismo é de testosterona total abaixo de 300 ng/dL (ou 10,4 nmol/L). Em casos onde os valores estão na zona limítrofe, a dosagem da testosterona livre ou biodisponível, associada à SHBG (globulina carreadora de hormônios sexuais), pode refinar o diagnóstico. Além disso, a investigação deve incluir LH, FSH, prolactina, hemograma e avaliação metabólica completa para diferenciar o hipogonadismo primário (testicular) do secundário (hipofisário-hipotalâmico), o que tem implicações diretas na conduta terapêutica.
No Instituto Inject, a investigação hormonal é integrada à avaliação cardiovascular e metabólica. Exames como bioimpedância, análise da composição corporal, perfil lipídico, glicemia e pressão arterial compõem o check-up completo, oferecendo ao paciente uma visão longitudinal e precisa de sua saúde. A andropausa não deve ser avaliada isoladamente — ela é parte de um cenário clínico maior.
5. Andropausa, risco cardiovascular e síndrome metabólica
Uma das dimensões mais relevantes — e menos discutidas publicamente — da andropausa é sua relação com o risco cardiovascular. A testosterona não é apenas um hormônio sexual; ela é um hormônio metabólico e vascular com ação direta sobre o endotélio, a composição corporal, o metabolismo da glicose e o perfil lipídico.
Um estudo publicado nos Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia demonstrou que baixos níveis de testosterona endógena estão associados a componentes da síndrome metabólica, incluindo obesidade visceral, dislipidemia, hipertensão arterial e estados pró-trombóticos. Essa relação é bidirecional: a síndrome metabólica compromete a função testicular, e a deficiência androgênica, por sua vez, agrava o quadro metabólico — criando um ciclo de retroalimentação negativo que eleva o risco cardiovascular global.
Homens com diabetes tipo 2 têm aproximadamente o dobro da prevalência de deficiência de testosterona em comparação com homens sem a condição. A Diretriz da American Urological Association (AUA) afirma categoricamente que baixa testosterona é um fator de risco para doença cardiovascular, reforçando a necessidade de avaliação hormonal integrada ao rastreamento cardiometabólico. No contexto da medicina de precisão praticada no Instituto Inject, essa articulação entre andropausa e saúde cardiovascular é tratada com a atenção que merece — especialmente em executivos e atletas com perfil de risco elevado.
6. O que o estudo TRAVERSE revelou sobre a segurança do tratamento
Por anos, existiu uma controvérsia científica relevante: a terapia de reposição de testosterona seria segura do ponto de vista cardiovascular? Estudos iniciais e pequenos, muitas vezes observacionais, produziram resultados conflitantes. Essa incerteza motivou a FDA a exigir dos fabricantes a condução de ensaios clínicos robustos para avaliar os desfechos cardiovasculares da reposição de testosterona.
O resultado foi o estudo TRAVERSE (Testosterone Replacement Therapy for Assessment of Long-term Vascular Events and Efficacy Response in Hypogonadal Men), publicado no New England Journal of Medicine em junho de 2023. Trata-se do maior ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo já realizado sobre o tema, incluindo 5.246 homens entre 45 e 80 anos com hipogonadismo documentado e doença cardiovascular preexistente ou alto risco cardiovascular. O estudo demonstrou que a terapia de reposição de testosterona não foi inferior ao placebo quanto à incidência de eventos cardiovasculares maiores (MACE), afastando a hipótese de que o tratamento da andropausa eleva o risco de infarto ou AVC em homens com indicação clínica adequada.
O estudo também evidenciou benefícios adicionais, como redução na incidência de novos casos de diabetes e melhora em parâmetros relacionados à anemia. Contudo, seus autores foram claros: os resultados não justificam a prescrição indiscriminada de testosterona para homens sem hipogonadismo confirmado. A segurança do tratamento da andropausa está condicionada à seleção criteriosa do paciente e ao monitoramento clínico rigoroso.
7. Tratamento da DAEM: indicações, formas e monitoramento
Quando o diagnóstico de andropausa está confirmado — por critérios clínicos e laboratoriais combinados — e há indicação médica estabelecida, a terapia de reposição de testosterona (TRT) pode trazer benefícios significativos sobre qualidade de vida, composição corporal, função sexual, humor e metabolismo. A Diretriz da Endocrine Society (2018) recomenda que, ao iniciar a TRT, o médico persiga concentrações de testosterona no terço médio do intervalo de referência normal, evitando tanto subdosagem quanto superdosagem.
As formas de administração disponíveis incluem géis transdérmicos, injeções intramusculares de ésteres de testosterona e adesivos cutâneos. Cada formulação tem características próprias de farmacocinética, comodidade e perfil de efeitos adversos, e a escolha deve considerar as preferências do paciente, o acesso ao tratamento e as particularidades clínicas individuais. A Diretriz da AUA orienta que o alvo terapêutico ideal situa-se entre 450 e 600 ng/dL, correspondente ao terço médio dos valores de referência laboratorial.
O monitoramento deve ser rigoroso. Hematócrito, PSA, lipidograma, função hepática e avaliação de sintomas devem ser revisados periodicamente — geralmente nos primeiros 3, 6 e 12 meses de tratamento e, após, anualmente. Homens com desejo de preservar a fertilidade não devem receber TRT convencional, pois a reposição exógena suprime a espermatogênese. Nesses casos, alternativas como gonadotrofinas exógenas podem ser consideradas. O tratamento da andropausa é, portanto, altamente individualizado — e jamais deve ser iniciado sem avaliação médica completa.
8. Estilo de vida como pilar do equilíbrio hormonal masculino
Antes de qualquer intervenção farmacológica, e como suporte indispensável durante o tratamento, o estilo de vida é o principal modulador da saúde hormonal masculina. A relação entre hábitos cotidianos e os níveis de testosterona é bem documentada — e constitui uma oportunidade de ação concreta que todo homem tem ao seu alcance.
O exercício físico, especialmente o treinamento de resistência (musculação), está associado a estímulos positivos sobre o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, com benefícios sobre os níveis de testosterona, composição corporal e sensibilidade à insulina. A perda de peso — sobretudo a redução da gordura visceral — é uma das intervenções mais eficazes para reverter o hipogonadismo funcional associado à obesidade, segundo os critérios da Endocrine Society. Um estudo publicado nos Archives of Internal Medicine demonstrou associação inversa entre obesidade e testosterona livre em homens de meia-idade.
Sono de qualidade, controle do estresse crônico (que eleva o cortisol e suprime a testosterona), cessação do tabagismo, moderação no consumo de álcool e alimentação mediterrânea compõem o arsenal não farmacológico para a prevenção e o manejo da andropausa. No Instituto Inject, essas variáveis são avaliadas de forma integrada ao perfil hormonal e cardiovascular do paciente, garantindo uma abordagem verdadeiramente personalizada para cada caso de andropausa identificado.
FAQ
1. Andropausa tem cura? A andropausa, tecnicamente chamada de DAEM, não tem "cura" no sentido de reversão completa do envelhecimento hormonal. No entanto, quando confirmada laboratorialmente e com indicação clínica adequada, a terapia de reposição de testosterona pode controlar os sintomas de forma eficaz e segura, desde que acompanhada por médico especialista.
2. Qual médico trata a andropausa? O diagnóstico e o tratamento da andropausa podem ser conduzidos por endocrinologista, urologista ou médico clínico especializado em saúde masculina. Em casos onde há associação com risco cardiovascular ou síndrome metabólica, a avaliação cardiológica integrada é fundamental para garantir segurança e eficácia do tratamento.
3. A terapia de reposição de testosterona causa câncer de próstata? As diretrizes mais atuais, incluindo a da American Urological Association (AUA), afirmam que não há evidências que estabeleçam relação causal entre a terapia de reposição de testosterona e o desenvolvimento de câncer de próstata. Contudo, homens com diagnóstico confirmado de câncer de próstata ativo não devem receber esse tratamento. O monitoramento do PSA é obrigatório durante a terapia.
4. Quais são os primeiros sinais da andropausa? Os primeiros sinais da andropausa costumam ser inespecíficos: queda de energia, redução da motivação, dificuldade para dormir e diminuição da libido. Com o tempo, podem surgir ganho de gordura abdominal, perda de massa muscular e alterações de humor. Muitos homens confundem esses sinais com estresse ou simplesmente com "envelhecimento normal".
5. É possível prevenir a andropausa? Não é possível impedir o declínio natural da testosterona com a idade, mas é possível retardar e atenuar seus efeitos. Praticar exercícios regularmente, manter peso adequado, dormir bem, controlar o estresse e evitar tabaco e álcool em excesso são as estratégias mais bem documentadas pela ciência para preservar a saúde hormonal masculina ao longo dos anos.
Conclusão
Chegamos ao fim de mais um conteúdo desenvolvido pelo Instituto Inject. Neste blog post abordamos: o significado correto dos termos andropausa e DAEM; as causas do declínio de testosterona com a idade; os principais sintomas e alertas clínicos; o protocolo diagnóstico baseado em evidências; a relação entre andropausa, risco cardiovascular e síndrome metabólica; os resultados do estudo TRAVERSE sobre segurança do tratamento; as indicações e formas de reposição hormonal; e o papel fundamental do estilo de vida na saúde hormonal masculina. A andropausa é real, mensurável e tratável — mas exige avaliação médica séria, individualizada e baseada em ciência.
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Se você identificou algum dos sintomas descritos neste artigo, ou simplesmente quer conhecer com precisão o estado atual da sua saúde hormonal e cardiovascular, o Instituto Inject está preparado para ajudá-lo. Em Marília-SP, realizamos o check-up completo em um único local — incluindo avaliação hormonal, cardiológica, metabólica e de composição corporal — com laudo técnico individualizado elaborado pelo Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo.
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Prof. Dr. Estevão Tavares de Figueiredo CRM SP 195033 | RQE 70601-70602/1 Médico Cardiologista | PhD pela USP
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